19 nov 2010 | Artigos
Copacabana Discos – O auge e fim da gravadora mais sertaneja da história

Nessa onda de “novo sertanejo”, pirataria e downloads, muita gente desconhece a história de uma das mais importantes gravadoras para a música sertaneja, a Copacabana Discos. Com a ajuda de um amigo pesquisei um pouco, e trago essa interessante história para vocês. Graças a Deus temos no blog leitores com altíssimo nível de conhecimento, então se alguma coisa não coincidir, por favor, me corrijam via comentários.

Fundada em 1948, no Rio de Janeiro, a gravadora transferiu-se para São Bernardo do Campo/SP na década seguinte, instalando-se no bairro Taboão, sua logomarca era uma borboleta azul estilizada. Na cidade paulista, a empresa produzia e prensava os discos de vinil e as fitas cassetes, gerando centenas de empregos. Em seu ápice (nos anos 70 e 80), chegou a ter mais de mil funcionários. A Copacabana era uma “fábrica” de cultura e uma das maiores gravadoras do Brasil, responsável por revelar artistas como Paulo Sérgio, Maysa, Trio Parada Dura, Chitãozinho & Xororó e Zezé Di Camargo & Luciano, além de ter em seu elenco nomes como Raul Seixas, Agnaldo Rayol, Angela Maria e Waldick Soriano.

Segundo Adiel Macedo de Carvalho, presidente da gravadora na época, o “atrevimento” era marca registrada da Copacabana. “Investíamos, mas nem sabíamos se o disco iria fazer sucesso. A Copacabana foi pura ousadia empresarial, em uma época diferente onde tudo era caro. Hoje as gravadoras contratam artistas que já são conhecidos, mesmo que regionalmente, naquela época contratávamos sem ninguém conhecer.”

Depois do estrondoso sucesso de “Fio de Cabelo” de Chitãozinho & Xororó em 1982, as portas se abriram de vez para as duplas sertanejas e a gravadora passou a investir pesado no segmento. Nesse período, a Copacabana incorporou a seu “casting” outros nomes sertanejos como João Mineiro & Marciano, Gilberto & Gilmar e Trio Parada Dura e estes artistas se tornaram os recordistas de venda da empresa.  No final dos anos 1980, Chitãozinho & Xororó e João Mineiro & Marciano foram contratados pela multinacional Polygram que, até entao não contava com sertanejos em seu quadro. Nesse meio tempo, outros grandes cantores começaram a se desligar da  Copacabana, alguns por estarem se separando e outros por estarem encerrando suas carreiras.

A história de Zezé Di Camargo & Luciano na Copacabana começou, quando a gravadora passou a procurar nesta mesma época (inicio dos anos 90), novos talentos para não perder a a hegemonia que tinha no mercado. Contrataram então Alan & Aladim, que logo de cara explodiram com o hit “Liguei Pra Dizer Que Te Amo”, porém o sucesso não foi o mesmo nos LP´s seguintes. Vieram então outras quatro duplas, entre elas Zezé Di Camargo & Luciano e Guto & Halley  (dupla que tinha o mesmo timbre de Chitãozinho e Xororó). Guto & Halley até fizeram algum sucesso em parcerias com Nelson Ned, mas não venderam o que a gravadora queria e perderam o contrato. E em um momento ruim da gravadora  Zezé Di Camargo & Luciano estouraram com “É o Amor”.

No filme “2 Filhos de Francisco”, existe uma cena onde um produtor diz a Zezé que a dupla é boa, mas falta um sucesso, que o disco está fraquinho. Na verdade não era um produtor, era Adiel Macedo, dono da gravadora que temia que Zezé Di Camargo & Luciano repetissem o fracasso das duplas anteriores e acabassem rápido. A explosão de “É o Amor” fez com que a gravadora colocasse o disco nas lojas e com o sucesso recuperasse seus investimentos anteriores. Depois do bem-sucedido primeiro disco de Zezé & Luciano,  a Copacabana não perdeu tempo e correu para planejar uma grande ação de marketing para o lançamento do segundo LP. A espectativa de fãs e crítica era grande, seria o segundo trabalho tão bom quanto o primeiro? Zezé aproveitando sua ótima fase de composições escolheu “Coração está em Pedaços” para ser a música de trabalho desse novo LP. O sucesso foi tão grande que a gravadora precisou terceirizar o serviço de prensagem para atender a demanda.

Mas nem todo o sucesso de Zezé Di Camargo & Luciano fez com que a Copacabana continuasse no mercado. Pouco tempo depois a dupla foi contratada pela Columbia (Sony Music/CBS) que nao tinha sertanejos em seu casting, mas contava com Roberto Carlos. Com uma gravadora forte e boa visibilidade nacional e internacional, a dupla só cresceu e se tornou uma das maiores do Brasil.  Todo o acervo da Copacabana foi comprado pela gravadora EMI Odeon, menos o de Zezé Di Camargo & Luciano, que foi comprado pela Sony. Em posse dos direitos, a Sony Music  relançou os dois primeiros álbuns em CD, e com isso conseguiu um grande retorno.

Na metade da década de 1990, outros artistas foram repassados á gravadoras internacionais e o catálogo da Copacabana Discos foi vendido.  As atividades do selo brasileiro foram encerradas devido à grande concorrência com as gravadoras estrangeiras e ao aumento da pirataria de discos e fitas cassete pelo mundo. Curiosamente, em uma entrevista ao jornal Diário Popular em 1979, Adiel Macedo de Carvalho previa que em toda a esfera musical haveria uma drástica mudança, com o advento dos computadores.

Em entrevista ao jornal ABCD Maior, em 1997, os moradores da rua Eugênia de Sá Vitale, no Bairro do Taboão, dizem que têm saudades dos tempos da Copacabana. O aposentado Pedro Alcântara Carreto é um deles. Ele se lembra quando a gravadora chegou ao local, o bairro ainda tinha poucos moradores: “O comércio era sustentado praticamente pelos funcionários da gravadora”, recorda o aposentado. Mas o que marcou Carreto foi o lançamento dos primeiros discos de Chitãozinho & Xororó, Roberta Miranda e Raul Seixas. “Cheguei a vê-los algumas vezes em uma padaria próxima à gravadora”, recorda.

Na época de ouro da gravadora, outros artistas sertanejos fizeram parte de seu elenco: Liu & Léu, Tonico & Tinoco, Teodoro & Sampaio e As Marcianas.

21 comentários
  • Marcelo de Carvalho: (responder)
    17 de julho de 2012 às 05:22

    Sou neto do Adiel Macedo de Carvalho, dono da Copacabana.
    À todos os fãs, ex-funcionarios e artistas peço que curtam a pagina da gravadora no facebook. Lá podemos trocar ideias, materiais e até curiosidades !!!

    https://www.facebook.com/pages/Discos-Copacabana/183428861680612

    • maurilio ribeiro de lima: (responder)
      11 de março de 2013 às 22:57

      Por favor me ajuda, estou precisando que a copacabana me forneça um documento, que se chama PPP para fim de aposentadoria ou me endique onde pegar,Entrada 25/08/86 á 25/08/88 fico totalmente agradecido obrigago abraço.

  • Marcelo de Carvalho: (responder)
    17 de julho de 2012 às 05:24

    À todos os fãs, ex-funcionarios, artistas e admiradores peço que curtam a página da Copacabana no facebook, lá são divulgadas fotos, videos, fatos sobre a gravadora.

    https://www.facebook.com/pages/Discos-Copacabana/183428861680612

  • Marcelo de Carvalho: (responder)
    17 de julho de 2012 às 05:25

    À todos os fãs, ex-funcionarios, artistas e admiradores peço que curtam a página da Copacabana no facebook, lá são divulgadas fotos, videos, fatos sobre a gravadora.

  • Cassio: (responder)
    14 de janeiro de 2013 às 19:57

    Parabéns pela matéria. Mas como sempre, venho aqui corrigi-lo em alguns aspectos:
    1 – João mineiro & Marciano já eram desde o início da carreira da Copacabana, já o Trio Parada Dura foram revelados pela Chororó discos, um selo da Copacabana, assim como Chitãozinho & Xororó foram revelados também pela Chororó discos, passando também pela pela AMC discos – até chegar em 1980 a Copacabana.
    3 – Só uma ressalva, a concorrente direta e principal da Copacabana Discos era a Chantecler, que no começo era um gravadora própria, mas depois foi incorporada a Continental discos passando a ser um selo da mesma. Outras que foram concorrentes da Copacabana no sertanejo eram: 3M/Terra Nova (1986), RCA (Selo veleiro), M&M Gravações, Philips (principalmente na década de 60), e entre outras tantas.

  • ormindo de f ferreira: (responder)
    8 de maio de 2013 às 15:32

    trabalhei na gravadora de 75 a 78 no dpto de artes, com adilson machado Morris Albert que ainda era mauricio alberto Paulo Rocco e Rosvaldo, bvons tempos…

  • Reynalda Beringer: (responder)
    14 de julho de 2013 às 20:30

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  • Marta lucia quiroz gozaga: (responder)
    21 de agosto de 2014 às 12:34

    Sou filha de um funcionario na epoca do alge da copacabana meu pai era compositor antonio gonzaga como era gostoso participa das festas era criancas. Me lembro adiel macedo feliz com as festas de fim de anao em sao paulo para todos funcionarios iamos todos do rio felizes la em casa tinhamos que estudar ter notas boas para no fim de ano papai nos levar meu pai trabalhava na sede da avenida rio branco 43. 9. Andar. Aqui no rio papai alem de compositor. Era divulgador levava os artistas pros programas e. Tv. Hoje eu e meu marido compramos uma parte de uma sociedade. Da emais tv Que me traz muita lembrancas do meu pai trabalhando na quela epoca

  • Andréa zacarias: (responder)
    15 de abril de 2015 às 18:26

    Sou filha de Antonio jorge zacarias,o joão da praia gostaria de saber a discografia do joão da praia na copacabana.

  • Jacinto Leite Aquino Rego: (responder)
    15 de maio de 2015 às 11:12

    OLÁ, EU SOU FILHO DO MEU PAI E EU QUERIA DIZER QUE ESTA GRAVADORA FAZ MUITA FALTA, ONDE ESTÃO OS DONOS DA EMPRESA QUE NÃO RELANÇAM UMA GRAVADORA CHARMOSA COMO ERA ESTA? EU TINHA UM DISCO DA COPACABANA QUE EU ADORAVA, ELE ERA DE PLÁSTICO E TINHA UM FURINHO NO MEIO E ERA CHEIO DE MÚSICAS, ERA MUITO BOM. TEMPO BOM QUE NÃO VOLTA MAIS. EU GOSTAVA DAQUELA DUPLA DE CANTORES QUE CANTAVAM AQUELA MÚSICA QUE EU NÃO LEMBRO O NOME, MAS FAZIA ASSIM “LÁ-LÁLÁÁÁÁÁ-LÁ-LÁ-LÁRÁ”… ERA MAIS OU MENOS ASSIM, TCHAU

  • Jacinto Leite Aquino Rego: (responder)
    15 de maio de 2015 às 11:16

    ESQUECI DE FALAR, TAMBÉM TINHA O LP DAQUELA CANTORA GOSTOSA NA CAPA, QUE EU ADORAVA LEVAR PARA O BANHEIRO E FICAR OLHANDO. AH, QUANTAS PUNHETAS GOSTOSAS EU BATI OLHANDO AQUELA CAPA DE DISCO, QUE SAUDADE DA MINHA JUVENTUDE, MEU DEUS. TCHAU

  • Alexandre Andrade: (responder)
    5 de julho de 2015 às 11:10

    Meu pai trabalhou na gravadora no início dos anos 60 no Rio e foi com a fábrica para São Bernardo do Campo. Portanto, a transferência ocorreu depois de 64 ou estou falando de outra gravadora.

  • Jalon Neto: (responder)
    8 de dezembro de 2015 às 21:07

    A Copacabana faz parte da minha vida, como nordestino cresci ouvindo disco dela. O grande Trio Nordestino, Luiz Gonzaga gravou seus últimos discos pela Copacabana e o meu amigo e conterrâneo Sandro Becker que gravou 12 LPs e ganhou discos de ouro com o sucesso Julieta. E tantos outros, Genival Lacerda, Zenilton e não podemos esquecer de Benito di Paula que lançou boa parte de seus discos na Copacabana.

  • adiel macedo: (responder)
    13 de dezembro de 2015 às 13:10

    Sou eu Adiel, a gravadora faliu porque eu fui ingerente, onde ja se viu eu aqui no céu paro e faço um momento de reflexão. onde daria certo uma gravadora, que só tinha bostas sertanejas, cadê os artistas ecléticos. foco, fé e determinação não eram para essa gravadora… que pena, to chorando aqui…

  • WANDERLEI ALVES DA CUNHA: (responder)
    21 de novembro de 2016 às 17:36

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  • WANDERLEI ALVES DA CUNHA: (responder)
    21 de novembro de 2016 às 17:49

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.