21 nov 2008 | Lançamentos
Diário de um cantor sertanejo – Tentando ser um produtor
Continuando a partir da história da semana passada…

Com o 1° CD pronto, e bem aquém do que a gente esperava, mesmo tendo gasto um dinheiro razoável na produção, continuamos trabalhando. Só pra matar a curiosidade de quem quer saber quanto gastamos nesse primeiro trabalho: o preço inicial combinado era de mais ou menos R$ 1500,00, mas acabamos gastando quase R$ 3000,00.

Eu tinha observado o método de trabalho do produtor, o que me fez pensar: pô, eu consigo fazer isso. Resolvi então me aventurar por um campo onde eu jamais tinha andado – a produção musical. Em nossa casa tinha um quarto separado ao fundo. A meu pedido, meu pai providenciou centenas de cartelas de ovo vazias, para que eu pudesse montar um ambiente acústico isolado no tal quarto. Três dias de trabalho e muita cola de sapateiro depois (só isso segurava as cartelas na parede), o quarto estava finalmente pronto. Nem preciso dizer o quão doidão fiquei com tanta cola de sapateiro. Ainda bem que não me viciei, hehehe.

Meu computador não tinha uma placa de áudio boa. Comprei, então, outra placa, um pouco “menos pior de ruim” que a que já tinha no computador. Não tinhamos também monitores, aquelas caixas amplificadas de estúdio. Peguei o microsystem lá de casa mesmo e fiz uma gambiarra ligando estéreo na nossa mesa de som. Para a gravação, eu comprei também um microfone condensador. Na verdade, foi a única coisa realmente boa, ainda que barata, usada no CD.

Por indicação de um amigo, baixei (no E-mule) um programa de edição de áudio chamado Cool Edit. É uma versão beeeem mais antiga do Adobe Audition. Só que, de fato, era o programa de qualidade mais simples para iniciantes como eu. Pra você que pensa em se aventurar na mesma área, saiba que existem os bons programas (Pro Tools, Sonar, Cubase, Sound Forge, Cool Edit) e os ruins (Audacity). Então é só uma questão de pesquisa. Comecei a fuçar no programa, pra aprender como trabalhar com ele. E a coisa foi fluindo aos poucos.

Depois que fiz uma faixa de teste, a gente se empolgou. Ficou legal mesmo, pra um iniciante como eu. Pra economizar e pra prestigiar a nossa banda, os meninos que tocam com a gente gravaram cada um o seu respectivo instrumento. E ficou bom. Comparando com o nosso primeiro CD, a disputa era pau a pau em questão de qualidade.

Selecionamos o repertório e resolvemos fazer o novo CD, comigo mesmo na produção. Alguns meses depois de muito trabalho, de muita “fussação” no programa, o CD estava, herrrrr, pronto. É claro que jamais poderia ser considerado tão bom quanto um CD produzido em estúdios de última geração. Mas até que ficou pelo menos no mesmo nível do primeiro CD. Eu até usei um recurso que muita gente usa hoje em dia. Baixei sons de ambiência e inseri no CD, de modo que, ainda que artificalmente, se tornasse Ao Vivo.

No fim das contas, o CD saiu a um custo de cerca de R$ 300,00, sendo R$ 200,00 do microfone, R$ 50,00 da placa de áudio e R$ 50,00 da cola de sapateiro, exceto pela faixa “Sempre Seu”, cuja história já contei aqui. As cartelas de ovo tinham sido de graça e os meninos não me cobraram nada para gravar seus respectivos instrumentos no CD. Pra um primeiro trabalho, fiquei inicialmente satisfeito com minha performance como produtor. Mas hoje, quando eu ouço o CD, bate uma vergonha, um remorso. O que me faz pensar em como a gente até hoje não fez um CD decente, competitivo. Era hora de mudar, de competir no mercado com material de qualidade. E é o que estamos fazendo agora, com um alto investimento num trabalho de qualidade, que será, inclusive, masterizado em estúdios de altíssimo nível (ainda não escolhemos o estúdio que vai masterizar, então aceitamos sugestões). Aguardem. Em breve um trabalho realmente bom da minha dupla.

Ah! Se você quer ouvir os nossos dois primeiros CDs, clique AQUI para baixar as músicas, mas pelamordedeus não repare na qualidade.

Abraços.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.