06 fev 2011 | Artigos
Fanatismo e Luan Santana no alvo do “Sensacionalista”

Que Luan Santana é alvo de brincadeiras e piadinhas maldosas na internet já não é novidade para ninguém. O problema é quando as milhares de fãs do cantor levam a sério a gozação. O tema acabou virando um engraçado factóide no “Sensacionalista”, portal especializado em humor.

Como o próprio site se autodenomina, este é um jornal “isento de verdade”, e os autores fazem “jus” ao slogan, criando notícias fantasiosas e engraçadas sobre tudo e todos, sendo fatos e personalidades do Brasil e do mundo. Na matéria em questão, segundo o autor do texto, o cantor Luan Santana  carregaria em seu corpo, material genético feminino, o que o tornaria capaz de gastar R$ 8 mil em sapatos de mulher e incapaz de fazer uma baliza em uma vaga de 12 metros.

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A matéria repercutiu na internet, sempre reforçada pela conotação humorística da história. Apesar disso, uma legião apaixonada de fãs do cantor não entendeu dessa maneira e encheu as caixas de comentários do site com mensagens de repúdio, o que levou o “Sensacionalista” a escrever uma nova matéria, também em tom de humor, dessa vez afirmando que Marcelo Zorg, autor do texto, teria sido sequestrado pelas “talifãs”, colocado em um quarto apertado e torturado por escrever tamanho “absurdo” sobre o jovem. (leia aqui)

O assunto fanatismo já foi tema aqui no passado, mas parece que ganhou contornos ainda maiores nos últimos tempos. As duas matérias são invenções de seus autores e ninguém foi sequestrado ou torturado, e tampouco Luan Santana é uma menina. Porém, diante de reações tão extremas por parte da legião de seguidores de alguns artistas (não só Luan Santana), não fica uma ponta de preocupação de que um dia a ficção de filmes e livros pode virar realidade? Se um simples comentário sobre a roupa dessa ou daquela cantora já é entendida como uma severa crítica à artista, imaginem se amanhã ou depois os veículos começarem a escrever o que realmente pensam sobre os famosos?

Como exemplo do que estamos falando, podemos citar dois acontecimentos recentes envolvendo o próprio Luan. Em um dos casos, o jurado de Raul Gil, José Messias, não tirou o chapéu para o jovem no programa do SBT, e na última semana, uma enquete realizada pelo R7 com internautas do portal, apontou que o rapaz é “muito estrela”. As duas opiniões ganharam repercussão e irritaram fãs e admiradores do artista.

Mas e o que são opiniões? Opiniões são opiniões, oras. Não gostar ou discordar não significa que não se respeite o trabalho de alguém. Falar sobre assuntos que são teoricamente “proibidos” não é, nem de longe, uma ofensa. Infelizmente, apenas elogiar e passar a mão na cabeça é um vício da imprensa brasileira. Medo de represálias ou de se queimar com os “donos dos artistas” fazem um jornalismo totalmente prostrado. Fidelidade, ao contrário, rende festas, viagens e glamour com tudo pago por este ou aquele empresário.

Há ainda uma outra questão que merece ser abordada: É nítido o crescimento de empresários e artistas que incitam fãs contra os veículos e críticos contrários á suas opiniões. Fãs são conclamados a defender seu ídolo numa atitude cega e extremamente perigosa para todos e que infelizmente vem ganhando força a cada dia que passa. Só para lembrar: em 1981, em Nova York, um fã matou John Lennon com cinco tiros. Em 2008, na Inglaterra, um fã de Madonna tentou matar á facadas o ex-marido da cantora, Guy Ritchie. Anos antes, em 2005, também na Inglaterra,  um fã do rapper Eminem matou a namorada com um taco de beisebol, porque queria imitar o cantor no videoclipe da música “Stan”.

Matérias de humor despretensiosas como as escritas pelo “Sensacionalista” ou outras mais sérias, como as mostradas no Blognejo, não vão fazer do artista menos do que ele é. Mas acima de tudo, os fãs precisam aprender a entender melhor o que lêem, afinal, se as coisas continuarem nesse ritmo,  é possível que  qualquer dia desses noticiemos algum crime praticado por fãs, ou pior ainda, sejamos as estrelas das páginas de algum jornal policial.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.