28 jun 2010 | Reviews
I.U.O. Rick & Victor – Mais que pai e filho

Para esclarecer àqueles que ainda desconhecem o significado da sigla I.U.O.: No início da sessão, relutei em intitular os textos sobre os novos lançamentos aqui no Blognejo como “reviews”. É que essa palavra sugere algo mais formal, aparentemente escrito por alguém com ampla formação acadêmica e conhecimento sobre o referido assunto. Então, decidi nomear a sessão com o título “Impressões de um ouvinte” para tirar o aspecto formal do texto e não deixá-lo tão aparentemente pretensioso. E na verdade não passa disso mesmo. Trata-se de um texto sobre as impressões que tive do lançamento retratado no referido, mas apenas na condição de mero ouvinte ou “assistinte” do disco. Não sou um crítico musical. Sou só um cara que ouve CDs e assiste DVDs sertanejos. Daí a sigla I.U.O.

Feitos os esclarecimentos, vamos ao texto de hoje.

Alguns anos antes da separação da dupla Edson & Hudson, muita gente com certeza lembra que o Hudson lançou um CD solo instrumental de guitarra. Meses depois, chegou a lançar um DVD. Algum tempo depois, Edson & Hudson se separavam e cada um ia para um lado. Hudson está lançando seu primeiro disco solo, inclusive. O que Rick & Victor tem a ver com isso, afinal de contas? Ora, também é um trabalho que começa despretensioso mas que nas entrelinhas guarda indícios de representar realmente o futuro musical dos seus envolvidos.

Eu não estou dizendo que o Rick vai largar o Renner e montar uma dupla com o filho Victor. Só estou mostrando que a história recente da música sertaneja traz uma situação bem parecida. O desfecho dela, aliás, mostra que uma pessoa que começa um trabalho despretensioso apenas para realizar um sonho pode muito bem fazer desse trabalho o objetivo de sua vida. E é um fato científico que uma pessoa se dedica de maneira muito mais intensa quando está fazendo aquilo que realmente quer. E o Rick queria gravar um disco com o filho, então…

Produzir, pra ele, é fichinha. Não preciso dizer que o cara é bom. Pelo menos no que diz respeito a essa geração “anos 90” da música sertaneja, ele se destaca. Sendo assim, bastou tirar alguns dias e pronto, taí o disco. Reunindo composições feitas por ele em parceria com o filho e com uma harmonia mais simples que o usual.

Na verdade, é um disco acústico bem simples mesmo. Violões, baixo e percussão. Acordeon, só em duas músicas e viola caipira em uma. No mais, um disco enxuto, que poderia ser concebido tranquilamente com a utilização de pouquíssimos músicos. Creio que por isso tenha sido gravado e lançado de forma tão rápida, causando surpresa geral. A maioria das pessoas só ficou sabendo desse projeto quando a capa do disco já estava pronta, com alguns vídeos circulando no Youtube e tudo mais.

O filho, aliás, está mandando muito bem no que diz respeito às composições. Todas as músicas do disco (todas inéditas, exceto pela faixa título, que esteve presente no disco anterior do pai) levam a assinatura dele e do pai. Tá, eu sei que “assinar” pode muito bem não significar “compor”. Acontece que as músicas são levemente diferentes das costumeiramente compostas pelo Rick. Tem letras mais interessantes, inclusive, com mensagens mais profundas. Um CD para ouvir, não para agitar simplesmente. Nada de canções que duplo sentido e forrozeira sem sentido, só pra tocar em festas de peão.

Isso de fazer as coisas de uma maneira mais simples definitivamente é uma sacada e tanto. Basta ver o CD acústico do Fernando & Sorocaba, ou o disco 2 do Double Face do Zezé e por aí vai. Incrível como os ouvidos respiram (mas hein???) melhor com um som mais calmo, sutil, seco  e mais simples do que a barulheira quase exagerada que muita gente insiste em impor. Este disco do Rick com o filho é um desses. Agrada aos ouvidos. É simples, singelo, mas intenso e verdadeiro. Fora que é de estúdio, o que permite aos ouvidos uma análise mais aprofundada das melodias, não atrapalhadas por exageros de aplausos e fãs histéricas.

É definitivamente um disco melhor que os que a dupla Rick & Renner tem lançado nos últimos anos. É mais agradável, mais sincero, menos comercialzão. Fora que é cada dia mais evidente a falta de sintonia entre o Rick e o Renner em aparições públicas. Bate aquela “vergonha alheia power 2000” toda vez que eles vão a um programa de TV e simplesmente se atropelam nas palavras e, às vezes, até iniciam uma discussão. Como se isso não bastasse, o Rick ainda lança um disco com o filho. Ora, se isso não dá sinais de que um futuro estranho espera a dupla Rick & Renner, não sei o que dá. E a julgar pela boa qualidade desse trabalho lançado com o Victor a música sertaneja não perderia nada. Perderia?

Nota: 9,0

31 comentários
  • Terese Carolan: (responder)
    14 de julho de 2013 às 16:31

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.