21 abr 2011 | Artigos
DVD Fred & Gustavo – As Aventuras de Timpin na terra das Minas, Gerais & gostosas
Parar falar das aventurar na gravação do DVD da dupla Fred & Gustavo sob uma visão menos técnica que a minha e mais ligada à diversão do evento, ninguém melhor que o nonsense, maluco e pouco ortodoxo Timpin. Não preciso nem dizer que cada colunista do Blognejo tem direito à sua própria opinião. Aliás, tentei desesperadamente convencer o Timpin a mudar certos trechos ambíguos do texto, mas acabei não conseguindo, hehe. O Hômi é duro na queda. Então divirtam-se.

Foi um dos finais de semana mais divertidos de minha vida. Fazer a cobertura da gravação do DVD da dupla Fred & Gustavo, recém contratados pela agência Clube do Cowboy. De quebra, a oportunidade de conhecer a cidade de Uberlândia. Mas não só, o gerente Marcão teve a sensacional idéia de convocar para o evento alguns dos principais blogueiros da música sertaneja. Só que não avisou ninguém.

A coisa foi assim. Chegando no aeroporto uma van aguardava os convidados para o translado para hotel. Assim que o tiozinho ergueu a plaqueta de identificação um pequeno grupo se formou. Ninguém se conhecia, uns olhando pros outros com cara de desconfiados. Até tentei puxar assunto com um deles, mas a prosa não se esticou.

No hotel, mais estranheza ainda, os estranhos iriam dividir quartos. Não sei se foi sorteio, destino ou sacanagem do Marcão, mas calhou de eu dividir o quarto com o cara que puxei assunto na van, um polaco com cara de psicotata. Entrei na suíte mais cabreiro que coroa em primeiro exame de próstata.

Mas não, o cara era gente boa e sua história é bacana. Era o MauMau, curitibano ufanista, começou há cinco anos atrás com um blog de downloads, que depois evoluiu para postagens de entrevistas em vídeo e atualmente está pela bola 8 de virar um canal de TV de verdade, a TV Sertaneja, prevista para entrar no ar pela Net e com patrocinador de peso. E olha que o cara tem talento tanto como apresentador quanto entrevistador. Ainda estava eu, dividindo o quarto com o futuro âncora dos modões e das violadas.

Não demorou muito, bateram na porta. Era o Marcão, que já chegou chegando enaltecendo meus dotes físicos e invadindo meu Twitter. Foi aí que ficamos sabendo que não éramos os únicos blogueiros presentes. Em um quarto no mesmo andar haviam outros dois exemplares desta espécie. Aí eu pensei: fudeu! É que blogueiro é uma racinha complicada de se juntar, coloca mais de dois em mesmo ambiente e o treco viro uma zona.

Quando o Marcão me levou pro quarto dos caras, fui mais preocupado que mulherengo em primeiro teste de HIV. Abriram a porta e olhei de relance por cima do ombro do Marcão. Um grandalhão de chapéu com pinta de funcionário de matadouro e um moreninho padrão sub 20 do São Paulo, parecido que só a porra com Richarlysson. Timpin status Tenso mode on.

Feitas as apresentações não demorou cinco minutos para que parecesse que éramos todos velhos conhecidos, amigos de roubar bergamota na infância. Outra característica de blogueiros principalmente do subgêneros é que são um trem de fofoqueiros coisa nunca vista. Não deu dez minutos e estava formado o Clube das Tricoteiras de Botas. Falaram de Deus, do diabo, do papa, do bispo e de todos os corpos de todas arquidioceses. Não sobrou pra quase ninguém, te juro. Claro, quase nada do que foi dito ali é publicável e euzinho acho também que quase nada do que foi dito ali é verdadeiro. Só literatura pra pagar pau de antenado.

No frigir dos ovos, acabei sabendo quem eram os outros dois figuras. O do matadouro responde pela alcunha de Boi Brasil e atualiza regularmente o melhor vlog de temática sertaneja do lado esquerdo da galáxia. O do Sub do São Paulo traz em seu RG o nome de batismo Marcelo e seu site Sertanejo Na Web é o Globo News do segmento.

A patota estava completa. Para o bem e para o mal. Eu e o Marcelo éramos os proletas da turma, sem digital, sem filmadora e com celulares sem créditos. Cada um dos outros três ostentava um filmadora mais fodona que a outra. A do Boi tinha uma objetiva de proporções pornográficas. Foi chegar a hora de nos dirigirmos para o show que os putos já apertaram o rec infernizando minha vida e a do Marcelo nos tirando trancafiados de BBB.

O show foi realizado num centro de eventos situado no terraço de um shopping. Precisava ver o nosso desfile no decorrer dos três andares do centro comercial. As meninas todas no olhavam de cima a baixo pensando que éramos de um banda que faria a abertura do show. Eu já tava vendo elas virem me pedir fotos e autógrafos. O Boi calçando uma boto de coro de jacaré era o sanfoneiro. O vocalista era o introspecto Marcelo. MauMau era o baterista com cara de mal e o bonitão aqui era o cara das violas e da segunda voz, vestindo uma jaqueta de couro style pra cacete.

Uma vez dentro da área Vip, pude dar vazão à minha faceta manguaçeiro mandando ver na cerveja do open bar, assim como conhecer a primeira dama do Blognejo. O Marcão o tempo todo dando uma de professora do primeiro ano primário contextualizando toda a pré-produção da gravação do show para que pudéssemos apreciar o evento da maneira mais completa possível e imaginável. Eu não tenho muita paciência para essas coisas e dei mais atenção ao open bar. Depois da roda, do fogo e da máquina de debulhar milho, os open bares foram os grande êxitos da humanidade.

E então começou o show. Toda vez que eu olhava pro Marcão ele tava olhando pra mim, pra ver se eu estava prestando atenção. Eu tava, porra! Só de vez enquando que alguma bunda gravitacional ou peito eletromagnético atraía minha atenção, mas coisa boba, coisa rápida. Até porque eu tinha encontro marcado com uma mina que chegaria atrasada e que não poderia entrar na área Vip que mui merecidamente me incluiu dentro. Um lord de ascendência merovíngia como eu obviamente não poderia ser tratado de uma maneira diferente.

A apresentação dos meninos foi impecável e a escolha do repertório corajosa, apenas músicas inéditas e todas composições próprias. A produção ficou a cargo do experiente Ivan Myazato, responsável pelo sucesso de Maria Cecilia & Rodolfo, dentre outros. Inclusive o casal participou de uma música, uma das melhores da noite. Outra dupla em plena ascensão que deu as caras foi Munhoz & Mariano, que recentemente faturaram o Garagem do Faustão e assinaram contrato com a Som Livre.

Da segunda metade do show não posso falar muito. Estava exercendo meus dotes raparigueiros correndo de um lado pra outro no shopping tentando encontrar a tal mina que tinha encontro marcado. A lazarenta na hora de dar o migué nos pais pra poder ir na balada perdeu ônibus e torrou todos seus créditos mandando SMS a cada quinze minutos com quase sempre a mesma mensagem. Tô chegando, tô chegando, tô chegando e nunca chegava. A mensagem derradeira antes dos créditos dela irem pras cucuias, foi de que estava sozinha, não tinha onde ficar e que não deixasse ela na mão. Beleza! Ótimo! A meia noite estava chegando, o shopping estava fechando e eu enfartando.

Quando consegui encontrar a maluca já era mais de meia noite e já estava alto por conta das cervejas do open bar. Após cinco minutos de retórica pós-romântica rolou o primeiro beijo e pudemos pegar o final do show, na parte da participação da dupla Marco Aurélio & Paulo Sérgio. Os caras são bons, confesso que não conhecia o trabalho deles e gostei tanto do que vi quanto do que ouvi. Presença de palco responsa e química perfeita com Fred & Gustavo.

Feliz pelo sucesso de meu xaveco e com a sensatez em modo off por causa da cerveja, ainda quase apanhei de um grupo de fãs por tentar puxar um coro meio ambíguo: “Fred & Gustavo, não vale um centavo!” Elas não entenderam a ironia, eu estava dizendo com isso que eles eram uns safadões. Paciência, fazer o quê.

O show acabou, fomos para um restaurante onde a Super Liga da Blogosfera Sertaneja matou a fome – exceto eu, que continuei na cerveja e na mina que estava comigo e que depois me levou são e salvo para o hotel e velou por minha segurança. E o MauMau? O MauMau pacotou assim que chegou – estava a dois dias sem dormir – e roncou mais que sanfona desafinada

E quando o dia raiou acordei sozinho, enjoado, dor de cabeça, perdidaço, sem lembrar direito o nome da dupla do show, sem achar meus tênis e sem atinar sequer ao nome da cidade onde estava. Foi só no elevador em direção ao café da manhã que as coisas foram clareando e só depois que tomei um canecão de café sem açúcar que me dei por sobrevivente e pensando que no dia que inventarem Lei Maria da Penha para fígado aí sim neste dia estarei fudido.

Nas mesinhas ao redor da piscina MauMau, Marcão e Boi entrevistavam Márcia Araújo, que participou na composição da música do Luan Santana que está na novela das sete, “Amar não é pecado”. Também entrevistaram um cantor que o tempo todo eu fiquei pensando que era o Beto Barbosa, mas que depois descobrir tratar-se de Luis Henrique. O cara é gente boa, deixou eu e MauMau no aeroporto e ainda nos deu uns CDzinhos.

Pra encerrar a conversa, que está se esticando além da conta e pra não dizer que tudo foram flores e também porque eu sou mala xaropinho da Mattel e nunca desperdiço uma oportunidade de dar aquela zuadinha básica, que fique registrado que recebi por lá o merchandising mais esquisito que já vi na vida. Balinhas com o nome da dupla. Quer dizer que se me perguntarem:

– Timpin, tá fazendo o quê?
– Chupando Fred & Gustavo…

Fala sério!

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.