21 jun 2011 | Artigos,Notícias
A arte de enganar o público – o VS

Quando eu criei essa seção, o intuito era escancarar as artimanhas usadas pelos artistas sertanejos com o intuito de ludibriar o público de forma a fazê-lo cair em suas “ardilosas armadilhas”. Ironias à parte, o fato é que nem todo artifício utilizado por um artista tem realmente esse intuito de divulgar uma “mentira” com a intenção de fazer o artista parecer realmente mais do que realmente é. Alguns elementos, facilmente encaixáveis nesta seção, são utilizados com o objetivo de facilitar o trabalho de um artista. Eu aliás sou completamente a favor da utilização de alguns deles. Tudo bem que o público não sabe dessas artimanhas, mas cá estamos para desvendar mais esse mistério, rsrs.

Quando você vai a um show de um artista qualquer, costuma prestar atenção aos músicos da banda? Costuma ficar atento ao som do ambiente, verificando se todos os instrumentos que você ouve realmente estão sendo tocados ali no palco? Não, né. Aliás, quem faz isso? Só os aficcionados pela perfeição e por colocar defeito em tudo o que vêem e ouvem. O problema é que pra poder prestar atenção a esses detalhes, é necessário um considerável conhecimento de música e um ouvido bem apurado.

Os artistas (de todo e qualquer segmento), na hora de realizarem um show, precisam de uma certa infra-estrutura a um certo custo, o que inclui o pagamento dos músicos. Em certos casos, no entanto, torna-se impossível trabalhar com a banda em sua totalidade, por uma série de motivos às vezes alheios à vontade dos artistas. Qual a solução encontrada, portanto, para manter o show com o mesmo impacto e qualidade? Bom, nesse momento entra em cena o “VS”.

“VS” é um dos termos utilizados por profissionais da música para se referirem ao áudio dos instrumentos previamente gravados mas que não estão sendo efetivamente tocados num determinado show. Isso mesmo: muitos instrumentos que você ouve durante o show não estão sendo efetivamente tocados. Em alguns casos ainda tem lá um ou outro músico “dublando” o referido instrumento, mas na maioria o pessoal nem se dá ao trabalho de colocar alguém fingindo que toca o bendito. Geralmente instrumentos de arranjos, como solos de violões, guitarras, sanfonas e outros. Na prática, qualquer instrumento pode ser previamente gravado, mas o usual é tocar ao vivo pelo menos a bateria e o contrabaixo, que são os que efetivamente ditam o ritmo do show. O termo “VS” se deve ao aparelho geralmente utilizado para essa prática.

O aparelho de “VS”, ou simplesmente gravador digital, é basicamente um estúdio móvel. Nele, é possível gravar em pistas separadas cada instrumento musical de uma determinada canção e depois executar direto do aparelho, sem a necessidade de um computador. Dependendo apenas, claro, da quantidade de canais e/ou pistas disponíveis em cada aparelho. Quanto mais canais disponíveis, mais instrumentos podem ser gravados, claro. O nome “VS”, aliás, eu não sei ao certo de onde vem. Creio que se convencionou chamar de “VS” por conta do modelo mais comum do aparelho, da marca Roland, cuja linha de gravadores digitais sempre teve o nome começando com as letras V e S. Veja abaixo o modelo mais recente do “VS” da Roland.

O gravador digital era mais comumente utilizado até alguns anos atrás. Dá um trabalhão lascado programar todas as sequências nesse tijolão. Por conta disso, com o barateamento e evolução da tecnologia dos notebooks, tem sido mais comum a utilização de placas de áudio portáteis acopladas a um notebook de alta potência, com as pistas de áudio gravadas num programa profissional de produção musical, como o Pro Tools, Sonar, Cubase e qualquer outro. É que é beeem mais simples de manusear. Aliás, é bom ressaltar que nesses casos é mais segura a utilização de um notebook com um bom processador, memória, placa de áudio e software de produção musical para evitar travamento. Já imaginou se na hora do show o negócio pára? Nos aparelhos de “VS”, a ocorrência de travamento é bem menos provável, afinal o aparelho é próprio para isso. Mas os notebooks andam tão avançados que o “VS” está perdendo cada vez mais seu espaço. Além de caro (o mais simples custa em média R$ 1200,00), é limitado com relação ao número de pistas gravadas, o que não ocorre com os notebooks.

Como eu disse acima, o “VS” é utilizado por praticamente todos os grandes artistas. Tornou-se um elemento indispensável à execução de um bom show. Com o “VS”, é possível manter uma certa disciplina no palco. É que além dos instrumentos, costuma-se separar uma das pistas para o metrônomo, que dita o tempo exato de execução de uma canção e é executado apenas nos retornos de ouvido dos músicos (na maioria das vezes apenas no do baterista). É por causa dele que uma música começa e termina exatamente na mesma velocidade.

Além dessa disciplina, que exige que o músico siga à risca o que foi ensaiado e não invente malabarismos exagerados para aparecer mais que o artista principal, o “VS” pode salvar a banda no caso da falta não programada de algum músico. Além disso, caso o artista iniciante não consiga ainda fechar shows com cachês bons o suficiente para pagar uma quantidade ideal de músicos, o “VS” surge como a salvação da lavoura, permitindo que o artista execute um show completo sem ter que levar todos os músicos que ele gostaria. O “VS” também evita que ocorram erros de execução dos arranjos e harmonias numa canção por parte de algum músico desatento, afinal se já está gravado não pode sair errado.

“Ah, Marcão, mas isso aí desprestigia o músico e tira o emprego dele”. Não necessariamente, caros amigos. Não é porque é possível levar todos os instrumentos pré-gravados digitalmente num show que todos os artistas fazem isso. A essência do “ao vivo” ainda é o que faz um bom show. O “VS” é utilizado na maioria dos casos apenas como complemento e não como principal elemento de uma banda. Por conta disso, o que dá pra fazer ao vivo os artistas costumam fazer. Agora, imagina o cara gravando um CD com uma orquestra e levando todos os músicos pra os shows de estrada? Haja ônibus pra carregar tanta gente e caminhão pra carregar tanto instrumento.

O “VS” é uma artimanha utilizada para passar ao público uma impressão que não é de fato verdadeira. Mas nesse caso, creio ser totalmente positivo e aceitável. Um tipo de mentirinha que ajuda ao invés de atrapalhar. É como você dizer para o seu filho: “se vc ficar falando essa palavra feia – desgra… – ela vai aparecer pra você”. Você sabe que não é verdade, mas vai querer que seu filho fique falando palavrão a torto e a direito? É melhor fazer um show decente, ainda que para isso seja necessário o uso de um VS, do que um show vazio, sem graça, incompleto. Tudo bem que tem artista por aí levando até a própria voz gravada, mas aí já é uma outra história…

Obs.: Não sou técnico de som, apenas tentei explicar as características do “VS” da maneira mais simples possível.

9 comentários
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    Caramba… uma postagem de 2011, 5 anos atrás e isso já era um assunto “polêmico”. entrei nesse post justamente pra saber a origem da sigla “VS” gostei muito do texto, também penso dessa forma… dá para fazer um bom trabalho sem o VS, depende da dedicação de cada profissional, esse método seria para auxiliar uma estrutura que já está pronta. Brilhante cara.. parabéns.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.