26 dez 2008 | Lançamentos
Diário de um cantor sertanejo – Renda Extra
Atrasado, atrasado e atrasado!!!

Hoje vou contar como é importante pra músicos de barzinho, assim como eu, terem um produto físico pra vender durante suas apresentações. Quando eu digo “produtos físicos”, me refiro a CDs, DVDs e demais souvenirs passíveis de venda e cuja produção se encaixe no escasso orçamento disponibilizado pelos cachês dos botecos.

Vou explicar melhor através do meu próprio exemplo. Desde que começamos a nos apresentar nos bares, procuramos ter um trabalho em mãos para complementar a renda. O nosso primeiro CD é beeeeem amadorzão, mas inegavelmente nos ajudou a entender melhor a importância de se ter esse trabalho em mãos.

Funciona mais ou menos assim: começamos a tocar por volta das 20:00 hs e cerca de duas horas ou duas horas e meia depois fazemos um intervalo. Durante o intervalo, no entanto, não descansamos. Pegamos os nossos CDs e saímos de mesa em mesa oferecendo pra cada pessoa que estiver no bar. Essa venda tem que durar no máximo meia hora, já que é esse o tempo do intervalo.

O bom dessa batalha de vender os CDs é que de vez em quando a gente encontra figuras interessantes. Tem uns que se empolgam e começam a bater papo, o que é bom, mas naquela hora só faz atrapalhar, já que o tempo do intervalo está passando. Aí a pessoa vai contar de quando ela cantava não sei aonde e emenda uma história na outra. Outro tipo de pessoa que a gente encontra é o “revoltado”, que já emenda logo uma frase do tipo: “ora, se eu estou pagando o couvert pra quê tenho que pagar pelo seu CD???” Parece que a pessoa não tem consciência de que só precisa comprar se quiser. Não obrigamos ninguém a comprar o nosso CD. O tipo mais comum no entanto é o que fica olhando o nome das músicas durante loooongos minutos e perguntando quem canta cada uma das músicas: “essa quem canta? E essa? E essa aqui?”. O negócio é ter jogo de cintura. Temos que saber contornar cada situação e partir para a próxima mesa de cabeça erguida e com um baita sorriso no rosto.

O custo desse tipo de produto já foi abordado em outros posts do nosso blog. Então, se o músico tem condições de bancar pelo menos a produção inicial, seja através das próprias expensas ou através de patrocínio, é um investimento que se paga muito rápido. Em cada bar que tocamos, dá pra vender em média 15 CDs, a R$ 10,00 cada. No entanto, já chegamos a vender 45 CDs numa mesma noite. Ou seja, é algo meio imprevisível, mas não raro o valor arrecadado com a venda de CDs supera o valor do cachê da noite.

Mesmo em shows grandes, os cantores costumam colocar pessoas para vender CDs em meio à multidão. Tudo porque realmente vale a pena. O dinheiro arrecadado é muito alto. A dupla Chrystian & Ralf alega ter vendido mais de 100000 cópias do mais recente CD apenas em shows, só pra citar um exemplo.

Se você é cantor, faça um CD, mesmo que bem simples. Não há negócio melhor que divulgar seu trabalho com um produto concreto, ainda que não tenha tanta qualidade. O público hoje não liga muito pra isso. Então, se dá pra ganhar uma grana extra, por que não aproveitar?

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.