21 ago 2008 | Lançamentos
DIÁRIO DE UM CANTOR SERTANEJO
Olá, pessoas!!!

No capítulo de hoje da nossa saga, vou relatar histórias envolvendo minha dupla e a Ordem dos Músicos do Brasil. Só pra vocês entenderem como funciona esse órgão.

Pra quem não sabe, a Ordem dos Músicos do Brasil é um órgão sem vínculo direto com o governo que tem a função de fiscalizar os profissionais da música. Na teoria, deveria funcionar como a Ordem dos Advogados, ou seja, o órgão deveria avaliar corretamente os profissionais interessados em atuar como músicos profissionais e, caso os mesmos fossem aprovados em uma eventual avaliação, o órgão passaria a atuar como parceiro do músico, fiscalizando casas de show, bares e etc., a fim de obrigar tais locais a fornecer as melhores condições de trabalho possível aos profissionais que ali atuam. Mas ouçam bem: NA TEORIA.

Na prática, pelo menos aqui em Uberlândia, o que ocorre é totalmente diferente. Pra começar a prova realizada nem parece prova. Basta que o aspirante a músico profissional saiba assoviar que já está aprovado. Não que eu ache que seja necessário que a pessoa seja mestre em determinado instrumento. Música é música em qualquer situação. O que acontece é que vem uma banca examinadora direto de Belo Horizonte apenas pra ver se os candidatos sabem emitir sons. Ora, pra isso basta ouvir. As únicas pessoas incapazes de identificar música com os ouvidos são os surdos. Ou seja, é uma burocracia totalmente desnecessária.

Outro ponto totalmente divergente quanto aos ditos objetivos da OMB é a fiscalização das casas de show. Hoje é obrigatória (teoricamente) a assinatura de uma nota contratual, repassada pela OMB, pelos artistas e pelos contratantes. Para que tal nota seja válida, todos os músicos que se apresentarem devem ter a carteirinha da OMB, tendo, para isso, que pagar uma anuidade de R$ 90,00, fora as taxas para confecção da carteirinha (provas, taxas, etc.), que giram em torno de R$ 180,00. Caso a nota contratual seja inválida, tanto o contratante como os artistas (cada um deles) devem pagar uma multa de mais ou menos R$ 1500,00. Ora, até aí tudo bem. O estranho é que a nota contratual especifica horários de apresentação, valor de cachê, alimentação dos músicos, etc. E NUNCA, JAMAIS, EM HIPÓTESE ALGUMA, um representante da Ordem esteve em qualquer local com música ao vivo pra fiscalizar esses elementos. A OMB quer saber, unicamente, se os músicos pagaram a anuidade. E SÓ!!!.

O valor do cachê mínimo é objeto das piores discussões. Segundo ouvi dizer, foi estabelecido EM NORMA DO GOVERNO que um apresentação musical em determinado local deve ter valor mínimo de R$ 562,00, se não me engano. O cachê pago na noite, no entanto, é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuito menor que isso. Existem contratantes que tem a cara-de-pau de combinar um cachê (que nos melhores bares não costuma passar de R$ 400,00) e cobrar couvert artístico dos clientes, somando no final uma quantia até 5 vezes superior ao cachê combinado, valor que não é repassado ao artista. Ao contrário, é tudo embolsado.

Um dos episódios que me deixou mais P da vida com a OMB ocorreu há uns dois anos. Eu havia combinado um cachê de R$ 120,00 (com muito custo convenci o contratante a pagar essa fortuna), que eu ainda teria que dividir com meu parceiro e com mais dois músicos. Na ocasião, eu estava com a anuidade da OMB atrasada. Ocorre que, infelizmente, nesse dia o fiscal compareceu para verificar se estávamos em dia. Ao constatar o atraso na anuidade e o fato de que dois dos músicos não possuíam carteirinha, emitiram uma autuação para nós e uma para o contratante, que nos obrigava a comparecer na sede da OMB aqui em Uberlândia para regularizar a situação, caso contrário seria cobrada uma multa de R$ 1500,00 tanto da gente como do contratante. Fizemos tudo certinho, mas o contratante deixou de comparecer. Resultado final: o contratante teve que pagar a multa e ainda queria cobrar o valor da gente por meio da justiça. Resumindo, a ordem não se preocupou em fiscalizar cachê, alimentação (que não tivemos), condições de trabalho (nem banheiro tinha no local) nem nada. Se preocuparam apenas com a maldita multa. Acabou que nós nunca mais tocamos nesse lugar.

Outro episódio que me deixou ainda mais enfurecido ocorreu esse ano. Acontece que eu emiti alguns cheques para a OMB a fim de negociar a minha anuidade e a dos outros membros da banda. Nós somos, na verdade, uma das únicas duplas sertanejas da cidade que trabalham em dia com a OMB. O ruim, no entanto, é que os fiscais da OMB utilizam o nosso nome para pressionar os outros cantores a regularizar sua situação. Chegam ao absurdo de dizer que nós estamos denunciando para eles quem está em dia e quem não está. Mais ou menos assim: “olha, o fulano e o beltrano não estão pagando, então porque nós temos que pagar?”. Como se eu ganhasse alguma coisa passando a rasteira nos outros músicos. O pior é que eles (os músicos) ficam de cara virada pra nós achando que nós estamos sendo falsos. Dia desses um deles chegou ao cúmulo de me dar um tapinha nas costas dizendo: “Marcão, tem espaço pra todo mundo, abre seu coração”. Justo eu que tenho uma agenda com nomes e telefones de cantores só pra poder indicá-los em todos os bares onde toco.

E lembra dos cheques que eu mencionei? Pois então, a OMB me fez o favor de descontar um deles antes do tempo, estourando o meu orçamento do mês e me obrigando arrumar dinheiro emprestado. Ou seja, desorganização ZERO por parte do órgão. Sabe o que eles me lembram? Aquelas milícias cariocas que obrigam os moradores das favelas a pagar por uma proteção que não existe. O nome poderia continuar sendo OMB. O significado, no entanto, passaria a ser ORDEM DAS MILÍCIAS DO BRASIL. Já tenho até um slogan em mente. FERRANDO OS MÚSICOS EM BENEFÍCIO PRÓPRIO SEMPRE QUE PODEMOS!!!

13 comentários
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.