02 jan 2009 | Lançamentos
Diário de um cantor sertanejo – A Banda
Ainda não dediquei nenhum post aos assuntos relacionados à banda que acompanha a dupla. Hoje, então, resolvi fazê-lo. Vou contar como funciona o relacionamento entre minha dupla e nossa banda pra vocês entenderem os pormenores.

Quando começamos, éramos acompanhados por um primo nosso, que tocava violão. Eu ficava por conta do violão solo e da viola caipira. Apesar de tocarmos em boteco, nunca quisemos fazer nenhuma apresentação com aqueles MDs, por considerarmos simplesmente ridículo o sistema. Como pode um cara se sumbeter a tocar com um playback muito do mal-feito, muitas vezes fingindo que está tocando o teclado?

Depois desse nosso primo, passamos a contar com um baixista e, posteriormente, com um baterista/percussionista. Desde sempre deixei bem claro para todos que ganharíamos conforme o cachê da noite, sempre priorizando o investimento em novos equipamentos. Todos os membros eram amigos nossos. Nunca quisemos pegar um músico consagrado pra tocar conosco em caráter fixo. Primeiro porque o cachê que ganhávamos era ínfimo. Segundo, porque quando você pega músicos já manjados, você acaba tendo que se adaptar a eles, sendo que queríamos músicos que se adaptassem a nós.

Quando começamos pra valer em botecos, compramos todo o equipamento necessário e parcelamos em umas dez vezes. O fato é que ainda assim as parcelas eram caras, já que tínhamos comprado mesa de som, potência, equalizador, efeito, caixas de PA, retornos, violão, cajon, baixo e todos os cabos e microfones. Nisso, o cachê dos botecos do mês inteiro mal era suficiente. Tivemos que fazer uma coisa impensável. Não só eu e meu irmão, como todos os outros, tocamos de graça por uns quatro meses, só pra poder acabar de pagar as coisas mais depressa.

Aí vocês perguntam: ué, mas ia todo mundo tocar nos botecos? A resposta é SIM. No entanto, nunca obrigamos ninguém a tocar conosco nos botecos. O fato é que eles acreditam no trabalho tanto quanto a gente e vão por vontade própria. Eu e meu irmão combinamos o seguinte com eles: o indispensável é apenas o violonista, os outros vão quando quiserem. Só que eles quase nunca deixam de ir. E eu sou assim, prefiro deixar de ganhar dez ou vinte reais a mais se com isso outra pessoa puder ganhar também. Façam as contas. Num cachê de R$ 300,00 (média dos botecos), dividindo-se pra três dá 100 pra cada, por quatro dá 75 pra cada, por cinco dá 60. Eu considero uma diferença não tão considerável. Prefiro levar outro e tornar a apresentação mais bonita.

Tem muita gente que acha essa atitude muito idiota da nossa parte. Mas só pra dar um exemplo, quando tocamos pela bilheteria em alguma casa, a maior parte dos convidados é dos outros membros da banda. Ou seja, a gente divide a responsabilidade e todo mundo sai ganhando, porque a bilheteria do show aumenta.

Outro fator favorável ao nosso posicionamento com relação à banda é o fato de que, quanto mais tocamos juntos, mais entrosados ficamos. Tanto dentro quanto fora do palco. Hoje em dia, prefiro mil vezes tocar com a minha banda do que com qualquer músico free lancer da cidade. Não tem comparação a nossa pegada quando estamos tocando juntos, todos os membros da banda. É bom demais, modéstia parte.

Hoje nossa banda conta com os mesmos membros, exceto que meu primo saiu pra montar a própria dupla. Então temos um novo violonista, que também aceitou participar no mesmo esquema. O bom é que ele também está tocando guitarra, o que torna o show ainda mais completo. Temos também um acordeonista, daqueles bem saidinhos, carismáticos, que já está com a gente há mais de um ano. Ou seja, já temos a banda completinha. Todos cientes de que, mesmo ganhando pouco a cada show, o projeto é ganharmos beeeeeeeem mais quando estivermos fazendo somente shows de grande porte.

Infelizmente nunca podemos garantir nada pra nenhum deles. Então, se estão conosco até hoje (alguns há mais de três anos), só temos que agradecê-los. Não é qualquer um que teria paciência pra continuar tocando, com cachê baixo, sem nada certo para o futuro. Por isso a amizade fora dos palcos. Sabemos que, se eventualmente a dupla não der certo, pelo menos teremos a amizade uns dos outros pra toda a eternidade.

3 comentários
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.