29 ago 2011 | Artigos,Notícias
CAMARU 2011 e a agonia das festas com hora pra acabar

Começou o CAMARU, tradicional feira agropecuária da cidade de Uberlândia – MG. Depois que a rádio Paranaíba FM assumiu a organização da festa desde o ano passado, a agenda de shows voltou a remeter aos tempos áureos desta que já foi a principal festa da região antes de existirem Caldas Country, Triângulo Music e uma série de eventos que sem dúvida já superam o CAMARU em importância. Num exemplo histórico, Bruno & Marrone puseram 100 mil pessoas no recinto de shows nos melhores anos da festa. Por força da necessidade, o local de shows agora abarca “apenas” 20 mil pessoas. Mesmo porque a festa já não andava atraindo tanta gente como antigamente. Bom, isso até a agenda começar a ficar novamente lotada de grandes estrelas.

Acontece que o CAMARU passa por um problema similar ao de algumas outras grandes festas ao redor do Brasil: vizinhos. Não sei em outros lugares, mas aqui em Uberlândia a lei do silêncio é severa. Quem quiser descansar tem DE FATO esse direito protegido pela lei e, consequentemente, assegurado pela polícia. De alguma forma, conseguiram que o Ministério Público barrasse a execução dos shows após a meia -noite. E essa decisão já perdura por uns dois ou três anos. Não interessa se a festa movimenta a economia, gera milhares de empregos diretos e indiretos e dura apenas uma semana, ficando outras 50 semanas do ano livres para o descanso da vizinhaça. O fato é que se um vizinho reclamar e se o juiz for mais solidário ao pobre homem que precisa acordar às 06:00 da manhã para trabalhar do que às centenas de pais de família que precisam da festa para prover o seu sustento, aí f*deu.

Agora eu pergunto: aonde já se viu um show acabar meia-noite? Desde que eu passei a conviver de forma um pouco mais próxima com esse tipo de evento, os shows sempre começaram depois das 23:00 hs. Em boates, então, nem se fala. Aqui em Uberlândia, inclusive, os horários sempre foram esses, em praticamente todo tipo de evento que se realizasse. Consequentemente, o público se acostumou a esse tipo de horário. Agora, como tirar de casa antes das 20:00 hs um público que está acostumado a sair depois das 22:00 hs?

Bom, essa era uma das reclamações iniciais a respeito do CAMARU. Mas aparentemente, depois de 3 anos dessa mesma história, o público passou a entender que os shows não começarão mais atrasados, que o horário deve ser cumprido e que aquela história de ficar até as 02:00 da manhã esperando o começo de um show ficaram no passado. Mas aí surge o segundo problema: e quando forem dois ou três shows em uma mesma noite?

Este ano, praticamente todos os dias de CAMARU são com duas ou três grandes atrações. Começou no sábado, com Chrystian & Ralf e Marco & Mário. Infelizmente eu perdi, por conta de compromissos profissionais com a minha dupla e tal. Ontem, no entanto, eu pude acompanhar o evento em sua totalidade. E eram nada menos que 3 shows em uma mesma noite: Fernando & Sorocaba, Bruno & Marrone e Marcos & Belutti. E não adianta. Não há força oculta no mundo capaz de permitir a realização de 3 grandes shows completos no período da noite com horário marcado para a meia-noite em ponto. Nisso, começam os estresses e os remanejamentos.

É engraçado observar e testemunhar a pilha de nervos em que se transformam os profissionais envolvidos com esse tipo de evento tendo que lidar com o ego das equipes de produção dos artistas, que acabam sempre querendo ter uma preferência no horário em detrimento do artista menor, com o desespero das fãs e de mais algumas pessoas querendo ser atendidas antes do show sendo que o horário já está atrasado, com o “som silencioso” da multa e da “comida de rabo” do promotor caso o horário ultrapasse o permitido, etc, etc, etc. Enfim, os problemas parece que se acumulam. A sorte é que de vez em quando (dependendo da quantidade de pessoas na festa – ontem eram 25 mil) o promotor se solidariza e libera mais uma horinha. E é evidente o esforço que os pobres coitados organizadores fazem para que tudo corra às mil maravilhas. Pena que não depende só deles.

Os shows acabam tendo que ser encurtados, o que na verdade passa despercebido aos olhos do público. Por conta do tempo, acaba sendo possível a realização de shows de apenas uma hora e meia cada. Acontece que mesmo com dois palcos, os artistas sempre se atrasam. Os shows quase nunca começam no horário programado. Ontem, ainda por cima, inventaram uma tal de uma gravação de um filme durante a festa (com o Murilo Rosa interpretando um cantor sertanejo de sucesso que reencontra o pai Lima Duarte no hotel Barreiro, em Araxá, a fim de restabelecer os laços perdidos com o tempo – ontem era a cena do show em Uberlândia antes do encontro).

No fim, o saldo acaba sendo positivo. Os shows de ontem, por exemplo, duraram todos mais de uma hora cada, o que parece pouco, mas levando em conta que são três numa mesma noite acaba sendo muito. O público saiu satisfeito. A festa continua e ao que tudo indica a terça-feira tem tudo para explodir de gente, afinal é véspera de feriado na cidade com show dupla de Victor & Leo e Paula Fernandes. Aí começa de novo a correria, o estresse, o promotor com a caneta na mão, os artistas dando de ombros para o horário e etc, etc, etc, etc, etc. Pensa…

12 comentários
  • Paulo: (responder)
    11 de janeiro de 2012 às 22:51

    Em um estado de direito, o próprio nome diz…todos tem direitos; imagina um recem nascido perto de um bar agitado, ou uma pessoa enferma com doença cronica, ou um trabalhador que inicia sua rotina as 6:00 am. Eles também tem direitos. As regras de horários não apenas propiciam melhor convivência entre grandes festas e a comunidade, mas coibem a violência… por conta do horário não só fisica, mas no transito também. Acredito que a bebida também deveria ser controlada. Se pegarmos os indices de violência e acidentes de transito com vitimas fatais, eles são maiores na época do CAMARU, contudo isso não é amplamente divulgado na mídia. Acredito que deveriamos ter mais estudos nessa área para poder emitir opiniões mais elaboradas. Cidadania, democracia e menos demagogia é isso que nos falta.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.