08 out 2010 | Artigos
A hora e a vez do Sertanejo Pop

O texto a seguir, foi escrito por Timpin. Além de colaborador ocasional do Blognejo, Timpin é colunista do jornal O Liberal, de Belém do Pará, atualiza sazonalmente o site BiS MTV e toca o Cabaré do Timpin, seu blog pessoal. Timpin não tem Facebook, mas tem dois cachorrinhos chamados Victor & Léo.

Lembro-me como se fosse hoje a primeira vez que escutei o disco Curtição, da dupla João Bosco & Vinicius. O que eram aquelas músicas? Soava diferente de tudo o que eu já tinha escutado em termos de música sertaneja. Definitivamente não me sentia à vontade de chamar aquilo de sertanejo. Era moderno demais, dançante demais, simplesmente não conseguia rotular as músicas conforme as faixas iam sendo tocadas em meu player. Ao final do disco não sabia definir o que tinha escutado, mas sabia estar diante de algo novo, algo que sinalizava um futuro promissor para a música brasileira como um todo.

Na época eu escrevia uma coluna semanal no blog BiS MTV. O espanto com o disco foi tão grande que acabei por escrever um texto analizando e comentando cada faixa. Pois o tempo passou – e nesse meio tempo tivemos a explosão de Luan Santana – e eis que novamente me deparo com um disco com quase as mesmas características do Curtição. “Aí Já Era”, de Jorge & Mateus.

Em comum, os dois discos possuem a produção de Dudu Borges. Mas não é esse o ponto. A questão é que no período entre os dois lançamentos uma nova tendência parece estar se cristalizando e que na época do Curtição era o que me causava estranheza – a sonoridade pop.

A música sertaneja deu seu passo decisivo para se modernizar com o que começou se chamar “sertanejo universitário”. Foram alguns anos de muito oba oba, com muita dupla se chamando de universitária só para pegar carona na moda. Aliás, foram exatos cinco anos entre o lançamento do primeiro disco de João Bosco & Vinicius – considerado o marco zero do universtitário – e este novo de Jorge & Mateus. Cinco anos. O tempo médio de um curso universitário. Abusando da analogia, pode se dizer que a faculdade acabou e quem estudou direitinho está pronto para seguir carreira.

E quais foram os artistas que conseguiram seu diploma? Aqueles que nesse período desenvolveram um estilo próprio, uma sonoridade toda pessoal, que faz com que sejam reconhecidos numa primeira audição e que conquistaram seu séquito fiel de fãs.

Alguns seguem um caminho diferenciado, como o flerte com a MPB de nomes como Victor & Leo e Paula Fernandes. Temos o punk rústico de João Carreiro & Capataz. E outros ainda apostam na sonoridade dos anos 90, caso de Eduardo Costa, Léo Magalhães e o jovem Gusttavo Lima. Mas a quantidade de artistas que abraçaram a sonoridade pop é um sinal de que já temos o sussessor do   sertanejo universitário. Senhoras, senhores, rapazes e moçoilas, bem vindos ao Sertanejo Pop.

E ele chega em boa hora. Se é que um dia existiu, o pop nacional andava muito mal das pernas nos últimos anos. Antigamente tínhamos um Kid Abelha, um Lulu Santos, um Jota Quest. Só que esse povo paumolesceu, nunca mais lançou nada de empolgante. Ocorre que o consumo de música pop é quase uma necessidade biológica do público jovem. É como o marido que não dá no coro, a patroa vai buscar satisfação com terceiros. E a juventude brasileira achou sua música pop no sertanejo. Eis a explicação para o fenômeno Luan Santana.

Aqui eu reconheço claramente o que a intuição queria dizer com “futuro promissor para a música brasileira” como um todo, quando escutei o Curtição. A música pop brasileira nunca foi genuinamente nacional. Sempre bebeu fartamente da matriz do pop feito no primeiro mundo. O pop oferecido pela música sertaneja, por mais que contenha elementos externos em sua composição, parte de uma matriz genuinamente brasileira.

A paternidade do sertanejo pop é dupla, curiosamente fazendo jus à tradição: Dudu Borges e Sorocaba. O Dudu com seu trabalho com João Bosco & Vinicius, Michel Teló e Jorge e Mateus. Sorocaba com sua própria dupla com Sorocaba, mais a produção do CD e DVD do Luan Santana, mais suas promissoras apostas, Henrique & Diego e a jovem cantora Amannda.

Assim como aconteceu com o universitário, é bem provável que muita gente surfe na onda do pop. A música pop sempre foi um terreno fértil para inovações e experimentações. Muita coisa boa poderá surgir daí. Talvez a era de ouro da música sertaneja não tenha nem começado. O que é certo é que os velhos tempos não voltarão. O que aconteceu na segunda metade da última década não foi uma moda com prazo de validade. Foi uma fase de transição que precedeu o salto evolutivo que está ocorrendo. Quem viver, verá. Ou melhor, ouvirá.

48 comentários
  • Raymundo Mikolajczyk: (responder)
    14 de julho de 2013 às 16:34

    I just want to mention I am just very new to blogging and seriously liked you’re web blog. Likely I’m want to bookmark your site . You definitely have terrific articles. Many thanks for sharing with us your webpage.

Redes sociais
Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.