19 dez 2008 | Lançamentos
Diário de um cantor sertanejo – Humilhação pouca é bobagem, o Desfecho
Continuando a história da semana pasada…

Saí da boate p… da vida com tamanha falta de respeito e com a incrível capacidade dos caras de acharem que estão com a razão ao não pagar as contas em dia. Imaginem se fosse o contrário. Será que eles teriam agido com educação se tivessem que me cobrar uma dívida?

Pois bem, pedi ao meu irmão que voltasse lá no dia seguinte, sexta-feira, pra receber o cachê combinado. Obviamente ele teve que novamente agüentar o jogo de empurra-empurra. A diferença é que desta vez o dono da boate estava no local. Quando meu irmão finalmente conseguiu falar com o cara, ele disse:

– Estou saindo agora, não tem como te atender. Mas eu vou acertar é com seu irmão. Pede pra ele vir aqui porque EU QUERO ENSINAR PRA ELE COMO É QUE SE FALA COM UMA MULHER.

Hauhauhauhauha. Bom. só restou ao meu irmão ir embora do local e esperar. No outro dia (sábado, uma semana depois do show), eu e meu irmão voltamos ao local pra ver se finalmente conseguíamos receber o cachê. Mas desta vez fomos acompanhados por três amigos nossos mal-encarados. O cara poderia até não querer pagar, mas pelo menos ele não ia tantar nada contra nenhum de nós dois.

Fiquei aguardando do lado de fora e meu irmão foi até o interior da boate procurar o infeliz. É claro que ele não estava e é claro que o jogo de empurra-empurra ia começar de novo. O engraçado desses promoters é que na hora de fazer outras coisas todo mundo sabe tudo, mas na hora de pagar ainda querem tirar uma com a sua cara. Meu irmão perguntou a um deles se o dono estava e o moleque já foi respondendo: “não está não, mas ele quer acertar é com seu irmão”. De bate-pronto meu irmão retrucou: “meu irmão está aqui comigo”. Acho que pra conferir se era verdade, o bocó do promoter foi até o lado de fora. Pelo menos ele constatou também a presença dos nossos “capangas”.

Fomos embora de mãos abanando de novo, porque tínhamos que trabalhar. No mesmo dia ainda ligamos para o cara. Meu irmão falou com ele ao telefone, perguntando se ele estaria na boate mais tarde e se poderíamos ir até lá para receber. O cara só disse o seguinte: “pega na hora que vocês puderem, vocês já fizeram a cagada mesmo”. Antes de bater o telefone na cara do meu irmão, ele ainda falou ao longe: “Tomá banho na soda…”.

Ainda não acreditando na enrolação dos caras, liguei para o promoter que tinha me contratado para a festa para tentar ver uma forma de receber. Eu disse sem meias palavras: “o cara não tá querendo me pagar e eu preciso receber, como é que eu faço?”. Como era de se esperar ele disse que eu só poderia receber do chefe, e que teria que aguardar até segunda-feira. Assim que desse a hora, eu ligaria para ele e combinaria um horário pra ir até lá na boate pela enésima vez.

Todo mundo, incluindo meu pai e minha mãe, ficaram preocupados com as ameaças do cara. Ninguém queria que eu voltasse lá. Queriam que eu abrisse mão do dinheiro. Meu irmão falou que queria ir comigo, mas só poderia na terça. Mesmo assim me revoltei. Na segunda fui até lá sozinho pra tentar receber. Nem cheguei a ligar pro promoter pra combinar horário. Cheguei lá de surpresa mesmo. Levei minha noiva e deixei ela de prontidão com um telefone na mão para ela ligar para a polícia caso algo acontecesse.

Ao chegar na boate, uma das pessoas que estava do lado de fora foi até o escritório informar que eu estava lá. A menina com problemas de audição (pra dizer que eu gritei, só tendo problemas de audição mesmo) foi até a janela só pra conferir se era eu mesmo. O dono estava no local, por incrível que pareça. Fiquei uns vinte minutos aguardando ser atendido. O cara saiu falando ao telefone e, antes de entrar no escritório novamente, falou: “espera um minuto aí, se você puder. Se não puder também…”.

Eu já estava me preparando pra ouvir o cara querer me dar lição de moral sem ter moral nenhuma e confesso que estava até preparado pra apanhar se fosse necessário. No entanto, o cara chegou até mim e perguntou quanto o promoter tinha combinado comigo de cachê. Quando eu disse o valor, ele simplesmente me entregou o dinheiro, caladinho. Não sei se por causa dos meus “capangas”, ou pela minha insistência, mas ele pagou caladinho. Quase duas semanas depois, mas pagou.

Com o peito inchado de orgulho por ter vencido essa batalha, saí de lá ciente de que tocar naquele local novamente só com contrato e pagamento antecipado. Vejam o lado bom: pelo menos eu não apanhei.

10 comentários
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.