28 nov 2008 | Lançamentos
Diário de um cantor sertanejo – por que é tão difícil cobrar um preço justo?
Olá, pessoal. Enfim vamos deixar o blog em dia, depois da correria que foi essa semana. As histórias de hoje dizem respeito à dificuldade que uma dupla estreante tem de cobrar um preço justo por uma apresentação. Serve como um adendo às histórias que já foram contadas acerca desse tema.

Quando uma dupla começa, é normal que passe os primeiros meses apenas dando “palhinhas”. Toda vez que os novatos tentam marcar uma apresentação, os donos das casas pedem pra conhecer o trabalho primeiro. E um CD não costuma servir de “demonstrativo”. Os caras querem ver ao vivo. Obviamente não dá pra levar uma estrutura grandiosa. No máximo, um violão e voz.

Acontece que, depois de um tempo, simplesmente não dá pra continuar só nas palhinhas, ou canjas. Cantar é, antes de tudo, um trabalho, e deve ser remunerado. Por incrível que pareça, alguns gerentes de casas de show tem a cara de pau tão deslavada que batem no peito com orgulho dizendo que Fulano ou Beltrano cantam pra eles de graça o tempo que eles quiserem. Algumas boates de Uberlândia chegam a exigir do cantor que, caso queira uma data exclusiva e remunerada, ele faça “participações” em outros shows realizados na casa. Algumas duplas chegam a cantar durante um ano e meio nesses locais sem receber um centavo. E quem disse que o gerente marca a porcaria da data? Só quando o cara consegue provar que é capaz de encher a casa, o gerente muda de postura. Foi assim com a gente: depois do show no Coliseu, com casa lotada, a gente passou a receber nas boates.

Como se não bastasse, cada dia que se passa está mais difícil cobrar um preço justo por um show. Entendam: para que um show seja bem realizado, são necessários aproximadamente 6 profissionais (além da dupla). 4 músicos, um produtor/holdie/faz-tudo e um técnico de som. O preço mínimo cobrado por um profissional free lancer é R$ 100,00. Alguns chegam a cobrar R$ 300,00 por uma noite tocando. Sendo assim, o preço a ser cobrado por um show teoricamente não pode ser inferior a R$ 800,00 (cem reais pra cada um incluindo a dupla), sem contar transporte, alimentação, estadia.

Acontece que, pelo menos aqui em Uberlândia, o mercado parece ter entrado num consenso geral: pagar de R$ 300,00 a R$ 500,00. Isso mesmo, nesse preço a dupla tem que se virar com banda e com os demais profissionais. No fim das contas, sobra no máximo uns R$ 60,00 pra cada um. Os caros leitores podem até pensar: ah, já tá bom. Nananinanão!!!

Saca só os preços das coisas que estão incluídas num show:

– 2 violões: R$ 1000,00 cada
– viola caipira: R$ 1000,00
– bateria: R$ 3000,00
– Baixo R$ 1000,00
– Guitarra: R$ 1000,00
– Acordeon: R$ 5000,00
– Encordoamento de cada instrumento: R$ 30,00 em média
– Microfones: R$ 200,00 cada
– Cabos: R$ 30,00 cada
– etc, etc e etc.

Olha que eu botei os preços de produtos que, ainda que tenham qualidade, são baratíssimos. Eu já disse em outro post que um acordeon chega a custar R$ 20000,00. Então me expliquem como cobrar tão barato por um show com custos tão altos de manutenção. Tem que tocar muito pra recuperar toda a grana. É praticamente uma continuidade da palhinha. De canja em canja, a gente acaba virando galinha

Semana que vem, mais uma história sobre o mesmo tema: o tempo em que a gente (junto) tocava e ficava cada um com R$ 10,00!!!

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.