Deus e Eu no aniversário da Paranaíba FM

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Já era fim de noite na quinta-feira. Tudo caminhava para encerrarmos as entrevistas de maneira satisfatória. Afinal tínhamos conseguido uma boa quantidade de depoimentos e de respostas dos artistas a algumas perguntas. É verdade que foram poucas, mas ainda assim fizemos o possível dentro do que nos foi autorizado fazer.

No início da noite de quinta, a principal preocupação dos presentes na sala de imprensa do Aniversário da Paranaíba FM era se seria possível ou não falar com Victor & Leo. Claro que a noite prometia, teríamos diversas outras atrações, mas os dois irmãos acendem este tipo de reação nas pessoas. Os caras são a principal dupla da atualidade e tudo mais. Têm fama de serem avessos à imprensa e coisas do gênero.

A própria assessoria do evento, que cuidava de nos avisar sempre que algum artista fosse adentrar a sala onde estávamos, já tratou de jogar um balde de água fria no ânimo da galera. “Victor & Leo não vão atender a imprensa, já mandaram um e-mail avisando e tudo mais”. Enfim, nos preparamos para não atendê-los. Não seria de todo ruim, afinal conseguimos falar com um excelente número de artistas. Mas é fato que com Victor & Leo o fim dos trabalhos seria excepcional.

Por volta da 01:30 da manhã, com todos os atendimentos à imprensa realizados, já nos preparávamos para ir embora. Muitos leitores do Blognejo que souberam da cobertura desse evento pediram que tentássemos falar com Victor & Leo de qualquer jeito. Eu já estava preparado para juntar minhas tralhas e vazar, sem a bendita entrevista com os irmãos de Abre Campo. A sala de imprensa ainda com alguns gatos pingados que acreditavam que algo de importante ainda ia acontecer.

Eis que recebemos a notícia da chegada deles. Ao contrário dos outros artistas, que foram de van, Victor & Leo foram em seus carros e estacionaram praticamente embaixo do palco, para evitar o assédio da galera. A chefe das assessoras disse sem rodeios: “ih, gente, pode desistir, vão subir direto pro palco”. Quando o Victor desceu do carro, no entanto, seus passos não caminhavam em direção ao palco. Ao contrário. Calmamente ele caminhava rumo à sala de imprensa. Uma legião de sanguessugas e seguranças já estavam ao lado dele, o que pareceu não aborrecê-lo. Não passou sequer pela sala onde estavam concentrados todos os outros artistas. Pelo lado de fora, ele foi direto à sala de imprensa, onde nos encontrávamos.

De repente começa a muvuca: “Victor & Leo estão vindo, Victor & Leo estão vindo”, diziam as assessoras. Meu equipamento já estava preparado desde o início da noite. Então o que fiz foi apenas me posicionar e aguardar o atendimento. O Victor adentra a sala onde, agora sim, se concentrava uma legião de curiosos e de gente que nada foi fazer ali a não ser fingir que acompanhava os dois. Na verdade, o Leo ainda não tinha dado as caras, só o Victor.

De repente algo meio que estranho e ao mesmo tempo mágico começou a acontecer. O Victor caminhava em minha direção. Junto a ele, estavam o Luiz Antônio (empresário) e o Ives (produtor). Cumprimentei o Victor rapidamente e me virei para o Luiz Antônio. Eu já o conhecia de uma ocasião em que tentei inocentemente convencê-lo a tocar meu CD na Paranaíba FM, quando ele ainda era o diretor artístico de lá. Na época, há 3 anos ou 4 anos atrás, meu CD era uma bosta. Mas eu, no auge da minha inexperiência musical, acreditava que aquela bosta poderia ser executada na maior rádio sertaneja do interior do país.

Enfim, claro que o Luiz Antônio não se lembrou de mim, mas ainda assim estendeu a conversa me perguntando sobre como andava minha carreira musical e coisa parecida. De repente, ele se vira para o Victor, que estava sozinho, aguentando todos os olhares fixados nele e diz: “Victor, ele tem dupla aqui em Uberlândia, tem esse site aqui (apontando para a minha camiseta com a logo do Blognejo estampada)”. Foi o suficiente para o Victor começar a me perguntar tudo sobre minha dupla, além de detalhes da minha vida. Até se eu tinha outra fonte de renda ele perguntou. Interessado, olhando no olho, como se eu fosse alguém cuja vida merecesse sim ser conhecida. Não como uns e outros que não se dignaram nem a atender a imprensa (detalhes em outro texto a ser postado).

Eis que o Leo chega e se aproxima do local onde estávamos conversando. O restante do pessoal ficou meio que boquiaberto com a maneira como fui tratado pelo Victor. Sério, parecia que nos conhecíamos há um bom tempo. Uma educação incomparável, uma finésse sem tamanho. Me posicionei entre os dois para fazer as rápidas perguntas a que fui autorizado pela produção do evento. Afinal, tinha muuuuuita gente na fila pra ser atendido por eles. Claro que 80 % desse povo sequer se preocupou em ser atendido por duplas em início de carreira ou que ainda não gozam de fama e prestígio como os dois. Com alguns artistas, as assessoras chegaram a pedir que eu fizesse mais perguntas pra evitar constrangimentos. Fora o fato de que muita gente sequer sabia o nome de vários artistas que estavam por lá.

Já com o microfone na mão, pronto para a pergunta, fui interrompido por uma das assessoras de imprensa do evento, solicitando que eu cedesse a minha vez para o pessoal da TV que estava por lá. Claro que eu iria ceder, afinal eu era só mais um a ser atendido, mesmo com o Victor fazendo parecer que minha presença ali conversando com eles era o momento mais importante da festa. No entanto, não precisei arredar o pé, porque o próprio Luiz Antônio se encarregou de autorizar que eu fosse o primeiro a entrevistar a dupla. Isso sem eu ter pedido nada.

Começa a entrevista. Pensamentos a mil. Que pergunta fazer? Tinha que ser a pergunta certa, afinal o tempo era curto. Nesse momento, nessa fração de segundos, o público presente se silenciou, a câmera se posicionou e eu praticamente me tornei o centro das atenções. Afinal era pra mim que olhavam, era uma palavra minha que aguardavam, As pernas tremiam. Depois de um ano de decepções com várias coisas que aconteceram ao Blognejo, enfim estava para acontecer a redenção. Eu, um blogueiro “idiota”, estava ali falando com a maior e mais polêmica (ainda que sem intenção de serem) dupla da atualidade.

A primeira pergunta foi a tradicional “O que têm achado da repercussão do trabalho?”, feita apenas para ganhar tempo. Direcionada ao Victor, posicionado do meu lado direito. Como é de praxe, uma resposta bem embasada se seguiu. O Leo ainda estendeu um pouco a resposta falando também do seu ponto de vista. Segunda pergunta. A hora tinha chegado. Com as palavras meio embaralhadas e os olhares fuzilantes de uma porrada de gente que aguardava silenciosa para ser atendida, perguntei sobre o que teriam para responder aos críticos que os acusam de “desdenharem” do sucesso que fazem. Tentei fazer AAA pergunta de uma forma um pouco sutil e que não parecesse tão direta. O resultado saiu melhor que a encomenda, porque eles responderam muito mais do que eu esperava que respondessem.

Eu ali com o microfone na mão e a dupla Victor & Leo, enfim, resolvendo a polêmica sobre as declarações postadas em um site e que renderam, até aqui no Blognejo, críticas nos mais diversos níveis. Não precisei me esforçar, não precisei tentar extrair palavras dos dois. Eles viram ali uma chance e abraçaram. falaram tudo o que queriam. O pessoal me fuzilando porque a conversa não acabava, mas eu nem via mais ninguém. Acontecia ali o meu momento, a minha vez. Era comigo que eles estavam falando. Era para o Blognejo que estavam dando a entrevista.

E a dupla pareceu tão empolgada com a chance de poderem finalmente esclarecer esse assunto que algumas pessoas que já viram o vídeo até me chamaram a atenção para o fato de eles paracerem querer tirar o microfone da minha mão, de tanta vontade que estavam de falar. “Marcão, você ficou cortando os caras”, disse uma das pessoas que já viu o vídeo. Não, eu não os cortei. É que enquanto um deles falava, o outro queria emendar. E as outras pessoas que queriam ser atendidas já estavam quase me tacando os objetos que tinham às mãos.

Trabalho realizado, dever cumprido, e a melhor entrevista de todas as realizadas no decorrer da festa finalmente estava garantida. Não consegui apenas falar com Victor & Leo. Falei o que precisava ser falado. Tanto que o próprio Leo fez questão de elogiar as perguntas feitas. Prestem atenção ao vídeo (que será postado daqui a pouco) e confiram se isso é mentira.

Enquanto atendiam as outras pessoas, tratei de agradecer profundamente ao Luiz Antônio pelo tratamento dispensado a mim. Separei um dos kits de natal que preparei para dar aos artistas que entrevistei e dei a ele, como forma de agradecimento, o que aguçou a curiosidade do Victor, que perguntou: “o que é isso aí? eu quero um”. Disse do que se tratava (um CD e um cartão de natal) e ele, educadamente, disse: “Cara, sei como são difíceis as coisas, a gente dar o CD pros outros quando a carreira tá começando, se quiser eu posso comprar de você, se for te ajudar”, já pondo a mão na carteira. Educadamentem agradeci, afinal se alguém ali merecia ganhar um presente era ele, pela incrível demonstração de humildade e educação que teve comigo durante toda a conversa.

Quando encerrei a conversa, saí da sala para ceder espaço aos outros que ainda aguardavam atendimento. Claro que não deixei de ouvir reclamações do tipo: “sua entrevista foi massa demais, mas você arrrebentou a gente. Não vão mais querer nos atender.” Ainda comemorando sozinho a minha redenção, o meu momento, fui percebendo que Victor & Leo atenderam, sim, todos os que lá estavam, sempre de forma polida e educada. Aliás, assim aconteceu durante as duas noites, com todos os artistas agindo educadamente. O fato é que Victor & leo fecharam com chave de ouro.

Emocionado pela minha conquista (afinal ninguém é capaz de imaginar como é para mim, um blogueiro do triângulo mineiro, a 500 km do centro do Brasil, que batalha sozinho com seus outros 2 empregos, conseguir algo desse tipo), e por mais que eu saiba que muitos que passarem por aqui vão fazer pouco da minha vitória, afinal criou-se essa aversão ao Marcus e a tudo o que o Blognejo representa em boa parte dos fã-clubes (principalmente os do Victor & Leo), aquele momento foi meu. Foi mágico. Não tive que me esforçar em praticamente nada. Eles foram até mim. Eles conversaram comigo. Eles responderam muito mais do que eu esperava que respondessem. E para mim, que não esperava sequer que eles fossem me atender, o fim da cobertura foi magnífico, fantástico, sublime.

Agradeci a Deus, emocionado, enquanto estava de fora da sala aguardando a saída de todas as pessoas que ainda estavam por lá. Chorei um pouco, inclusive, por maior que pareça a demagogia dessa frase. Afinal ali tive minha redenção. Ali tive tudo o que eu precisava para saber que o Blognejo pode, sim, conquistar seu lugar ao sol um dia. As coisas aconteceram de forma tão natural ali que tive a certeza que Deus está do meu lado, que me apóia. Não foi uma exclusiva, mas foi o suficiente para fechar meu ano com chave de ouro e mostrar que talvez 2010 seja o ano definitivo da ascensão do Blognejo. Isso se não encontrarmos outros obstáculos pelo caminho.

Daqui a pouco, coloco o vídeo no ar.

6 comentários
  • Manu: (responder)
    4 de janeiro de 2012 às 14:36

    Humildes desde sempre, merecem tudo!

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.