06 nov 2008 | Lançamentos
Diário de um cantor sertanejo – Country Star
Já estou ficando com saudades dos meus velhos amigos. Por onde andarão o Rafael e o Fabinho?

Já passou um tempo, a poeira baixou e agora eu me sinto mais tranquilo pra falar sobre a nossa participação nas eliminatórias do concurso Country Star, do programa Terra Nativa. Eu não queria falar antes pra não parecer muito despeitado por não ter passado, hehehehe.

Pois bem. Quando as inscrições para o concurso foram abertas, não exitamos. Seria uma boa oportunidade, é claro. Queríamos nos dedicar e abraçar essa chance. Se fosse para dar certo, daria. Enviamos nossa canção pela internet mesmo, junto com a ficha de inscrição preenchida, e ficamos aguardando a divulgação dos selecionados para as eliminatórias.

Fomos selecionados para participar da primeira fase das eliminatórias, em Belo Horizonte. Nós e mais outras 300 duplas, hehehe. Entre as duplas que estavam lá no dia da nossa eliminatória, também estavam yago & Santiago, finalistas do programa. Acontece que no dia das eliminatórias, já tínhamos marcado um show importantíssimo em Carmo do Paranaíba – MG. Ou seja, o destino resolveu que todas as coisas boas que eram para nos acontecer aconteceriam no mesmo dia. Pensamos bem e decidimos que teríamos que participar dos dois, mesmo porque já era tarde pra adiar o show e a eliminatória não mudaria de dia só por nossa causa.

Demos um jeito de a nossa equipe ir sem a gente para o local do show, enquanto nós fomos para BH. Como a eliminatória seria num sábado logo de manhãzinha, tivemos que ir para BH na sexta. Chegando lá, nos hospedamos na casa de um amigo, nos preparando para o dia seguinte.

Acordamos cedo e fomos para o local da eliminatória, achando que seríamos os primeiros a chegar. Que nada! Já tinha muita gente. Dia chuvoso e frio, por sinal. Ficamos na fila esperando os portões se abrirem. Encontramos vários amigos daqui de Uberlândia também na fila. Então não foi difícil arrumar o que fazer até a hora da audição.

Enquanto isso, os câmeras já iam trabalhando. Filmando os candidatos, alguns tirando fotos e tudo mais. O interessante é que alguns candidatos aproveitavam a presença das câmeras pra começar a chorar as pitangas, reclamando das condições de vida. Teve um que contou uma história e começou a chorar lembrando da infãncia sofrida. Pensei sozinho: tragam óleo de peroba pro rapaz!!! E o pior é que os câmeras se aproveitavam da situação dando trela pro cara fazer mais drama ainda. E ele ainda pegava o violão e cantava para as câmeras. Não muito bem, diga-se de passagem.

Até aí tranquilo. O pessoal cantando, tocando, todo feliz. Entramos na Band e ficamos aguardando cada um sua vez. Nesse meio tempo, a Aline ia entrevistando um a um os candidatos. Cara, eu não imaginava que a Aline Lima pudesse ser tão educada e atenciosa com todos. Que garota incrível. Mesmo tendo vivido sempre no meio dos grandes nomes, por ser filha do Chitãozinho, ela aparentemente não se deixa dominar pela fama e riqueza em nenhum momento. Humilde, educada, carinhosa, atenciosa. Uma graça de pessoa. Parabéns, Chitão, pela maravilhosa filha.

Na medida que ia chegando a nossa vez, a gente ia ficando mais apreensivo. Procuramos desde o início não gastar a voz e nem prestar atenção nos outros candidatos cantando. É claro que conversamos normalmente, mas não queríamos nos sentir pressionados a cantar melhor que os outros. Queríamos fazer o nosso melhor.

Dentre as músicas disponíveis para a audição (Eram só dez pré-selecionadas, ou seja, a gente tinha que cantar o que eles tinham escolhido), optamos por cantar “Evidências”. Preparamos uma apresentação de modo a mostrar que nós dois conseguíamos fazer uma boa primeira voz, e que éramos afinados juntos, achando que isso iria agradar os jurados. Aliás, o Rick Bonadio não estava presente no dia, apenas o Bozzo e a Ângela.

Chegou nossa vez. Eu começaria cantando, depois meu irmão, e depois nós dois juntos (lembrem-se que eu é quem faço a segunda voz). Comecei, tentando me esforçar ao máximo. Cantei de olhos fechados, então nem observei a reação dos jurados enquanto eu cantava. Meu irmão começou a cantar a parte que tínhamos escolhido para ele e, nem dois versos depois, fomos interrompidos pela Ângela com a seguinte alegação: “Olha, vocês dois cantam bem, mas não consigo enxergá-los como dupla”. Respondi de bate-pronto “mas você nem nos ouviu cantando juntos ainda” e pedi que ela nos deixasse cantar o refrão.

Aparentemente aquilo irritou a jurada. Como que pra tentar provar o que estava dizendo, ela, visivelmente irritada, permitiu que continuássemos. Sem exagero algum: não cantamos nem cinco palavras juntos e ela já pediu que parássemos dizendo: “Tá vendo, era isso o que eu queria dizer. Vocês não passam pra próxima fase.”

Tudo bem. Meio tristes, claro, com a derrota, fomos embora porque, afinal de contas, não podemos nos deixar abater pelas derrotas do dia-a-dia. Aquele não poderá ser um sim algum dia. Como tínhamos um grande show no mesmo dia, saimos em viagem para Carmo do Paranaíba logo depois. Fizemos um show espetacular que, segundo as próprias pessoas que foram ao show, ficaria para a história da casa em que cantamos.

Não tem problema. Sabemos que outras oportunidades aparecerão no decorrer da nossa carreira. Ah! Lembram do cara que fez drama para as câmeras e que não cantava tão bem assim? Pois é. Ele passou para a segunda fase.
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.