13 jan 2011 | Artigos
Elas queriam ser Maria Cecília…

Eu tenho três sobrinhas pequenas: Bárbara, Isabella e Juliana, que são fãs de Maria Cecília & Rodolfo. Na época do lançamento do primeiro DVD, há pouco mais de um ano, elas vieram me pedir para filmá-las imitando Maria Cecília, e é claro que concordei. Com uma ajudinha da avó, minhas camisas brancas viraram vestidos e os cabelos ganharam rabos-de-cavalo, tudo para ficarem parecidas com a cantora.

Bárbara, a mais velha, com 12 anos na época era a mais empolgada, Isabella, de 6 anos, não se continha de tanta felicidade e, para Juliana, a menorzinha, com pouco mais de 1 ano, tudo era festa. Felizes da vida, cantaram, dançaram e imitaram a estrela. Naquele momento, eu tive certeza do efeito que a cantora causava nas meninas: ELAS QUERIAM SER MARIA CECÍLIA.

Vivendo uma fase de descobertas, aquela do primeiro amor, Bárbara se identificava com as letras das músicas, principalmente as românticas, e não parava de ouvi-las. Na festa de 7 anos de Isabella, só houve uma exigência: Maria Cecília & Rodolfo em alto e bom som para dançar com as amiguinhas. Esse encantamento das minhas sobrinhas pela dupla se manteve assim.

Para uma amiga psicóloga, esse sucesso de Maria Cecília junto ao público infantil se deve principalmente ao fato dela passar uma imagem de estrela teen, assim como Sandy há alguns anos, e que no momento está em falta no Brasil (aquela personagem com a qual as adolescentes se identificam e as crianças imitam). Papel que Xuxa e Angélica ocuparam muito bem nas décadas de 1980 e 1990 e que depois foi assumido pela filha de Xororó. Nos Estados Unidos existem várias “estrelas teen”. Entre as mais famosas estão Taylor Swift, Vanessa Hudgens e Miley Cyrus.

Passados alguns meses, percebi que o interesse das garotas pela dupla diminuiu um pouco. Então, um dia perguntei para a mais velha:

– Bárbara, não te vejo ouvindo Maria Cecília & Rodolfo, você não gosta mais?.

A resposta me surpreendeu: – Tio, a Maria Cecília mudou muito, não é mais “tão legal”.

Fiquei pensando naquilo,  o que teria mudado na jovem sul-matogrossense para que não fosse mais “tão legal”? Por sugestão da  garota, fui ouvir  as músicas mais antigas, principalmente aquelas do primeiro CD, ao vivo no Estoril, e percebi que  realmente a voz da cantora mudou. Antes,  um pouco mais doce e suave, e hoje está mais grave.  A aparência da moça também mudou, o que era uma imagem de menina, com cabelos compridos e escuros,  roupas básicas e maquiagem discreta, agora se mostra mais glamourosa, com cabelos louros, maquiagem carregada e roupas fashion.

Mas podem mudanças como estas diminuir o interesse dos pequenos? Para que isso não aconteça, agradar os atuais fãs e  ainda granjear novos seguidores, a dupla criou o Clubinho, site voltado para o público infantil cheio de atrações lúdicas, e que tem se mostrado uma grande jogada. Apresentei o site para as meninas e as menores gostaram muito, principalmente do videokê, já a mais velha preferia a Maria Cecília de antigamente.

Se essa mudança realmente aconteceu e não é mero devaneio das crianças, o que a teria motivado? A expectativa de ganhar um outro tipo de público, talvez mais adulto? Seria por isso a mudança no visual da cantora? Se for mesmo essa a intenção, quanto pode custar perder um público para ganhar outro?

A pergunta é de difícil resposta, porém ainda há outra questão que merece ser mencionada: a relação fã x ídolo. É diferente a relação que as garotas tem com Maria Cecília da ligação que elas tem com Luan Santana, Justin Bieber, Fiuk ou os coloridos do  Restart, onde os astros são como deuses. Por ser também uma menina, Maria inspira (ou inspirava) um outro tipo de sentimento nas garotas: identificação. Letras melosas e inocentes aliadas a uma aparência quase angelical, faziam com que esse público pensasse na cantora como uma amiga que sofria dos mesmos problemas cantados nas músicas (tristeza, felicidade, desilusão, alegria, etc.) e assim tornavam-se cúmplices.

Claro, esta visão é apenas uma das muitas que não podem deixar de ser analisadas pela equipe de Maria Cecília & Rodolfo na hora de compor a personagem.  Se as crianças percebem as mudanças (assim como as  minhas sobrinhas perceberam),  é um claro sinal de que qualquer mudança precisa ser minuciosamente  estudada. Ou todo o diferencial que faz Maria Cecília & Rodolfo ser considerada uma dupla especial e com carreira bastante promissora pode ir por água abaixo.

Para continuar fazendo sucesso e não deixar a peteca cair em dois ou três anos, são necessárias estratégias pensando em todos os públicos, mas principalmente naqueles que costumam seguir seus artistas por toda a vida. E isso é algo que  o público infanto-juvenil sabe fazer muito bem, vide Sandy & Junior e KLB que tem fãs, pequenas e grandes e muitas delas fiéis até hoje. Só assim o sucesso de verdade estará garantido por anos e anos.

136 comentários
  • cecilia moreira borges: (responder)
    26 de abril de 2013 às 13:56

    a maria cecilia e rodolfo são os cantores mais lindos do mundoooooo !eu amo eles !

  • Mylena: (responder)
    3 de julho de 2013 às 00:41

    Eu discordo totalmente disso. A Maria é um amor de pessoa, nunca vi uma pessoa melhor e humilde. Todo mundo muda,o mundo gira meu filho. A Maria não é mais uma garotinha e sim uma mulher casada que merece respeito viu. Então lava essa sua boca com sabão antes de falar merda da minha ídola, rainha da familia MC&R! Só quando o queixo bate na merda a gente aprende a nadar! Vai cuidar da sua vida, o nome dela não é lixo pra estar na sua boca cheia de merda. Faz melhor valentão. Fica o recado babaca!

  • Wynell Forck: (responder)
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.