10 mai 2012 | Notícias
Investimento = Gastamento

A fase mais recente da música sertaneja ajudou a valorizar as figuras de alguns profissionais envolvidos com o processo de pavimentação do sucesso de um artista. Entre eles, uma figura nunca esteve tão evidente: a do investidor. Tornou-se indispensável a existência dele na carreira de um artista para que o mesmo consiga alcançar alguma coisa.

Na verdade a figura do investidor sempre existiu. A diferença é que antes essa função era geralmente acumulada pelo próprio empresário, que atuava em várias frentes de uma só vez, desde a marcação de shows até o investimento na carreira do artista. Hoje, entretanto, o empresário praticamente só atua como investidor a partir do momento em que o artista começa de fato a render muita grana. Para o pontapé inicial, ele conta quase sempre com a ajuda de alguém endinheirado nos bastidores.

O investidor pode ser alguém que se deu muito bem em outra área e agora está interessado em entrar no mercado sertanejo, ou até mesmo alguém que já trabalha no mercado sertanejo há tempos e se interessou em entrar como sócio no projeto de um novo artista que precisa de uma ajudinha financeira que o empresário ainda não tem condições de dar.

Acontece que de uns tempos pra cá o que se observa é a total banalização da figura do investidor. Se antes a função dele era prover os recursos necessários para que o empresário pudesse fazer seu trabalho e o artista tivesse condições de fazer seu projeto funcionar, hoje em dia a exposição do investidor só traz dores de cabeça.

Estamos numa época em que o gasto desenfreado na música sertaneja ficou tão corriqueiro que quando aparece algum artista desavisado com um investidor abastado, logo surgem centenas, milhares de urubus voando na carniça a fim de ganhar o seu quinhão em cima dos pobres coitados. Coitado do artista que, inocentemente, revela no mercado que algum magnata da pecuária o está auxiliando, por exemplo.

É uma regra no mercado hoje em dia. Se descobrem que um artista está com dinheiro pra gastar, então o mercado vai fazê-lo gastar. E muito. Hoje, investimento virou sinônimo de “gastamento”. E tudo sai mais caro quando o mercado sabe que o artista tem alguém financeiramente poderoso bancando seu projeto. Os próprios profissionais do mercado sertanejo já pensam que “se o cara tem pra gastar, ele pode pagar o que a gente tá pedindo”. E assim o projeto do cara acaba se resumindo em pagar um tanto aqui, outro tanto ali e outro tanto acolá.

Isso acontece de forma mais evidente ainda com artistas recém chegados em grandes escritórios de sucesso. Toda vez que um grande escritório apresenta um novo “produto”, as anteninhas do mercado já ficam oriçadas. A parcela inescrupulosa de profissionais do mercado sertanejo já enxerga ali mais uma fonte inesgotável de dinheiro. E nem se faz de rogada em sugar o que der conta de mais um artista. Acontece que algo nisso tudo está muito errado.

Desde que o mundo é mundo e desde que o primeiro “investidor” apareceu querendo gastar seu dinheiro em alguma coisa porque acreditava que aquilo ali poderia lhe render lucro depois, o objetivo principal é esse: obter retorno financeiro. O investimento presume, obviamente, a intenção do retorno. Ninguém é burro ao ponto de colocar dinheiro em alguma coisa sem querer que aquilo lhe renda dividendos depois.

O problema é que a estrada do sucesso é muito sinuosa. Nem todo artista consegue alcançar seus objetivos. Mas o que não falta por aí é investidor interessado em injetar dinheiro em alguém, justamente porque o mercado sertanejo anda aquecido há pelo menos uns 6 ou 7 anos. Mas o fato é que são poucos os que conseguem recuperar o que gastaram, ainda mais perante o suga-suga do mercado.

Para fazer sucesso hoje em dia, a figura do investidor é indispensável. Mas é aconselhável manter o investidor em segredo, tanto o nome quanto a quantidade de dinheiro que ele tem, senão o mercado dá sua patada de urso no intuito de arrancar o máximo de dinheiro possível.

Fazer sucesso sem gastar é impossível. Mas fazer sucesso só gastando desenfreadamente segundo os mandos e desmandos de profissionais inescrupulosos do mercado sertanejo também é algo impensável. É mais provável que o artista vire piada nas rodas de conversa antes de fazer o sucesso que almeja. Mesmo que o trabalho do cara seja bom. Gastar sim, mas com cautela. Se todos os profissionais pensassem dessa forma, talvez essa banalização da figura do investidor fosse devidamente evitada.

Obs.: Eu sei que a palavra “Gastamento” não tem o mesmo significado. Só a usei ppor conta da semelhança de pronúncia e pra me fazer entender.

32 comentários
  • Fabrini cantor: (responder)
    10 de maio de 2012 às 01:49

    Procuro investidor para que queira multiplicar seu dinheiro, sigilo absoluto! Hahaha boa Marcão, abs pra ti, sempre que posta algo estou aqui, abs!

  • Anônimo: (responder)
    10 de maio de 2012 às 01:54

    Mas Marcão, mesmo que o nome/renda do investidor não seja divulgado, não é possível o mercado presumir se um novo artista apresenta um investidor de peso apenas analisando os recursos, porte do show, divulgação, distribuição de cds, aparições em mídia, etc… do artista? Assim, omitir o investidor seria apenas forma de ofuscar o trabalho dos “sanguessugas” do mercado, mas não uma forma de extingui-los.
    Abraço

  • Rafael: (responder)
    10 de maio de 2012 às 01:55

    Mas Marcão, mesmo que o nome/renda do investidor não seja divulgado, não é possível o mercado presumir se um novo artista apresenta um investidor de peso apenas analisando os recursos, porte do show, divulgação, distribuição de cds, aparições em mídia, etc… do artista? Assim, omitir o investidor seria apenas forma de ofuscar o trabalho dos “sanguessugas” do mercado, mas não uma forma de extingui-los.
    Abraço

  • Eduardo: (responder)
    10 de maio de 2012 às 04:00

    Olha, realmente. Eu gostaria que vc citasse alguns nomes, mas creio já ter ideia dos possíveis. Agora vou dizer uma coisa, é melhor os artistas sertanejos ficarem espertos, tenho visto uma certa movimentação da mídia em querer enfraquecer a música sertaneja. Acho que o que estou vendo vai causar alguns danos no mercado Sertanejo dentro de dois ou três anos. É só olharem como está desenrolando essa CPI do Ecad, as mesnas pessoas que estão por trás da CPI são as que tramam contra a música Sertaneja. Pessoas ligadas à Carlos Eduardo Miranda, Sergio Cabral(o pai do governador do Rio) e empresas como Vivo, Oi, Red-Bull e Natura. Além de Ana de Holanda que vem liberando verdadeiras fortunas para esses grupos, via Ministério da Cultura. Fiquem espertos com as movimentações dessas pessoas. Essas pessoas estão as coisas por baixo, o que lhes dará ainda mais força.

    • Eduardo: (responder)
      12 de maio de 2012 às 12:44

      Ninguém deu importancia para o que eu escrevi aqui. Agora olhem o Banner do festival Sonar ao lado da caixa de comentários deste blog Sertanejo. rssss O meu comentário faz mais sentido do que nunca.

  • Bill Moura e Leonardo: (responder)
    10 de maio de 2012 às 09:56

    O que não falta são investidores? Por favor me apresentem alguns ae, pois aqui em SP é a coisa mais dificil de se conseguir.

    Abraços

    Bill Moura e Leonardo.

    OBS: a 4 anos na praça, na independência e na RAÇA!

  • emerson: (responder)
    10 de maio de 2012 às 10:24

    Marcao, gasto desenfreado chama se NEGOCIOS, imagina se todos os empresarios pudessem vender somente para classe A e B, vc acha que eles iriam vender ao mesmo preco do que para classe C e D, e obvio que nao, pq sabem que os caras nao tem dinheiro para pagar aquele preco, negocio mas imporntate e esconder o investidor e omitir maximo de informação possivel.
    Mas para lançar cara hoje se gasta muito, imagino quanto JeM e Audiomix não estao investindo neste Israel Novaes, assimo como foi investido muito em Gustavo Lima, talvez que menos teve investimento e hoje estouro de sucesso seja Joao Carreiro e Capataz que foram descobertos pela som livre se não me engano.

    • Dony Salles- Uberaba-Mg: (responder)
      10 de maio de 2012 às 14:56

      Gusttavo Lima foram 2Milhões de reais, na primeira injetada

      • emerson: (responder)
        10 de maio de 2012 às 16:07

        este foi comeco, imagina o restante, e obvio que retorno foi sucesso e tanto, mas nem todos são assim, acredito ate que valores sejam maiores hoje, visto que mercado esta mto mais competitivo e aquecido do que 2 anos atras. Aja dinheiroooooo…

        Como diz Joao Carreiro na musica ” o que sera que nois num tem que sucesso nao vem” as vezes toca cada cantor na radio que so pagando mto dinheiro pra escutar a tal musica, pior de tudo que toca a cada uma hora pra entrar na cabeca da pessoa de qql jeito hahaah

        • Dony Salles- Uberaba-Mg: (responder)
          11 de maio de 2012 às 14:42

          concordo com vc! Israel novaes pra mim tem sido o maior exemplo atual pra tudo que falou, ele compõe, porem não é cantor bom…ficamos com a frase do João carreiro mesmo hahaha

  • Luiz Guilherme & Daniel: (responder)
    10 de maio de 2012 às 11:06

    Marcão vc é o cara, esse texto é perfeito é exatamente o que conversamos diariamente, caímos na banalidade é isso é perigoso demais… Obrigado por resumir tão bem o que vem acontecendo com o MERCADO musical.
    Abraços!
    Luiz Guilherme & Daniel!!!

  • Timothy Nery: (responder)
    10 de maio de 2012 às 11:28

    Belo texto.

    E o encerramento é a essência do fenômeno: a situação foi criada pelos próprios investidores/empresários, que, com o objetivo de colocar seu produto em evidência, para render mais, criaram essa rede sem fim de “pagamentos” aos mais diversos setores que interferem/direcionam o mercado da música no Brasil.

  • Alex Lima: (responder)
    10 de maio de 2012 às 13:36

    boa boa demais…

  • Dony Salles- Uberaba-Mg: (responder)
    10 de maio de 2012 às 14:45

    A quantidade de investidores é relativo ao seu talento…

    Se vc é tosco será dificil
    Se vc representa, sobra gente querendo investir

  • Timothy Nery: (responder)
    10 de maio de 2012 às 16:02

    A relação entre investidor e talento não é necessariamente proporcional.

    Discordo, respeitosamente, do Dony Salles.

    Aliás, até poderia incentivar uma matéria mais aprofundada sobre os valores investidos (estimativas) em alguns artistas, e um “julgamento” sobre os talentos respectivos…

    Olha que talvez seja inversamente proporcional hein…hehe

    • Dony Salles- Uberaba-Mg: (responder)
      11 de maio de 2012 às 14:46

      Timothy, eu realmente entendo o seu ponto de vista!
      Exatamente esse que eu tbm compartilho, tendo em vista
      que o “talento” não se limita á parte musical…

      O artista tem que ter “talentos” na desenvoltura, postura,
      estética sonora e visual, e foco…

      Como diz meu tio: Os melhores cantores e artistas do mundo,
      são baixos, feios e gordos…por isso ñ ficam famosos hahaha

      Mas é a realidade.

      Saber cantar ñ é requisito mais,
      antes de tudo tem q ser bonito no minimo e ter postura de
      artista.

      • Lucas: (responder)
        12 de maio de 2012 às 17:50

        Você pensa exatamente como eu! rsrsrs
        Talento não está atrelado apenas a qualidade vocal… um artista precisa ter várias qualidades, além de ‘cantar bem’. É claro que cantar bem deveria ser o requisito primordial, e nem sempre é. Mas um conjunto de outras habilidades, como postura de palco, boa aparência, energia, aliados a uma voz razoavelmente boa, é mais eficiente do que uma voz magnífica, porém sem outras qualidades.

  • Fábio Roque: (responder)
    10 de maio de 2012 às 17:47

    Bom texto Marcão! Hoje em dia a coisa tá assim mesmo.
    Eu já ouví conversas de que uma dupla do Rio pagou R$600.000,00 pela produção de um disco a um produtor que nem é do meio, só pelo simples fato de o investidor ter a grana.
    E o pior a dupla até agora num virou, ou seja, não teve retorno o pobre, quer dizer, rico do investidor. Rsrsrs
    Aí cê vê aí!

    • Eduardo: (responder)
      11 de maio de 2012 às 15:36

      Jamais que uma dupla sertaneja do Rio irá vingar. Jamais a Rede Globo deixaria isso acontecer.

  • luiz: (responder)
    10 de maio de 2012 às 20:25

    o que mivimenta o tal mercado do investidor e a palavra JABA
    NEM SEMPRE TALENTO POR SI SO APARECE NA TV AS GRAVADORAS HOJE EM PROCESSO DE FALENCIA JA NÃO FAZ TANTO COMO ANTES ESSE INVESTIMENTO

  • Timothy Nery: (responder)
    11 de maio de 2012 às 17:27

    Uma dúvida: o sorocaba é da editora Rede Pura???

  • mercadeo en linea: (responder)
    12 de maio de 2012 às 09:59

    Em 2011, não houve o surgimento de nenhum artista completamente desconhecido, que pudesse dar um susto no mercado. Foi tudo um tanto quanto previsível, mas nem por isso ruim.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.