22 mai 2009 | Artigos
Diário de um cantor sertanejo – O prestador de serviços
Em tempos de vacas magras, é comum a gente procurar uma coisinha aqui, outra li, pra complementar a renda. Com o crescente número de novas duplas, é normal que as mais “antigas” percam espaço na noite. Nós não somos diferentes. Demoramos um bocado de tempo para estabelecer um certo patamar de qualidade, aliado a um cachê no mínimo decente. Mas quando vêm os novatos, cobrando beeeem mais barato, os donos dos bares não pensam duas vezes pra excluir caras como nós, independente se os outros cantam bem ou não.

Isso acaba levando a uma diminuição da quantidade de apresentações e, consequentemente, da renda mensal média. E é nessa parte que entra o desespero. Como fazer para pagar as contas no fim do mês? Só meu salário no fim do mês mais um showzinho aqui e outro ali não são suficientes pra suprir todas as minhas necessidades. O que fazer então???

Todo mundo conhece aquele ditado: “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. Pois então. Eu passei a analisar as deficiências de cada novo artista da praça para poder oferecer meus serviços. Se uma dupla não tem um violonista, lá vou eu no violão. Se quer um violeiro, estamos aí. Se um segundeiro precisa de um primeira voz para determinado evento, vamos nessa. Se um primeira voz precisa de um segundeiro em um show por aí, vamos também. E se precisa de um sonzinho pra alugar, um estúdio pra ensaiar, Marcão tem a solução.

Comecei com essa empreitada meio que apenas para complementar a renda na noite. E agora que as apresentações com a dupla deram uma diminuída (em consequência do nosso projeto de crescimento), esses bicos passaram a ser minha principal fonte de renda relacionada à música. Fora a minha dupla, posso dizer que presto serviços com frequência para outras cinco duplas (!!!). Duas alugam meu som, outras três me usam como free lancer de violão e viola, ou até tudo ao mesmo tempo. Fora uns outros dois cantores da noite que também alugam meu equipamento e um outro rapazinho novato, para o qual eu dou uma força fazendo segunda voz vez ou outra.

É claro que eu sempre ressalto que o principal é a minha dupla. Se acaso eu marcar alguma coisa por fora e aparecer um compromisso com a minha dupla de última hora, tenho que desmarcar com quem me contratou. Mas eu não deixo os caras na mão não. Quando esse tipo de coisa acontece, eu sempre boto alguém pra me dar cobertura. Porque comigo é assim mesmo: satisfação garantida ou seu dinheiro de volta.

Obs.: tem alguém precisando de um free lancer aí???

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.