16 jun 2010 | Lançamentos
Blognejo, um ano depois

Pra começar, vejam só como anda a cabeça deste pobre coitado aqui. No dia 03/06, foi aniversário da inauguração do Blognejo. Um ano desde que deixamos o Blog No Embalo e inauguramos o domínio próprio. E sabem da maior? Eu simplesmente esqueci. O bom é que lembrei a tempo. Er, 13 dias depois ainda é tempo, né? E um ano depois da inauguração do nosso domínio próprio, nada mais natural e previsível que um texto com o balanço geral desse primeiro ano de “independência”.

Antes que me acusem de certas coisas, quero só deixar bem claro que, infelizmente, os fatos narrados abaixo fazem parte da história do Blognejo e, por isso, devem ser abordados num texto sobre o nosso primeiro ano de independência. Se eu não falasse sobre tais coisas, seria como falar da história do Brasil sem mencionar o período da ditadura militar, talvez o período mais obscuro da história nacional.

Nos dois primeiros meses de Blognejo, o comum era aquela sensação de êxtase. “Oba, tá tudo muito bom, tá tudo muito bem”. Afinal, vínhamos de um blog que já gozava de um certo prestígio. Até que aconteceu o primeiro grande baque. Baque esse no formato de trairagem da grossa, e que abalou bastante minha confiança numa continuidade. Por um bom tempo acabei me desviando do foco do Blognejo para me lamentar exageradamente por algo que meu excesso de confiança nas pessoas contribuiu para que acontecesse. Até hoje, aliás, me lamento pelo ocorrido e costumo até irritar pessoas com minha atitude negativa e reclamações excessivas sobre o fato e suas respectivas consequências. O fato é que as pessoas que dizem “esqueça isso” não viveram o que vivi. Uma das maiores verdades da humanidade é: quem bate não lembra, quem apanha nunca esquece. Eu sabia que precisava me reerguer, mas era muito mais difícil do que parecia.

De certa forma, essa minha postura de reclamação e de “por que, meu Deus, por que” me atrasou alguns meses. Deixei de ser aquele cara cheio de fazer graça que eu era antes para me tornar, num primeiro momento, mais sério e compenetrado (sem duplo sentido, hehehe). Com o passar dos meses, no entanto, fui me reerguendo do golpe sofrido e aos poucos fui retomando o ritmo do Blognejo. É claaaro que aquele Marcus de antes não mais voltaria. Mesmo que nada tivesse acontecido, o tempo se encarrega de amadurecer as pessoas. Claro, também, que eu não seria muito parecido com essa pessoa que sou hoje se as coisas tivessem acontecido de uma forma diferente. Mas também não seria igual àquele Marcus de um ano atrás.

Essa postura mais responsável, mais consciente, ficou evidente nos textos apresentados. Fui deixando de lado as postagens sem muita importância, como vídeos, notícias bobinhas e tudo mais, e fui me focando mais em textos analíticos. Não só textos sobre novos discos, mas também sobre peculiaridades do segmento sertanejo. Vídeos feitos por mim, só mesmo entrevistas e, de preferência, com o melhor conteúdo possível. De perguntas idiotas para artistas, a imprensa já está lotada.

Essa postura mais, digamos, consciente e séria do Blognejo passou a despertar o interesse de mais e mais gente. Principalmente na galera do segmento. Durante as recentes aventuras do Blognejo nos bastidores dos shows e estúdios, ouvi frases como:

– Cara, o Blognejo está há pelo menos 4 meses sendo referência total.

– Todo mundo lê o Blognejo, impressionante.

– Você é formador de opinião, cara.

– O pessoal (profissionais do segmento) acorda e já vai para a Internet saber o que você escreveu.

– Os caras ficam desesperados com o que você escreve.

– Ficam perguntando que nota você deu para Fulano e Beltrano.

E a mais instigante:

– Cara, você comanda o site sertanejo mais respeitado do segmento hoje.

Não quero entrar no mérito de quem é melhor que quem. Estou só reproduzindo aqui algumas das frases que ouvi. Não sei nem se é verdade ou se foi apenas uma amaciada no meu ego visando evitar possíveis futuras críticas. Mas é inegável que isso definitivamente me deu um novo ânimo. Se eu já estava me reerguendo de um baque sofrido há quase um ano, frases como essas obviamente consolidaram minha recuperação.

O prestígio do Blognejo, aliás, já estava refletido nas cobranças diárias que eu sofria dos leitores. “Marcão, cadê os textos?”, “Marcão, fala sobre tal coisa”, “Marcão, larga de preguiça e escreve, porra”. Ora, sou um funcionário público em horário comercial e músico em horário noturno que ainda encontra tempo para se dedicar a um blog sertanejo pelo qual não recebe absolutamente nada e que ainda tem uma esposa bem exigente com relação à atenção. Como conciliar tanta coisa?

Acontece que o Blognejo tem, desde sempre, parceiros que passam pelos mesmos perrengues que eu. Um deles, talvez o mais antigo parceiro do Blognejo, também se desdobra entre faculdade, trabalho e família. E ainda mantinha um outro blog, que aliás foi criado após um longo período de visitas e comentários aqui no Blognejo, ainda na época do No Embalo. Fábio Dornelles mantinha o Território Sertanejo e, graças a Deus, aceitou meu convite e se uniu ao Blognejo, que passou a contar com dois co-administradores. Com o tempo, a gente foi ganhando mais ajuda. Primeiro o Tim Pin, colunista da MTV e defensor do que ele mesmo chama de MOB, a música original brasileira (que conta também com a música sertaneja). Depois, a Giza, leitora do Blognejo com o dom da palavra, o que podia ser percebido em seus belos poemas. Mais tarde, a Angell Lima, repórter atuante, escritora incrível e defensora do que de melhor a música sertaneja tem.

5 pessoas obviamente pensam melhor que apenas uma. O problema é que a correria do dia a dia fez com que o Blognejo voltasse praticamente a contar apenas com aquele com cujo nome estava inevitavelmente vinculado. Eu comecei o Blognejo e, em períodos de turbulência como esse que já perdura por quase dois meses, sou eu quem deve tocar o barco. Todos os colaboradores enfrentam problemas no dia a dia, assim como eu. Isso, aliás, já foi explicado num texto recente. No entanto, sou eu quem deve assumir a responsabilidade, já que o Blognejo não pode, simplesmente, parar de receber atualizações.

E cá estamos. Um ano depois. O reconhecimento, coisa que muita gente até bem pouco tempo me acusava de querer desesperadamente, finalmente chegou. Os profissionais do segmento levam a sério o que escrevo e, aliás, defendem minha postura de falar “a verdade”, conforme eles mesmos costumam dizer. E o mais interessante nesse fato é que sempre escrevi textos para o público e não para os profissionais da área. O fato de eles gostarem só comprova que estamos no caminho certo desde o começo.

Como eu sempre costumo dizer, somos um espaço em constante transformação. Não achei ainda o ponto X no formato do Blognejo. E se Deus quiser nunca vou achar. É um blog que se adapta ao que eu percebo que o público quer e precisa ler. Se eu dissesse agora para vocês que o Blognejo é um site que segue um formato definido, eu estaria sendo no mínimo pretensioso. O fato é que, um ano depois da inauguração, posso dizer que temos refletido bem o que se passa no atual momento da música sertaneja. Reconhecimento? Temos. Público? Temos. Vontade de continuar fazendo dar certo? Temos. Consciência de que sempre podemos melhorar? Temos. O que falta então? Só mesmo o tempo livre para me dedicar ao Blognejo da forma que os leitores e os profissionais do segmento exigem.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.