28 ago 2008 | Lançamentos
DIÁRIO DE UM CANTOR SERTANEJO
Hoje eu vou falar sobre a importância de um show bem realizado. Posso dizer, com toda certeza, que foi graças ao show realizado por minha dupla no último dia 01/05, no Coliseu Hall, que a gente conseguiu alcançar um certo status aqui na cidade. Mas até a realização desse show, o caminho não foi fácil.

Pra começar, não é qualquer pessoa que consegue marcar um show em uma casa de renome. Principalmente no Coliseu Hall, que alavancou as carreiras do Só Pra Contrariar, Bruno & Marrone e muitos outros. Os gerentes das casas lidam com números. Se eles não têm certeza se determinado artista tem a capacidade de lotar uma casa de shows, eles simplesmente não marcam. É simples assim. O que significa que, para marcar qualquer show de grande porte em uma casa renomada, você tem que provar que é capaz de atrair o público.

Nós já havíamos tentado marcar um show desse nível em muitos outros lugares. Na verdade, desde que a nossa dupla surgiu, a gente vinha tentando insistentemente conseguir uma data exclusiva. Como assim, exclusiva? Bem, as casas daqui tem o péssimo hábito de realizar eventos colocando determinados artistas como atração principal e mais trocentos outros como participações especiais, sem que esses últimos recebam um centavo sequer. E o pior de tudo é que, por ser exageradamente grande o número de duplas interessadas em divulgar seu trabalho nestas casas, todos os artistas aceitam trabalhar dessa forma. É o velho lema: você não quer, tem quem queira. Então não resta outra opção senão aceitar fazer participações especiais.

Durante praticamente dois anos, fizemos participações especiais nos shows de outras duplas. Jamais nos haviam dado espaço para mostrar nosso trabalho num show completo, por assim dizer. Alguns “gerentes” de casas de show chegavam ao cúmulo de me apontar o dedo na cara cada vez que eu pedia uma data dizendo: “você não tem públio, como é que eu vou te marcar”. Eu sempre ficava calado, já que nunca fui de briga. Bater boca com pessoas assim seria perda de tempo. Mas eu tinha certeza que um dia o jogo ia virar.

O gerente do Coliseu sempre foi o Sinderley, que hoje trabalha com Alexandre Pires. Acontece que ele sim era e é um cara excepcional. Ele sabe, com todos os seus 20 anos de experência, o quanto é importante abrir espaço para novos talentos. Disse que nos daria uma data para fazer um show só nosso. Acontece que o Coliseu acabou mudando de dono e o nosso sonho seria mais uma vez adiado.

Quis o destino, no entanto, que o Sinderley voltasse, algum tempo depois, a gerenciar o Coliseu Hall. Aproveitei a oportunidade e cobrei a promessa que ele havia nos feito. Mostrando o homem íntegro que é, ele marcou um show da nossa dupla no dia 01/05. A sorte estava lançada. A gente só tinha que mostrar que era capaz de atrair o público. Na mesma época, conseguimos marcar também um show no Bar na Béé, que fica em Carmo do Paranaíba – MG, cidade onde residem muitos parentes e amigos nossos. O Bar na Béé é uma das melhores casas de show da região do Alto Paranaíba.

Dois shows grandes agendados, só nos restava correr atrás de lotar as casas. No Bar na Béé, não foi tão difícil. Afinal, como nós moramos em Uberlândia, o dono da casa se encarregou de divulgar o evento. Nós só tivemos que tocar. Graças a Deus foi um sucesso. O nome da nossa dupla na cidade se elevou a um patamar muito mais alto.

Mas no Coliseu era diferente. As casas de show de Uberlândia, quando abrem espaço para algum artista iniciante, gastam no máximo com panfletos e uma propagandinha ou outra numa radiozinha mixuruca. Ou seja, ficou nas nossas costas a missão de lotar a casa. Abraçamos a causa e passamos a correr atrás de patrocínios e vendas de ingressos. Chegamos a colar cartazes na cidade inteira. Saíamos de madrugada pra evitar que alguém nos importunasse.

Uma pessoa motivada consegue tudo o que quer. Resultado: conseguimos todos os patrocínios necessários, vendemos cerca de 450 ingressos antecipados e ainda conseguimos realizar um show inesquecível pra mais ou menos 1000 pessoas. Foi uma das quintas-feiras de maior sucesso no ano de 2008 na cidade de Uberlândia. Sabem o que aconteceu depois: no dia seguinte ao show, as mesmas pessoas que me apontaram o dedo na cara dizendo que nossa dupla não tinha público me ligaram pra marcar uma data com a gente.

Até semana que vem.

9 comentários
  • Jéssica: (responder)
    3 de abril de 2012 às 18:14

    É realmente é triste saber que por causa de gerentezinhos GRANDES talentos não tiveram oportunidade, DISPOSTA a lutar contra todos eles se for necessário. Bjs

  • Corey Yoshino: (responder)
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.