21 jan 2010 | Artigos
ESPECIAL: Invente, tente, faça algo diferente!!!

dupla-sertaneja

Qual a diferença entre um artista sertanejo de sucesso e um artista em busca do sucesso? O que os que fazem sucesso têm que os que buscam o sucesso não têm?

Estamos passando por um momento delicado no segmento. Dezenas de artistas têm achado que a fórmula do sucesso é copiar o que um determinado artista de sucesso está fazendo. Isso traz pontos positivos? Depende do ponto de vista. Atualmente são só pontos negativos, como o desinteresse dos empresários e contratantes por coisas muito parecidas umas com as outras e, consequentemente, a queda drástica no valor das apresentações dos artistas menores. Leiam o que se segue e decidam se compartilham ou não da mesma opinião.

O que motivou este texto foi a frequência na reclamação de amigos contratantes e produtores de eventos com relação à falta de criatividade que ainda insiste em imperar no segmento sertanejo. O mais estranho, no entanto, é que a música sertaneja nunca passou por uma fase de tanta diversidade. Temos artistas sertanejos dos mais diversos estilos, coisa que não era concebível há alguns anos. O estranho é que há uma tendência dos novos artistas que vão aparecendo a cada dia de copiar o estilo de sucesso deste ou daquele. Tudo dependendo da região em que se encontram.

Parece chato eu ter que bater nessa tecla de novo, mas será que é tão difícil perceber que somente quem tem surgido com novidades é que tem se destacado? Porque tantos jovens artistas ainda insistem em copiar o estilo de outros que já fazem sucesso? Mesmo os artistas de boate ou de bar, a grande maioria têm o mesmo vício de repetir até o repertório uns dos outros. A desculpa é que o público quer isso. Será mesmo?

Cito como exemplo a cidade de Uberlândia. A cidade não é tãããão grande assim, e com isso as duplas e artistas que precisam de banda às vezes costumam contratar os mesmos músicos umas que as outras. E esses músicos fazem até piada com os repertórios, que são sempre a mesma coisa. Aqui em Uberlândia um apelido ganhou força entre os músicos free lancers: REPETITÓRIO. Afinal, como são todos a mesma coisa, todos repetidos, ficou mais fácil e sincero denominá-los assim.

É claro que a escolha do repertório dos shows dos artistas novos reflete o que está na boca do povo. E isso varia de tempos em tempos. Mas a base é quase sempre a mesma. Até as modas de viola se repetem. E olha que tem gente que observa até as modas de viola. Um desses amigos contratantes me reclamou recentemente do fato de as duplas acharem que por “moda de viola” entende-se apenas “Pagode em Brasília e similares”. Ele pediu a música “Catimbau” e cantaram “Pagode em Brasília” num bar certa vez.

O que se observa, pelo menos por aqui, é que uma das duplas cujo estilo mais tem sido copiado é a dupla Jorge & Mateus. Na época em que eles despontaram para todo o Brasil, eles meio que impuseram um certo cronograma das apresentações dos novos artistas. 1) Músicas antigas com uma levada moderna, 2) Axés, 3) Pagodes de Viola, 4) Músicas Dançantes, 5) As tradicionais baladas universitárias inéditas. Cronograma que já era uma variação daquele lançado alguns anos antes pela dupla César Menotti & Fabiano, o que demonstra nesse caso a grande influência do maestro Pinnocchio. A partir deles (Jorge & Mateus), no entanto, é que se notou uma repetição exagerada de estilo por parte dos novos artistas. Como Jorge & Mateus tem um grande apelo junto aos jovens, os novos artistas que foram surgindo começaram a querer copiar o estilo de apresentação que eles popularizaram.

E com a música sertaneja se estagnando no mesmo estilo de apresentação, os artistas que foram aparecendo com algo diferente foram se destacando. Como exemplos, citamos Fernando & Sorocaba, Luan Santana, João Carreiro & Capataz e outros. Afinal se uma pessoa quer curtir um show da dupla Jorge & Mateus, ela vai atrás do Jorge & Mateus, e não do Fulano & Beltrano que copiam tudo o que Jorge & Mateus fazem. É por isso que eles conquistaram um grande espaço. Porque vieram com algo diferente e se destacaram dos outros. Quer outro exemplo melhor de “algo diferente” que Victor & Leo, só pra dizer um? Estranho, aliás, como temos pouquíssimos novos artistas que copiaram o estilo de Victor & Leo.

O que fazer então para se sobressair e conquistar o interesse dos contratantes e do público? Talvez possamos enumerar algumas atitudes a serem tomadas por quem realmente se interessa em chegar ao topo.

1) Procurar conhecer o que se está cantando

Oras, nem só de Bruno & Marrone, João Paulo & Daniel e Zezé di Camargo & Luciano viveu a música sertaneja. São quase 100 anos de história. Chega a dar raiva quando um cantor diz que vai cantar uma música da dupla João Bosco & Vinícius, por exemplo, e manda uma regravação que eles fizeram de outra dupla, mas canta acreditando piamente que aquela música foi gravada pela primeira vez por João Bosco & Vinícius.

2) Procurar inovar no repertório dos shows

Se um novo artista ainda carece de um repertório inédito, o que por si só já é a treva, deve tentar inserir no show músicas que não costumam ser cantadas por outros artistas. Às vezes dá até pra colocar canções que não fazem parte do segmento sertanejo, inclusive. Por isso é sempre importante escutar músicas de todos os estilos possíveis, de Djavan a Dejavu (haha, gostei desse trocadilho). Tudo vai depender do artista, afinal não se pode exigir que uma dupla de estilo tradicional cante uma do Michael Jackson, por exemplo. A não ser que eles o façam de uma forma inovadora.

3) Cantar o que gosta e o que se tem vontade de cantar

A não ser que se queira ficar a vida inteira cantando em bares (o pior é que tem gente que quer mesmo), os novos artistas devem procurar cantar aquilo que realmente gostam. Parece mágico, mas o público parece gostar daquilo quase que automaticamente. Claro, apenas se os artistas fizerem bonito.

4) Se for gravar, deve-se priorizar um repertório inédito

Pensemos em quantos foram os artistas que estouraram com uma regravação que não fosse de uma música do próprio repertório. Pensaram? Eu não consegui lembrar de nenhum. São as músicas inéditas que um artista grava que o tornam ou não marcante junto ao público. Claro, dependendo da música. Se o artista focar apenas em regravações, pode até conseguir um show aqui e outro ali se o empresário for bom, mas enquanto não estourar uma música inédita, com a própria identidade, é pouco provável que entre no rol dos grandes artistas sertanejos.

Esse tópico às vezes pode ser burlado, como por exemplo nos casos em que uma dupla ou artista de maior expressão se aproveita do trabalho de um artista ou dupla de menor expressão, praticamente roubando uma música de trabalho e jogando um balde de água fria nas intenções destes artistas menores. A música acaba sendo lançada como se fosse inédita, mas não é.

5) Ao gravar, inovar no estilo da gravação

É comum ver um produtor de sucesso ser contratado por dezenas de novos artistas quando ele consegue produzir um disco que estoure. Mas se tem uma coisa que podemos afirmar com certeza (com base nas próprias experiências e relatos de companheiros), é que muitas vezes um produtor de sucesso não abraça o novo trabalho da maneira correta. “Ora, se o cara tá pagando, vou fazer o arroz com feijão e pronto”, pensa o produtor. Os novos artistas devem ficar sempre atentos a esse tipo de mentalidade. Qual a vantagem, afinal, de contratar um produtor de sucesso que fez um disco inovador e que apenas repetiu a fórmula nos outros trabalhos? E isso pode ser levado em conta pelos próprios produtores. É muito importante sempre estar pronto pra inovar. Pobre do artista que acha que um disco deve ser produzido pelo Fulano de forma igual à que ele fez com aquela determinada dupla ou artista. Repetição nunca deve ser uma vantagem, já inovação sempre. A não ser que seja um mesmo artista contratando o produtor para um segundo disco, após um trabalho de sucesso. Afinal, pra que mexer em time que está ganhando?

Falo por mim e por todos os outros jovens cantores que buscam uma fatia do carinho do público quando digo que é desolador se deparar com um contratante que diz “ah, vou chamar o fulano, que faz a mesma coisa que você por um preço muito menor”. Isso é um absurdo. Algo que jamais deveria acontecer. Mas infelizmente acontece todos os dias, em todos os lugares do Brasil. Por isso eu digo sempre que é hora de inovar, se quisermos nos destacar. Aí os leitores mais céticos se deparam com esse texto e resolvem escrever um comentário assim: “Ah, sabixão, se fosse tão fácil assim porque vc não aplicou isso consigo mesmo. Vc nem faz sucesso e quer ensinar os outros a fazer?” Ora, quem disse que eu não me incluí entre os que precisam aplicar essas verdades em suas carreiras? Eu sou exemplo vivo dessa necessidade de aprender a ser um artista diferente.

Devemos ter ciência, sempre, que toda a música, incluindo a sertaneja, caminha para a frente e jamais para trás. Inovar é sempre positivo. Quem vive de passado é museu, afinal de contas. Ao contrário do que muitos defendem, os anos 90 não vão voltar. Já estamos quase na segunda década do século XXI e tem gente que ainda defende a volta do estilo sertanejo ao que era na última década do século passado, há mais de 20 anos já. Isso não vai acontecer. O que passou, passou. Viajar no tempo só é possível nas histórias de ficção.

Por mais que se reclame do dito “pouco talento” que os novos artistas demonstram, são eles que estão construindo esse novo andar do “edifício” da música sertaneja. Como qualquer prédio, este também tem um alicerce, uma base, construída décadas atrás, e foi ganhando andares e mais andares com o passar dos anos. Depois deste andar que está sendo construído agora, outros virão. Vamos assistir, sempre, à ascensão de novas formas de se fazer a música sertaneja, e somente quem tiver coragem e discernimento para mostrar algo novo é que vai permanecer na história.

Xingamentos e impropérios nos comentários, por favor.

6 comentários
  • Dewayne Brentlinger: (responder)
    14 de julho de 2013 às 20:28

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.