07 abr 2009 | Reviews
As Galvão – Faz o povo balançar

As irmãs Galvão são na minha opinião duas das mais preciosas e importantes artistas sertanejas de todos os tempos. Considero o dueto vocal das duas algo extremamente magnífico. Sempre achei genial o modo como as duas cantam e colocam a primeira voz em total harmonia com a segunda. Sempre gostei de ouví-las cantando o estilo raiz, cuja bandeira elas sempre defenderam. Não me lembro de vê-las se aventurando em um disco “comercial”. Parece, no entanto, que esse dia chegou. E será que valeu?

O disco traz 14 canções inéditas, algumas delas versões. Em todo o disco, apenas duas ou três músicas que remetem ao estilo outrora brilhantemente ilustrado pelo dueto d’As Galvão. No restante do repertório uma tentativa, sinto dizer isso, desastrada de se tornar comercial.

Primeiramente, falemos das poucas boas canções do disco. A melhor, disparada, é a música “Ex-prisioneira”, com a participação (e provável composição) do sempre brilhante Moacyr Franco. Além dessa canção, o disco traz ainda uma ou duas belas faixas como “Quando a noite vira dia” e “Festa da Catira”. E é só, infelizmente.

Em todo o restante do disco, versos estranhos, em nada comparáveis às canções dos velhos tempos das irmãs, como “Eu sinto que chegou a hora de uma decisão…” e outros do gênero. No lugar deles, versos como “…balança tudo que tiver pra balançar ba ba ba ba balança tudo…”. Isso mesmo: BA BA BA BA. Ou ainda “…brincando feito um bichinho, vocé é meu Superman…”. Isso mesmo: SUPERMAN.

Alguns artistas da velha guarda entendem que chega um certo momento da carreira em que é necessário migrar para um segmento, digamos, “cult” da música sertaneja. O mais recente exemplo dessa migração é o de Zé do Rancho (review AQUI), que soube com perfeição passar por esse processo, claro que com uma ajudazinha do genro Xororó.

Talvez tenha faltado às Galvão um Xororó, isto é, alguém que soubesse encaixá-las nesse formato cult. O maestro Mário Campanha, apesar de excelente arranjador e produtor, não é o que se pode chamar de um produtor antenado com o mercado. Ele é, por natureza, um produtor “cult” da música sertaneja. Provavelmente ele seria perfeito na produção de um álbum nesse formato, mas para um álbum comercial não se deu muito bem. Alguns belos arranjos de flauta e tal, mas o repertório definitivamente foi desastroso. Pra se ter uma idéia, as irmãs gravaram até um samba (Nosso barco), com uma letra incrivelmente medíocre.

Como eu disse, a interpretação das duas deixou muito a desejar pelo fato evidente de elas não se sentirem à vontade nesse disco. A frase que me veio a cabeça ao ouvir esse disco é: por que? Todos sabemos que As Galvão são respeitadíssimas. Eu mesmo sou um graaaaande admirador do trabalho das duas. Uma das duplas mais antigas da história, aliás. Pra que então arriscar esse prestígio com um álbum tão inferior?

Fiquem com receio até de escrever esse review, porque sei que muita gente vai dizer que eu não valorizo as raízes da música sertaneja, que eu não respeito artistas da velha guarda, fora aqueles que dirão pra eu me tratar, que sou invejoso e tudo mais. Mas o fato é que esse não é um disco d’As galvão. Elas correram um risco desnecessário tentando fazer um álbum comercial, que acabou não atiningindo o objetivo. É provável que esse disco fique esquecido nas prateleiras e nos ouvidos dos admiradores da dupla. Que venha o próximo disco delas, porque essas não são As Galvão que o Brasil conheceu e consagrou durante os últimos 50 anos.

Nota: 5,0

10 comentários
  • Wiley Schlender: (responder)
    14 de julho de 2013 às 15:18

    I just want to say I am beginner to blogging and site-building and truly liked your web blog. Probably I’m want to bookmark your blog post . You really have tremendous article content. Thanks a lot for sharing with us your website page.

  • Sang Wolden: (responder)
    17 de julho de 2013 às 08:52

    Between me and my husband we’ve owned more MP3 players over the years than I can count, including Sansas, iRivers, iPods (classic & touch), the Ibiza Rhapsody, etc. But, the last few years I’ve settled down to one line of players. Why? Because I was happy to discover how well-designed and fun to use the underappreciated (and widely mocked) Zunes are.

  • you can look here: (responder)
    18 de julho de 2013 às 02:56

    Thanks for sharing your ideas. The first thing is that students have a choice between federal government student loan and a private student loan where it is easier to choose student loan debt consolidation reduction than over the federal education loan.

Redes sociais
Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.