10 fev 2010 | Artigos,Lançamentos
A Música Sertaneja em seu estado mais puro

No último sábado, dia 6, o Bourbon Shopping na região da Pompéia, em São Paulo, estava lotado. Pessoas iam e vinham num caminhar apressado pelos corredores do elegante shopping. Pressa bem característica do povo paulistano. Gente que nem desconfiava que um momento histórico estava para acontecer, bem ali, no Teatro Bradesco.

O Teatro, uma casa acostumada a abrigar belas e requintadas apresentações, já estava quase cheio quando chegamos. Todos em seus lugares aguardavam ansiosos pelo início do espetáculo, que começou com meia hora de atraso. Por fim , com um jeitinho todo manso, adentraram o palco Sérgio Reis e Renato Teixeira, juntos.

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Num palco todo escuro, apenas iluminado por 4 holofotes, no centro duas cadeiras receberam nossos artistas. Mansamente os primeiros acordes deram o tom de como seria a apresentação. “Comitiva Esperança” sob fortes aplausos, seguida de “Amanheceu” e, logo depois, “Menino da Porteira”. Tudo muito perfeito, limpo e agradável aos ouvidos mais exigentes.

A partir de “Amora”, canção que mais parece uma prece, a gravação ganhou um novo ar. Uma impressão de que o DVD estava realmente começando ali. “Estrada do Canindé” animou o público e as canções estrategicamente escolhidas, alternavam composições de Renato e Serjão.

No início de “Frete”, um problema técnico os fez recomeçar a música. Para descontrair o público Renato assoviava cantos de pássaros, acompanhado por uma espécie de pífaro. O som, além do aspecto misterioso, deixava o velho compositor num tipo de transe.

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Do começo ao fim da gravação os tais problemas com o som perturbaram os artistas, mas nada que espantasse o bom humor dos músicos. Entre uma canção e outra, piadas e causos eram contados, como o dia em que Pena Branca recebeu o Grammy. Por mais de uma vez tanto Renato como Sérgio Reis lembraram emocionados de passagens em que estiveram ao lado dos irmãos Pena Branca & Xavantinho.

Os arranjos de “Trem do Pantanal” soaram como um delicioso convite para a platéia embarcar numa viajem pelo centro-oeste Brasileiro. Em “Companheiro Meu” outros grandes nomes foram lembrados: Almir Sater, Rolando Boldrim, Zé Geraldo, Tonico e Tinoco. Sérgio Reis fez questão de ressaltar que aquele trabalho era uma homenagem aos irmãos botucatuenses. Serjão contou que ainda guarda como recordação dos irmãos uma pequena viola, que fora autografada pela dupla há muito tempo, usando um prego para riscar a madeira. “Essa viola…”, disse Serjão, “…eu guardo com muito carinho até hoje”.

Tinoco, que estava na platéia, levantou-se e foi aplaudido por todo o teatro. O show prosseguiu com uma apresentação dos filhos dos protagonistas na canção “Amizade Sincera”. Durante a execução de “Filho Adotivo”, Marco, filho de Serjão, levantou-se do meio da platéia e surpreendeu os presentes num dueto com o pai.

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Um dos momentos altos da apresentação ficou por conta da música “Um Violeiro Toca”. A presença de Almir Sater era quase real. Impressionante como uma canção pode trazer tanto à lembrança uma imagem. Perguntado por que Almir não estava presente, Renato respondeu que chamava o pantaneiro para todo tipo de projeto, mas não obtinha retorno nunca.

“Tocando em Frente” provocou um coro no público. “Romaria” e “Preciso ir Embora” fecharam as apresentações com chave de ouro. Antes disso, um pouco mais cedo, Victor & Leo e Paula Fernandes chegaram a gravar suas participações, mas sem o público. “Vida Boa” e “Tristeza do Jeca” devem rechear os extras do DVD que reúne a nova e a velha geração dos “Folk-Pantaneiros”.

Quem esperava um trabalho tão bom quanto o DVD “Violas & Violeiros” vai se surprender. Esse trabalho foi mais. Arranjos perfeitos, cordas e metais imitando uma orquestra. O coro formado pelos rebentos de Sérgio e Renato davam um ar extremamente formal à apresentação. Um trabalho quase erudito, fino, puro, como um metal nobre.

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Sobre o cenário não há muito o que se falar. Essa é mais uma realização do mago da cenografia Zé Carratu. Seu estilo já é uma marca registrada e, apesar de simples, o cenário estava deveras interessante. Nada dos manjados painéis de LED. Apenas seis faixas verticais com florais decoravam o palco e uma cortina de fundo, lembrando uma colcha de fuxico. Danny Nolan e sua iluminação foram gratas surpresas. Colunas de luz atravessavam o teatro formando mosaicos coloridos e davam ares de show da Broadway à apresentação.

Renato Teixeira foi o grande maestro da noite, conduzindo com perfeição os músicos, os instrumentos e até mesmo a platéia. As reações inesperadas e participações dos espectadores eram sempre previstas por ele e aproveitadas ao máximo.

Com toda a produção realizada em torno desse trabalho, é natural que as expectativas sejam grandes. Perguntado se o dever estava cumprido, Renato Teixeira respondeu que agora vem a parte mais dificil, a aceitação do público. A julgar pelo que vi no último sábado, o trabalho é digno dos mais importantes prêmios, nacionais e internacionais. Grammy, Oscar e Emmy são poucos para tanta riqueza. E a aceitação do público, bem, é esperar para ver.

E fiquem ligados… ainda essa semana os vídeos que fizemos da gravação, com exclusividade.

4 comentários
  • Ayesha Kanahele: (responder)
    14 de julho de 2013 às 17:24

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.