25 abr 2013 | Notícias
Depois do Arrocha, a Bachata?

Era previsto desde o começo que o arrocha não predominaria para todo o sempre dentro do segmento sertanejo. Um dia as pessoas irão realmente ficar de saco cheio de tanta repetição de ritmo e melodia, e muitas vezes dos temas das músicas. O ritmo ainda predomina atualmente, sim, mas alguns artistas já começam a se preocupar com o que fazer depois do período pós-arrocha que se aproxima. Nada mais natural, haja vista que a música sertaneja por si só já é mutante, alterando-se de acordo com as tendências de cada época.

Dado esse caráter mutante da música sertaneja, já começa a ocorrer uma sutil movimentação no sentido de buscar algum novo ritmo do qual se possa extrair influências. E ao contrário do baixo nível do controle seletivo de influências das temporadas mais recentes, a idéia agora parece ser buscar um pouco mais de influências positivas para tentar diminuir o impacto das recentes influências negativas, como a “putaria” (na falta de uma palavra melhor) do funk.

As conversas de bastidores e alguns lançamentos recentes têm indicado que o próximo segmento musical a influenciar a música sertaneja é a Bachata. Oriunda da República Dominicana, a bachata é tida como precursora do arrocha, talvez pela levada semelhante. Na verdade, são três estilos que acabam se confundindo às vezes: o bolero, a bachata e o arrocha, sendo o bolero o mais lento e o arrocha o mais acelerado dos três.

A busca dos sertanejos pela bachata como nova fonte de influências vai de encontro justamente a essa busca por um estilo menos agressivo. O arrocha, por exemplo, foi adaptado ao sertanejo mas acabou ganhando certos elementos que o transformaram num estilo musical geralmente atrelado a temas tidos como menos inteligentes e muitas vezes à pornografia e outros fatores nocivos. Tanto que hoje em dia o arrocha é tratado até com certo preconceito por uma parcela do público e dos artistas. Mesmo assim, a maioria continua gravando por entender a necessidade comercial do gênero.

A bachata tem sido encarada como um estilo mais saudável talvez por causa dos temas românticos das grandes bachatas históricas. Um bom exemplo de bachata clássica é a música “Burbujas de Amor”, do Juan Luiz Guerra, que vocês conhecem pela versão gravada pelo Fagner “Borbulhas de amor”. Vejam abaixo:

O gênero faz um sucesso gigantesco em toda a América Latina e junto aos imigrantes latinos que moram nos EUA. Por isso, desperta a atenção inclusive de artistas consagrados de lá, como o cantor Usher, responsável pelo sucesso do Justin Bieber, só pra citar um exemplo. Ele participou tempos atrás de uma bachata gravada pelo cantor Romeo Santos. Vejam o clipe logo abaixo:

O grupo Aventura é um dos grandes nomes da Bachata. Dá só uma olhada no tantinho de gente neste vídeo dos caras:

Não é preciso ser um expert em espanhol pra entender a linha dos temas das bachatas. A idéia é falar de amor, de sofrimento, de romantismo. Em teoria, não há na bachata espaço para temas nocivos. E é por isso que ela tem sido usada como base em algumas músicas sertanejas recentes principalmente por artistas que querem fugir da mesmice de mercado.

Mas Marcão, quem é que tá gravando bachata que até agora eu não ouvi“? Como eu disse, o gênero ainda é uma tendência. Tem encontrado alguns poucos adeptos, mas aparentemente pode crescer bastante nas próximas temporadas. A dupla Israel & Rodolffo, por exemplo, está atualmente trabalhando uma bachata, intitulada “Quem vai chorar não sou eu”. A música já apresenta vários fatores que demonstram a adaptação do gênero ao sertanejo ao invés da simples utilização dos elementos originais. Vejam abaixo:

Outra dupla que vai começar em breve a trabalhar uma bachata e inclusive gravou um videoclipe da música, que será lançado em breve, é Fred & Gustavo, com a canção “Jejum de Amor”. No caso deles, a bachata foi preservada em quase todos os seus elementos mais intrínsecos. Ouçam no player abaixo:

Também já deu pra perceber que a bachata tem alguns elementos indispensáveis. A guitarra, por exemplo, com um timbre como o dessa canção “Jejum de amor”, de preferência, é talvez o mais notável, além dos bongôs ou congas. Quase que dá pra dizer que bachata sem guitarra e bongô não é bachata. E é nesse ponto que algumas tentativas recentes de reproduzir a bachata no sertanejo têm tropeçado. Como é muito fácil confundir bachata com bolero, alguns artistas têm errado na hora de gravar músicas nesse estilo. Aliás, não sei se “errar” é a palavra certa, já que pode até ser intencional. Mas o fato é que a bachata pede certos elementos que não dá pra ignorar. Assim como vaneira sem sanfona. Algumas até dão certo, mas são casos raríssimos.

Pelo que observei durante a breve pesquisa para este texto, a bachata também tem seu lado um pouco mais caliente e menos romântico. Assim como fazem no Brasil, pras bandas de lá a galera também monta coletâneas e coloca mulheres voluptuosas em trajes sumários nas capas. Vejam abaixo:

BACHATA 4

O que se vê na cena da bachata latina atual é a presença de muitos artistas jovens. O gênero realmente agrada os jovens latino-americanos. É um ritmo sensual sem ser vulgar, e assim como o arrocha também possibilita a dança a dois, o que também pode ser um dos motivos que chamaram a atenção. E olha que se pararmos pra pensar a bachata não é tão nova assim no nosso segmento Alguém se lembra da musiquinha abaixo?

Apesar de sempre ter sido encarada como um bolero, creio que “Pão de Mel” está muito mais pra bachata do que pra bolero. Os bachateiros latinos profissionais provavelmente diriam se é bolero ou bachata com muito mais precisão do que eu, rs.

Como eu disse acima, a bachata também tem o seu lado mais “imoral”, “sexual”. Atualmente os artistas sertanejos estão buscando influências principalmente na bachata romântica. O “problema” é que se o gênero realmente emplacar na música sertaneja, a bachata “sexual” logo vai ganhar força e o estilo pode acabar, assim como o arrocha, se tornando mais uma vítima da banalização.

Mas pensando de uma forma positiva, se a tendência se comprovar e se mais artistas começarem a incluir bachatas em seus repertórios, este pode ser um grande e positivo momento para a música sertaneja. Pelo menos para fugir um pouco dos temas agressivos de boa parte das canções recentes e talvez se livrar do lado negativo do legado do arrocha e do funknejo, que como qualquer gênero contam com ótimas mas também com péssimas canções. Resta torcer para que a bachata não enfrente o mesmo destino das várias canções de arrocha que deixaram os elementos originais de lado apenas em prol de tornar a música a mais comercial possível, sem se importar com a qualidade e com a moralidade dos temas. E que ninguém repita as palavras “bachata, bachata” no meio das músicas também, pelo amor de Deus.

14 comentários
  • Daniel Assis: (responder)
    25 de abril de 2013 às 19:01

    Adoro Bachata! Tomara que incorpore ao sertanejo mesmo! O Romeo Santos cantou com a Paula Fernandes e deu uma mistura bacana! O Eduardo Costa ja ventilou a ideia de gravar algo com o Prince Royce!

  • Paulo Ricardo: (responder)
    25 de abril de 2013 às 21:50

    Nossa! O Zé do Caixão cantou Borbulhas de Amor melhor que o Fagner.

  • Fabio Roque: (responder)
    26 de abril de 2013 às 08:34

    kkkkkkkkk Sempre achei que Pão de Mel fosse um arrocha lento. Acho que não estava tão errado assim

  • Reinaldo: (responder)
    26 de abril de 2013 às 17:20

    Boa hora para o Bruno & Marrone pensarem naquele CD de boleros. Parece um pouco bolero essa bachata.

  • Victor 235: (responder)
    27 de abril de 2013 às 03:10

    aa

  • fabio: (responder)
    28 de abril de 2013 às 21:37

    aqui no mato grosso do sul conhecemos como rhumba esse ritmo e ja é tocado a muito tempo por aqui

  • Anônimo: (responder)
    29 de abril de 2013 às 19:53

    AMTGATDTW

  • Luciano: (responder)
    31 de maio de 2013 às 16:52

    É realmente o ritmo bachata é muito romântico e envolvente e já há bandas que tem esse ritmo como influência. Para quem ainda não ouviu falar, a banda X10 é uma que incorporou bem os elementos do ritmo ao arrocha.

  • Karoline: (responder)
    15 de junho de 2013 às 23:38

    Adoro bachata e acho que já passou da hora de o ritmo entrar de vez no Brasil!

  • Marcelo Benetti: (responder)
    28 de dezembro de 2013 às 16:15

    Olá galera!!! Sou brasileiro, professor de dança de salão e moro em Porto Alegre. Posso dizer que, se depender de nós, realmente a bachata irá invadir o Brasil mais e mais. Em 2012, com o objetivo de promover a bachata pelo mundo, criei um evento chamado INTERNATIONAL BACHATA DAY, e nas duas primeiras edições nosso evento foi realizado em mais de 20 cidades, em países como Japão, Suiça, Chile, Argentina, EUA, República Dominicana … E no Brasil em Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo, Fortaleza e Brasília.

    Atualmente temos um grupo no facebook com 2600 integrantes e mais de mil curtidas em nossa página do face.

    Se você gosta desse ritmo e quer entrar também pra família do IBD, entre no nosso site no face para ter mais informações.

    http://www.facebook.com/internationalbachataday

  • Patrícia Alves: (responder)
    10 de dezembro de 2014 às 02:03

    Pão de mel é mais bolero.Agora qndo eu ouvi jej de amor,cheguei a pensar q fosse uma versão de bachata,ou romeo santos ou prince royce(não é que não seja).Revirei meus mp3s de bachata e nada . Então ela serviu apenas de influência. Por ser apaixonada pelo ritmo,tou adorando,só esperp q não estraguem a bachata.

  • Patrícia Alves: (responder)
    10 de dezembro de 2014 às 02:06

    Fabio,rumba não é o mesmo que bachata.Luciano,todas as músicas da banda x-10 são versões de artistas da bachata. São muito bons eles.

  • Adriany Chris: (responder)
    17 de agosto de 2016 às 18:54

    Amo bachata desde sempre! Pena que onde moro atualmente ninguém curte muito…tento encontrar um par pra dançar aqui…queria mostrar um pouco do que sei!

  • Adriany Chris: (responder)
    17 de agosto de 2016 às 18:56

    Mas aqui o povo curte um bom arrocha e eu também!!

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.