22 mai 2010 | Lançamentos
A MAJESTADE, A VIOLA – Texto de um violeiro

cesar-menotti

Enquanto me encontro impossibilitado de escrever textos mais aprofundados sobre a nossa música sertaneja, resolvi fazer um Ctrl+C Ctrl+V básico e trazer para vocês um belo texto de um grande violeiro da recente geração sertaneja. César Menotti postou em seu blog um relato sobre a relação que ele tem com a viola caipira, instrumento que ele idolatra. Ei-lo:

A Viola Caipira

A viola caipira fez história no Brasil.

Hoje existe uma infinidade de 
violeiros espalhados por esse Brasil afora, em sua maioria discípulos 
do saudoso Tião Carreiro.

Conheci a viola ainda criança, lá no 
Paraná. Já gostava do som, pois fui criado ouvindo moda de viola, 
influenciado pelo meu pai.

Quando digo moda de viola, é moda de viola 
mesmo, não é batidão, rancheira nem rasqueados, é moda de viola!

Afirmo isso pois muitas pessoas com pouco entendimento não podem ouvir 
uma canção soar um pouco mais caipira que já chamam de moda de 
viola, mas não é. Tem gente que chama até violão de viola!

Moda de 
viola que se preze é a viola ponteando, e as vozes fazendo dueto.

Mas, 
enfim, deixando minha indignações de lado voltemos ao assunto. Em toda 
minha infância sempre que ouvia alguém tocando um instrumento ao vivo 
eu me interessava. Se fosse viola então eu me interessava mais ainda.

Já havia tido alguns contatos superficiais com esse instrumento, já que 
alguns violeiros freqüentaram nossa casa, quando moramos em Minas e no 
Tocantins, como Dino Franco por exemplo. Mas o “inside” mesmo ocorreu 
anos depois, no Paraná. Em certa ocasião, em uma festa na fazenda do 
meu tio Sergio, alguns cantadores se reuniram, dentre eles uma tal Tião 
Rosa (achei esse nome bonito e nunca mais esqueci), e um violeiro 
chamado Nor.

O Nor era um cara muito simples, retraído, falava pouco e 
baixo, chegou na festa e ficou na dele sem se manifestar. Entre uma 
cantoria e outra os cantadores se revezavam nos instrumento, 
quando, de repente, a viola caipira, uma Del Vecchio antiga e com rabicho, cai 
na mão desse homem retraído de pouca fala! Meu Deus, que é isso! Realmente um homem com aquele talento não precisava falar muita coisa. 
Que som maravilhoso, que execução perfeita!

Naquela noite fui embora 
delirando, sonhando e tendo a convicção de que queria ser violeiro. 
Passaram-se os anos, muita água passou debaixo da ponte, e de repente 
me vejo em Belo Horizonte, cantando com meu irmão em alguns churrascos 
nas casas de amigos. Me lembro como se fosse hoje do primeiro churrasco 
que cantamos.

Dali a pouco começaram a surgir as oportunidades nos 
bares de BH. E nós, pra agradarmos o publico, começamos a usar menos a 
violinha e partir pra uma música sertaneja mais 
moderna, e foi aí que o violão entrou em minha vida.

Por necessidade me 
apliquei mais ao violão. Mas a violinha, que me fez chorar lá no Paraná, 
continua no meu coração. E tenho certeza que qualquer hora, quando as 
coisas se acalmarem, e eu conseguir sair um pouco dessa maratona da 
vida na qual eu me enfiei, eu vou conseguir voltar a pontear só a viola, 
acompanhado pelo meu irmão no violão e cantar as modas que gostamos. 
Não atingiremos um publico tão grande, mas estaremos felizes por 
saber que, a partir de então, realmente estaremos fazendo algo de valor 
pela música caipira.

“Caipira, semo porque semo, e também porque queremo!”

César Menotti

Ainda bem que alguns ainda valoriza esse sagrado instrumento. Leia o texto no blog do Cesinha clicando AQUI.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.