09 mai 2009 | Artigos
Diário de um cantor sertanejo – Uma mala esquecida e uma contratante caloteira
Hoje mais uma historinha de viagem pra vocês.

Em algumas de nossas tocadas fora da cidade de Uberlândia, costumávamos nos apresentar num bar na cidade de Cristalina – GO. Por intermédio de um amigo, o Eddy Novaes, que nos inseriu (sem duplo sentido) no mercado da música, recebemos o convite da dona do bar para nos apresentarmos lá.

O combinado era tocarmos na sexta e no sábado no Sancho Pança, um dos principais bares da cidade na época. Na ocasião, fomos em 4 pessoas: eu, meu irmão, o violonista e o baixista. Sucesso absoluto na apresentação. Não esperávamos que fosse ser tão bom o nosso singelo show. A playboyzada da cidade foi toda para o bar no dia da nossa apresentação. Mulherada a rodo, dando em cima da gente Enfim, tudo uma maravilha.

Como se não bastasse o excelente show, a casa da dona do bar. onde ficamos hospedados, era dotada de sauna, piscina, rede. Fora o churrasco que fizeram quando estávamos lá. Tudo uma maravilha. Sem contar a anfitriã, dona do bar, que era uma gata. Saímos de lá com mais uma data agendada.

Ao chegar em Uberlãndia, percebi que tinha esquecido uma troca de roupas lá em Cristalina. Mas tudo bem, afinal eu estaria voltando lá em alguns dias.

Chegando o dia do nosso retorno, todos nós na maior empolgação. Até o nosso baterista/percussionista deu um jeito de matar o serviço pra poder ir. Chegamos lá na maior ansiedade, o que acho que atrapalhou minha mente. E não é que quando chegamos em Cristalina é que fui perceber que deixei minha mala em casa. Enfim, eu estava somente com a roupa do corpo, roupa com a qual eu tinha ido trabalhar naquele dia.

A minha sorte é que a troca de roupa que eu tinha esquecido em Cristalina ainda estava lá, firme e forte. Mas era uma camiseta velha e uma bermuda. Deu no máximo pra juntar e disfarçar a camiseta e a camisa com a qual eu já estava, formando um conjunto meio tosco, mas eficaz. Meu chapéu tinha ido, por sorte.

Mesmo com minha cabecinha não funcionando corretamente, estávamos ainda empolgados com a possibilidade de mais um show maravilhoso, de mais mulherada dando em cima da gente, etc, etc e etc. Mas no fim das contas, outra decepção. Pouquíssimas almas vivas foram conferir nossa apresentação. Voltamos para Uberlândia bem cabisbaixos.

Alguns dias depois, ficamos sabendo que o pessoal tinha vendido o bar, mas nos indicaram aos novos donos para eventuais contratações. Acabamos sendo convidados pela nova dona para mais uma apresentação. Dessa vez numa quinta-feira. Chegando lá, fomos para o hotel nos ajeitar. O ruim é que a gente não poderia usurfruir das benésses do hotel, já que teríamos que voltar para Uberlândia ainda de madrugada, pois eu tinha trabalho na sexta às oito da manhã.

Tocamos e novamente ninguém pra prestigiar. Tudo bem, afinal era uma bruta quinta-feira. Estávamos só no aguardo do pagamento para podermos vazar na braquiara quando a nova dona do estabelecimento me chama num canto com o seguinte discurso: “olha, você viu que não deu ninguém e nosso caixa tá sem dinheiro pra eu te pagar o combinado, então vamos fazer assim: te pago X hoje e amanhã cedinho deposito o restante na sua conta, ok?”. Estávamos com pressa e não poderíamos esperar até o dia seguinte de manhã. A solução foi aceitar.

Agora me perguntem se recebi um só centavo do que ela havia prometido depositar no dia seguinte. Nada, necas, ni, liso. Foi assim que ficamos depois de pagar a gasolina pra encher o tanque da Morgana, lisos. E o que é pior: liguei duas vezes pra cobrar e a mulher disse que ia depositar. Da terceira vez que liguei em diante, ela deixava o telefone chamar até cair.

Como não era uma quantia que compensava sairmos de Uberlândia só pra ir lá tentar receber, deixamos pra lá. Ruim para os bons contratantes, já que agora só saímos de Uberlândia quando recebemos antecipadamente, ou quando quem arruma o show é alguém de confiança, ou quando tem alguém na cidade pra receber o cachê caso o contratante não possa pagar no dia. No mais, prefirimos deixar nossas bundas quietinhas no sofá de casa.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.