24 nov 2009 | Artigos
ESPECIAL – Fã ou Fanático, Quem Está Certo?

De tempos em tempos costumo trazer aqui no Blognejo abordagens mais diretas sobre determinados assuntos envolvendo esse ou aquele artista em especial. Assim como no Blognejo, tal postura pode ser observada em parceiros como o Território Sertanejo e o Cabaré do Timpim. O motivo do texto de hoje é simples: tentar esclarecer os pontos positivos e negativos da postura daqueles leitores que comentam estes textos. Decidi deixar passar um tempo desde a última crítica mais incisiva por parte do nosso blog. Assim poderia escrever sobre o assunto de forma mais neutra e talvez os leitores pudessem ler o texto de maneira mais imparcial.

Vejam bem, há cerca de 1 ano o Blognejo postou um texto sobre o mais recente disco da dupla Luiz Cláudio & Giuliano. Para quem não se lembra, a crítica foi negativa, o que causou uma intensa mobilização por parte dos fãs da dupla e a posterior chuva de ofensas pessoais ao autor do blog por parte destes mesmos fãs. Engraçado que essas ofensas diziam respeito, em sua maioria, à virtual inveja que o blogueiro sentia da dupla por não conseguir atingir o status de sucesso que tinham atingido. Recentemente, recebi comentários no mesmo sentido, desta vez por criticar a postura da dupla Victor & Leo na última coletiva de imprensa, quando surgiu a polêmica das declarações no sentido de não se considerarem uma dupla sertaneja.

Nosso parceiro Fabinho Dornelles, através do site Território Sertanejo, também postou um texto abordando alguns pontos que poderiam ser preocupantes para o bom andamento da carreira dos dois (Victor & Leo). Para variar, foi rechaçado nos comentários. Frases do tipo “Bando de palhaço, vão mentir no inferno, como vcs são medíocres, mercenários enfim não tenho palavras pra expressar tamanha indignação pela reportagem descabida como esta e pelo autor , (intelijumentico analfabetico), mistura fatos a mentira” surgiram às pencas no espaço destinado a comentários do blog parceiro.

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Nosso também parceiro Timpim postou em sua coluna na MTV alguns textos que tinham o singelo objetivo de sustentar uma opinião às vezes contrária à postura adotada por determinados artistas. Num texto onde compara a dupla Maria Cecília & Rodolfo com a extinta dupla Sandy & Junior, o autor recebeu, claro, uma avalanche de comentários excomungando-o para sempre, ameaçando mãe, pai, filhos e esposa. Noutro texto, comparando a trajetória recente dos cantores Luan Santana e Michel Teló, o Timpim também foi colocado abaixo dos cachorros.

Aqui no Blognejo, essa postura nos comentários já é de praxe. A coisa chegou a níveis tão estapafúrdios que hoje em dia alguns leitores enxergam chifre em cabeça de cavalo e ofendem o autor mesmo que esse não tenha feito nenhuma crítica a nenhum artista em questão naquele determinado post. A coleção de inimigos do Blognejo aumenta cada vez que postamos uma crítica um pouco mais dura acerca da postura ou do trabalho deste ou daquele artista. E esses inimigos aparentemente passaram a adotar como rotina diária a leitura de cada um dos textos postados aqui, buscando qualquer palavra ou expressão que pudesse ser dissecada e transformada em motivo para uma réplica de baixo nível.

Só para citar exemplos de interpretações exageradas de postagens do Blognejo: numa ocasião, brincamos na seção “Sertão sem noção” com o nome “De Volta aos Bares” dado ao CD e DVD da dupla Bruno & Marrone. Um leitor alegou que eu aproveitei a postagem para dizer que a dupla Bruno & Marrone fazia poucos shows. Digam-me: onde será que ele enxergou essa interpretação? Noutra ocasião, durante a cobertura do CAMARU 2009, postei um texto relacionado à dupla Jorge & Mateus e à dificuldade em chegar até eles no dia do show. Alguns leitores interpretaram o texto de forma a achar que eu estava criticando a dupla. Poxa, eu simplesmente descrevi os fatos como aconteceram, sem colocar em nenhum momento a culpa sobre eles. Afinal eles nem sabiam o que estava acontecendo nos bastidores.

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O que mais me estranha é que nunca atacamos os artistas na esfera pessoal. As críticas são inerentes única e exclusivamente à postura profissional e aos trabalhos lançados. Mesmo assim, os comentaristas (em sua maioria anônimos ou adeptos de pseudônimos) insistem em atacar o autor de forma suja, baixa, com palavrões, ofensas e palavras que, ainda que vazias de interpretação e sentido, podem às vezes magoar. O que leva uma pessoa a dizer que o autor de um texto teve uma carreira musical frustrada só porque criticou essa ou aquela atitude profissional de um ou outro artista? Como se explica o fato de alguns fãs sempre enxergarem da pior forma o que está escrito num texto?

O artigo 5º da constituição federal expressa em seu inciso IV que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. No inciso seguinte, determina que “é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem”. Agora uma questão? Como medir o grau de proporcionalidade? A quem é dirigido o direito de resposta? Ao criticarmos uma postura, uma declaração ou um trabalho de um artista, será que a resposta válida conforme esse inciso da constituição é uma ofensa pessoal do mais baixo nível? Para aqueles que acreditam que sim, eu gostaria de saber o motivo.

Sites como o Blognejo, o Território Sertanejo e a coluna do Timpim, que optaram por tratar a música e seus artistas de forma neutra, imparcial, criticando quando necessário, elogiando quando merecido, pagam um alto preço por tal postura. Algumas críticas postadas aqui, por exemplo, são até hoje utilizadas como desculpa para ofensas pessoais dos mais variados níveis em comentários esporádicos, que às vezes nada tem a ver com a crítica de outrora. Chegamos ao ponto de alguns leitores se valerem dos nomes de leitores já antigos do site (como o Di Pietro, que já manifestou indignação de ver seu nome utilizado para fins que não são os que ele almeja) para postarem uma opinião contrária à do autor, mas sempre ultrapassando o nível tolerável de sutileza. A intenção é, sempre, atingir o autor na esfera pessoal. Como se esse ou aquele comentarista tivesse a mínima noção do que se passa além das paredes deste Blognejo.

O Blognejo nasceu há dois anos com o intuito único de se tornar um espaço inédito de debates, indagações, críticas e etc. Não mudamos de postura com o decorrer dos tempos. Apesar de alguns leitores acharem que somente de uns tempos pra cá é que passamos a adotar essa postura crítica, os textos do início do Blog podem dar uma noção do que sempre fomos. Ali no canto esquerdo, na seção “Arquivos”, temos todos os textos agrupados conforme o mês da postagem. Para quem tem interesse de saber como o Blognejo sempre se comportou, que tal acessar os textos mais antigos?

Afinal, em que ponto termina o amor de um fã para começar o fanatismo, o extremismo? Será que um fã de verdade deve simplesmente fechar os olhos para toda e qualquer palavra errada que saia da boca de um ídolo? Será que isso é ser um fã de verdade? Uma breve pesquisa no Google já prova que a palavra “fã”, apesar de derivar do termo “fanático”, descreve apenas a pessoa que admira um artista, objeto, idéia. Já o termo “fanatismo” denota a admiração que já atingiu níveis exagerados, extremos. Sendo assim, é correto falar que a pessoa que ataca uma crítica com uma ofensa pessoal pode ser considerada fã?

Lembramos, obviamente, que a postura do Blognejo e dos já referidos sites parceiros nunca foi a de pura e simples crítica. Por diversas vezes, por exemplo, elogiamos o trabalho de Victor & Leo, de Luiz Claudio & Giuliano, de Zezé di Camargo & Luciano ou de qualquer artista que tenha sido objeto de uma ou outra crítica mais incisiva. Basta lembrar do review do CD “Borboletas”, que recebeu nota 9,5 e ainda foi inserido no Top Five “Melhores discos de 2008”. Temos que aprender a separar o joio do trigo. Um artista também é, antes de tudo, uma pessoa humana, sujeita a erros e acertos, a atitudes louváveis ou nem tanto. O magnífico Zezé di Camargo que nos alegra com uma voz maravilhosa e interpretação fora do comum pode ser o mesmo que diz coisas do tipo “o sertanejo universitário é uma mentira musical”. A maravilhosa dupla Victor & Leo que faz canções maravilhosas como “Deus e eu no sertão” e “Moça Rebelde” (a melhor do mais novo disco) pode ser a mesma que reclama do fato de ser considerada uma dupla sertaneja.

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E o mesmo pode se aplicar aos autores dos referidos textos e a mim, autor dos textos do Blognejo. Como seres humanos, também somos capazes de acertar ou de errar, conforme a ocasião. Se a opinião expressada num texto não condiz com a do leitor, a réplica é um direito de todos. Deve-se pensar, no entanto, na proporcionalidade entre o texto e a réplica. Rebater uma crítica com uma ofensa pessoal é praticamente combater um canivete com uma bazuca. A diferença é gigantesca.

São os erros e acertos que permeiam a atitude de uma pessoa humana. Afinal aquele que não erra nunca provavelmente já atingiu um tal nível de divindade que a ele só resta criar uma tábua de mandamentos e mandar um dilúvio cair sobre o planeta Terra. Modéstia parte, me considero corajoso por continuar batendo nessa tecla e por manter a postura crítica do site, que é a mesma há dois anos. Corajosos também são os referidos sites parceiros, que, assim como o Blognejo, não se deixam levar pela ilusão do reconhecimento por parte dos artistas e não se omitem no sentido de jamais expressar a sua real opinião. O objetivo é fazer da música original brasileira (aqui incluída a música sertaneja) um segmento digno de uma abordagem imparcial e correta. Doa a quem doer. Almejamos, claro, uma interpretação mais correta dos textos por parte dos comentaristas. Mas isso já é algo que foge à nossa alçada.

3 comentários
  • Milford Anton: (responder)
    14 de julho de 2013 às 17:18

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.