17 mai 2010 | Lançamentos
Fãs X Ídolos – A batalha finalmente chegou ao Twitter

Já falei sobre esse assunto não uma, nem duas, mas um punhado de vezes. Os artistas parecem ainda não ter percebido que hoje em dia o Twitter é a ferramenta mais importante de interação entre eles e os fãs. O modo como um artista se comporta no twitter está começando a ditar os rumos desse relacionamento, que sempre foi conturbado, mas agora começa a ganhar contornos épicos. E o assunto de hoje nem tem muito a ver com o fato de um artista responder ou não um “reply” de um fã ou admirador. O negócio é mais sério do que se pensa.

A bola da vez é o chamado “block”. Para quem ainda não está muito familiarizado com a ferramenta, através dela você pode impedir uma pessoa de seguí-lo no twitter e de receber, portanto, suas atualizações na home. Quando digo “home”, me refiro àquela página principal na qual cada pessoa recebe as atualizações das pessoas que ela segue. O fato é que alguns artistas (ou suas assessorias) começaram a distribuir “blocks” entre seguidores assíduos por motivos que simplesmente não podem servir de justificativa. Casos recentes de abuso na utilização do “block” dão conta disso que estou falando.

O cantor Eduardo Costa é um dos artistas sertanejos com o maior número de seguidores no Twitter. Alguns desses seguidores, aliás, são (ou eram) fãs incondicionais do trabalho dele. Acontece que nos últimos dias começou a circular pela internet um conjunto de documentos relacionados à vida pessoal do artista (assunto do qual, por ser pessoal, não trataremos aqui no Blognejo). Os referidos fãs e seguidores, preocupados com a repercussão da fofoca, utilizaram o twitter para questionar o cantor sobre o que andava acontecendo. Quão grande não foi a surpresa (e decepção) desses fãs/seguidores ao descobrir que, além de não responder o que lhe foi perguntado, o Eduardo Costa deu “unfollow” (parou de seguir) e ainda bloqueou dois desses fãs (pelo menos foram 2 até agora), impedindo-os de continuarem seguindo seu perfil no microblog. Os fãs (agora declaradamente ex-fãs) entenderam a atitude como um boicote e apagaram comunidades no orkut, perfis no twitter, perfis no youtube, enfim, tudo o que mantinham relacionado ao cantor.

Em atitude parecida, a assessoria da dupla Zezé di Camargo & Luciano deu unfollow e bloqueou no twitter um dos fãs mais antigos e fiéis. E o pior: aparentemente sem motivo nenhum. O próprio ainda questionou duas vezes o motivo de tal atitude e ainda não obteve qualquer resposta. Sem querer puxar a sardinha, mas é até difícil encontrar na Internet algum fã mais fiel à dupla do que ele, diga-se de passagem.

Por que os artistas têm se comportado dessa forma com seus fãs mais fiéis? Se fosse um “block” relacionado a algum comentário jocoso, tudo bem. Isso, aliás, é uma prática comum entre as celebridades. Quando alguém faz algum comentário maldoso, ou ofensa, as celebridades simplesmente bloqueiam, achando que estão demonstrando, com isso, o total desprezo que sentem pelo “bloqueado”. Não sabem, no entanto, que a pessoa ainda pode acessar o perfil e mandar “replys” normalmente. Enfim, um “block” não representa nada além de um número a mais no campo “followers”. Mas é óbvio que para um fã de verdade isso representa muito mais.

Imagine você, que torce, que acompanha um artista, que briga com quem quer que seja que destrate aquela pessoa cujo trabalho você admira, enfim, você gostaria de ser bloqueado pelo seu ídolo no twitter apenas porque perguntou algo relacionado à vida pessoal? Ainda que fosse esse o motivo do bloqueio, será que não bastava responder com alguma frase do tipo “não trato desse assunto pelo twitter“, ou “isso só diz respeito à minha pessoa“? Por mais que soe rude, pelo menos é mais sincero e menos infantil que um bloqueio sem explicação. Será que não cabia pelo menos um “Estou te bloqueando pelo seguinte motivo…“. E no caso do fã da dupla Zezé di Camargo & Luciano, que sequer sabe o motivo do bloqueio e do unfollow que tomou?

Por mais recente que seja a popularização do Twitter, a força que ele já tem na relação entre ídolos e fãs é inestimável. É, sem dúvida, a forma mais fácil que um fã tem de estar em contato com seu artista preferido. O fato, no entanto, é que os artistas parecem não ter percebido ainda que essa proximidade excessiva gera uma série de responsabilidades. Ouso dizer que um bloqueio no twitter é quase a mesma coisa que dizer ao fã: “não preciso e não quero sua admiração“. Os caras acham que fazendo isso no twitter vai ser menos invasivo que se fosse feito às claras, olho no olho. Por mais virtual que seja, o Twitter é, sim, um reflexo da vida real. O artista em contato com o fã no twitter é uma coisa real. Pode não ser na cabeça do ídolo, mas na do fã sim. E enquanto os ídolos não enxergarem o microblog dessa forma, coisas dantescas como blocks inexplicáveis ainda podem acontecer. Perdem ambos os lados. Os fãs perdem a admiração que sentiam. E os artistas perdem a fidelidade daqueles a quem eles mais devem respeito.

16 comentários
  • Jed Heggan: (responder)
    14 de julho de 2013 às 14:00

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.