14 nov 2008 | Lançamentos
Diário de um cantor sertanejo – confiar vale a pena?
Olá. Semana agitada essa!!!

Hoje vou contar a história da produção do nosso primeiro CD. Serve como uma introdução para a história da semana que vem.

Na época que decidimos gravar um CD para mostrar o nosso trabalho, estávamos bem crus ainda. Não entendíamos nada dos macetes do mercado. Caímos meio que nas conversas das pessoas envolvidas. Ainda éramos novatos. Na verdade ainda somos, mas naquela época não entendíamos nada mesmo.

Uma amiga nossa nos apresentou a uma pessoa que era secretária de um grande produtor de eventos daqui da região. Essa pessoa, que chamaremos por hora apenas de Maria, se mostrou bastante interessada em nos auxiliar no início da nossa carreira. A Maria namorava um rapaz que conhecia um cara que poderia produzir o nosso primeiro CD num orçamento bem em conta. É claro que ficamos interessados, já que nós estávamos com muita vontade, mas pouco dinheiro.

Conhecemos o produtor e ele nos passou um orçamento de acordo com o que pleiteávamos. Decidimos fazer um CD com 13 canções, sendo que quatro delas seriam inéditas. Queríamos que pelo menos as inéditas fossem produzidas com recursos mais avançados e gravações de instrumentos originais. Concordamos que as outras músicas poderiam ser feitas apenas com os chamados “samplers”, ou timbres de teclado.

Orçamento combinado, a Maria passou a nos “ajudar”, como ela mesmo dizia. De acordo com ela, nós iríamos primeiramente nos preparar para encarar um palco. Até aí tudo bem. Mas sempre éramos convidados pra cantar em festinhas que ela realizava com amigos em sua própria casa. E, estranhamente, ela não chegou a marcar um evento sequer para que pudéssemos, enfim, cantar para o público de verdade. Eu tentei por conta própria marcar uma apresentação, e acabei conseguindo. E não é que a Maria ficou irritadinha, acabando por dizer inclusive que não estávamos preparados, que eu deveria emagrecer e tudo.

Enquanto isso o CD ia sendo produzido. E olha que o produtor nos ligava sempre dizendo que teria problemas aqui ou acolá e que deveríamos pagar mais um pouco para o CD ficar conforme havíamos combinado. No fim das contas, o CD ficou mais ou menos 60% mais caro que o valor combinado.

Outra coisa que eu não disse é que a Maria tinha um fetiche por caras bem mais jovens. O namorado dela era cerca de 13 anos mais jovem que ela. Moleque ainda. E mesmo sendo comprometida, ela dava em cima de mim (11 anos mais novo) e do meu irmão (15 anos mais novo). Sério, não é exagero. E o pior é que a moça que nos apresentou a ela era apaixonada pelo meu irmão. Ou seja, nem a amiga ela respeitava. E não era qualquer cantadinha não. Ela intimava mesmo, dizia coisas do arco da velha. Mesmo sendo muuuuuuuito bonita, eu e meu irmão vimos que aquilo não era pra valer, nem o fogo dela e nem a vontade de nos fazer alcançar o sucesso. Acabamos por nos afastar dela, optando por guiar sozinhos a nossa carreira. E ela ainda me veio dia desses querendo que eu passasse aquela música nossa (“Sempre Seu”) para um amigo dela, abrindo mão da autoria da música. É claaaaaro que eu não atendi esse pedido.

Sobre o CD, como éramos bem bobinhos ainda, acabamos por achá-lo ótimo e tudo. Eu cheguei a levar o CD e entregar nas mãos do Luiz Antônio, diretor da Paranaíba FM na época, achando que aquele CD poderia tocar numa das maiores rádios sertanejas do Brasil. O pior é que eu fiquei sabendo depois que o cara que o produtor disse que tinha gravado a bateria, por exemplo, jamais gravou uma batida sequer do nosso CD. Ou seja, foi tudo sampleado. Acabei deixando por isso mesmo. Não ia adiantar nada ficar cobrando do cara algo que ele não havia feito. Serviu para aprendermos a ficar mais atentos com as nossas próprias coisas.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.