30 mar 2009 | Reviews
Edson & Hudson – Despedida

No início da semana, recebi (em off) os arquivos do que seria o novo e derradeiro disco da dupla Edson & Hudson. Eu já estava ansioso para ouvir o disco, assim como sempre estou quando é um disco da dupla. Estranhei, no entanto, quando ouvi as conversas antes e depois de cada música, o que mostrava um clima amplamente descontraído dentro do estúdio de gravação. Na quarta-feira, comprei o DVD (original, já que os piratas andam em extinção aqui em Uberlândia) pra conferir se aquelas conversas descontraídas haviam sido inseridas no produto final. Ao perceber que a resposta para essa dúvida era NÃO e que o making off não tinha nada além de uma montagem com fotos e um fundo musical, cheguei a uma importante conclusão: o DVD foi gravado antes de a dupla decidir se separar. E o pior: Edson & Hudson querem fazer parecer que não. Basta ler esse trecho do comunicado oficial acerca da separação, que você pode conferir na íntegra clicando AQUI:

Ainda no primeiro trimestre lançarão o penúltimo trabalho da carreira “NO ESTUDIO E AO VIVO” e ao término da dupla, em 31 de dezembro de 2009, subirão ao palco para gravar o ultimo CD/DVD chamado “DESPEDIDA”.

É importante ter dito isso para que vocês entendam a nota dada ao final deste review. Tratava-se, até um certo dia, de mais um genial trabalho da dupla Edson & Hudson. No entanto, a partir do anúncio do fim da dupla ao final deste ano, este DVD passou a ter uma importância bem maior, afinal seria o último trabalho de uma das mais importantes e talentosas duplas da fase contemporânea da música sertaneja. Com o DVD já gravado, o que poderia ser feito então? Nada, a não ser alterar o que pudesse ser alterado para que o clima descontraído durante a gravação não desse a entender que a separação não aconteceria. A meu ver, no entanto, foi um tiro que saiu pela culatra.

Expliquemos. O título do trabalho é “Despedida”, mas não há nada no disco, exceto a embalagem do DVD e a arte do Menu, que realmente mostrem isso. Ou seja, o esforço para mostrar que essa separação está se dando da maneira mais cordial possível não está surtindo efeito. Ora, se é uma separação cordial, porque não há qualquer depoimento no DVD? Era de se esperar, obviamente, uma chuva de depoimentos de parentes, amigos, e da própria dupla acerca do fim da dupla, mostrando que eles ainda se amam, que ainda são irmãos e que cada um seguirá seu caminho na boa, sem qualquer mágoa ou ressentimento. Por que isso não aconteceu? Por que não seguiram o cronograma e deixaram o trabalho de despedida realmente para o fim do ano? Por causa dessa pressa em dar fim à dupla, é óbvio, sabe-se lá por que. Por isso mesmo, essa análise deve ser feita como se esse não fosse o último trabalho da dupla, mesmo porque os problemas de bastidores não prejudicaram nem um pouquinho o resultado final. Muito pelo contrário.

O disco conta com 15 músicas, inéditas nas vozes da dupla. Todas as músicas são de autoria do Edson ou do Hudson, às vezes em parceria com seus frequentes colaboradores, como Flavinho, Vinícius X, Felipe, Brandoff e Henrique Marx. O Bruno ficou de fora, o que alimenta os boatos de que ele e o Edson já não se dão bem como antigamente. São 3 versões apenas, o que já é uma vantagem para eles, que são uma das duplas que mais gostam de gravar versões. Dentre elas, uma de “Radio”, da dupla country Big & Rich, uma de “What’s Your Name”, de Lynyrd Skynyrd, e uma do mega sucesso “I want to know what love is”, do grupo Foreigner.

Entre as outras músicas, algumas que já haviam sido gravadas por outras duplas, mesmo sendo de autoria dos dois. “Frio da Madrugada”, maravilhosa música do Hudson, já havia sido gravada por Marcos & Belutti. “Tropé”, do Edson, já havia sido gravada por Emílio & Eduardo. Todas as outras creio que sejam inéditas. Na produção, reeditaram a parceria com o Maluly, que havia sido realizada em boa parte dos discos da dupla. Mas desta vez eu acho que o Maluly não fez nada mais que coordenar a captação e a mixagem.

Na minha concepção, esse disco ficou totalmente por conta do Hudson, até por conta da nuvem negra da separação. Eu já disse em outras ocasiões que essa separação parece estar doendo mais no Edson que no Hudson. E creio que seja por isso que o Edson transferiu muito da responsabilidade quanto à identidade da dupla ao irmão nos últimos tempos: pra tentar evitar que o fim chegasse.

Edson & Hudson nunca passaram por uma fase tão rock. A guitarra do Hudson nunca havia sido tão importante quanto nos últimos trabalhos. Todos os arranjos deste novo disco foram concebidos pelo Hudson. Toda a parte da banda foi coordenada por ele. Afinal, a banda do DVD é a Rollemax, que pra quem não sabe é a banda do Hudson. Da banda da dupla, sobrou apenas o tecladista Orlan Charles e sua camiseta do seriado Lost. No mais, uma ajuda do Agostinho na sanfona e do Caixote nos teclados e pianos, em revezamento com o Orlan, além de uma participação do Marquinhos, sanfoneiro do Tchê Garotos, na música “Comendo um filé”. O resto ficou todo por conta da Rollemax e por isso mesmo o som mudou e ficou, como se fosse possível, ainda mais pesado.

Muitas coisas já mostravam, desde sempre, que Edson & Hudson não seguiam o esquemão tradicional da música sertaneja. Não gostam de backing vocals tradicionais, nem de percussões, apesar de terem utilizado no último CD. Como no rock, quem dita o ritmo é a bateria e a guitarra. Algumas das canções ganharam batidas totalmente inéditas na música sertaneja. A mais inusitada, sem dúvida, é a faixa “Parabéns pro amor de nós dois”, do Edson e do Felipe. Outras ganharam contornos de rock aliados às tradicionais batidas sertanejas, como as faixas “Tropé”, “Aumenta o som” e “Vem também”.

A grande sacada desse disco é a gravação dentro de um estúdio, como se fosse não mais que um ensaio. Rick & Renner já haviam gravado um disco com a mesma idéia, mas o de Edson & Hudson é muito mais autoral e inteligente, sem sombra de dúvida. Seguindo realmente um cronograma de ensaio, a banda foi disposta em círculo, com o vocalista principal no meio, no caso o Edson, com mais liberdade de locomoção. Como em estúdios de ensaio, instrumentos velhos, pessoas curiosas e tudo mais dispostos nos cantos da sala. Pra dar o efeito necessário ao vídeo, nada mais que alguns movings dispostos em todo o espaço. Para a direção, Santiago Ferraz, o mestre do basicão em gravações de DVD. O cara não chegar a ser um poço de criatividade, mas manda ver na captação e edição do vídeo, o que nesse caso era o que realmente importava.

Quando ouvi o disco no início da semana, a sensação foi muito estranha. Somente uma pergunta vinha à minha cabeça: por que? Como poderia uma dupla tãããão incrível se separar? Como os caras são tão malvados a ponto de deixar, como último trabalho, nada menos que o melhor de todos os discos que já haviam lançado. Esse disco é uma aula, uma pérola, uma preciosidade, rara nos dias de hoje. É incrível como fizeram um disco tão superior aos outros, ainda que sem saber que seria o último da dupla.

Às vezes até dá pra pensar que essa despedida havia sido premeditada, apesar de as evidências mostrarem que não. Premeditada ou não, é fato que essa despedida não poderia ter sido mais incrível. O disco é tão, mas tão, mas tão, mas tão, mas tão, mas tão bom, que definitivamente os fãs de Edson & Hudson ainda vão poder viver por um bom tempo da nostalgia que o fim dessa dupla vai provocar. Um dos maiores cantores que a música sertaneja já viu junto com um dos maiores instrumentistas e segundeiros da história. É provável que esse tipo de parceria não mais possa ser vista. Mas mesmo se for, nada e nem ninguém vão conseguir se comparar ao que é, foi e sempre serão Edson & Hudson.

Nota: 10

12 comentários
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.