20 jan 2010 | Reviews
I.U.O. Chitãozinho & Xororó – Se for pra ser feliz

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Enfim o primeiro texto de nossa série de reviews sobre os novos lançamentos. Nada melhor que abrir a série com um texto sobre o novo disco de canções inéditas da dupla Chitãozinho & Xororó.

O último disco da dupla, o elogiadíssimo “Grandes Clássicos Sertanejos Acústico”, já havia sido lançado há mais de dois anos. Foi um DVD histórico, sem sombra de dúvidas, mas trazia um breve detalhe: era um disco de regravações. E passados dois anos de seu lançamento, já era hora de um novo disco. Disco esse que trouxe quase que predominantemente músicas inéditas. Mas será que foi um disco que realmente merecia ser lançado, ou apenas um álbum a mais na discografia da dupla, e que pouco acrescenta na sua vasta história?

Inicialmente, levemos em conta o fato de que este é o primeiro álbum independente da dupla gravado em estúdio, e não ao vivo. Aliás, essa tem sido uma situação meio estranha para os dois nesses últimos anos. O disco “Vida Marvada”, de 2006, foi lançado ainda pela Universal, gravadora da qual fizeram parte por um bom tempo. Logo depois, conquistaram a independência e lançaram o DVD e CD duplo “Grandes Clássicos Sertanejos”. O disco acabou sendo relançado algum tempo depois com o selo da Som Livre. Agora, no entanto, uma outra gravadora faz a distribuição do novo trabalho. No caso, a EMI. O que acontece nos bastidores é uma incógnita, mas não deixa de ser estranho o fato de em menos de 4 anos eles já terem passado por 3 gravadoras.

É preciso reiterar, no entanto, que o disco foi produzido de forma independente. A dupla já faz parte de um novo escritório e montou uma produtora, devidamente creditadas no disco. Seguindo o atual parâmetro do segmento, os próprios artistas ficaram por conta da produção. Com a direção do experiente Reinaldo Barriga. Ao contrário dos outros artistas da geração AMIGOS, Chitãozinho & Xororó perceberam que a nova realidade sertaneja obriga o artista a se dedicar de forma mais profissional ao seu próprio trabalho. Não é só chegar e cantar simplesmente. A produção de um novo disco envolve várias etapas. E o artista precisa participar da maioria delas.

Uma outra peculiaridade deste disco é a presença de inúmeras canções compostas pelo Xororó. Isso era comum nos primeiros anos de carreira deles, mas passou a ser meio raro nos últimos 20 anos. E quando aparecia alguma canção composta por um dos dois, costumava ser uma com uma letra até medíocre se comparadas às outras dos discos. Neste novo disco, no entanto, acontece o contrário. As músicas assinadas pelo Xororó são as melhores do disco, aliadas à música de trabalho, “Se for pra ser feliz”, composta pelo sempre excelente Álvaro Socci (que andava sumido inclusive). O problema é que fora as canções do Xororó e a música de trabalho, boa parte das letras das músicas são, como disse minha esposa ao ouvir o disco, meio bestas. Faltou um senso crítico mais apurado para escolher canções que realmente tivessem algo a dizer e não trouxessem versos como “até o meu cachorro me vendo chorar, chorou comigo”.

Indo para a parte da execução das músicas, já é sabido que Chitãozinho & Xororó têm uma das bandas mais competentes da música sertaneja. Somente músicos de primeira linha, trazidos de suas pequenas cidades de interior e já na equipe há anos. Nada daqueles mesmos músicos da velha guarda, como os que tocam com o Leonardo ou com o Zezé. Isso garante a criatividade necessária e o comprometimento de que a dupla precisa. Surpresas agradáveis nessa parte também, como a participação do Amon Rá (da família Lima) em várias faixas e do “baterista” Junior Lima e do mega guitarrista Andreas Kisser (do Sepultura) na faixa “Gota D’água”, uma das melhores do disco.

Apesar da roupagem moderna da maioria das músicas, a temática de boa parte delas ainda remete a uma música sertaneja estagnada no passado. Como exemplos, temos uma canção de rodeio e uma música dedicada aos caminhoneiros, do tipo que praticamente não se ouve com mais nenhum artista de sucesso. Fora a música “Coisa de amigo”, que tem como protagonista provavelmente um dos maiores cornos que a música sertaneja já viu. E música de corno já não é mais a realidade da música sertaneja, óbvio.

Para os próximos trabalhos, também, talvez seja necessário dedicar um pouco mais de tempo à mixagem, porque parece ter faltado peso neste trabalho. As vozes parecem estar num volume sutilmente mais alto que a harmonia, o que nem chega a ser um defeito, afinal é quase imperceptível. É apenas algo que merece um pouco mais de atenção nos próximos trabalhos.

O disco em si talvez não tenha sido pensado da melhor forma possível. Vejam bem, Chitãozinho & Xororó não precisam provar mais nada a ninguém. Não há motivo, então, para lançar um disco de inéditas apenas porque houve uma pressão para que isso ocorresse. Para quê pressa, oras? Creio que a seleção de um repertório um tanto quanto mais ou menos tenha sido o ponto fraco desse disco, que, claro, não é o melhor disco de inéditas lançado por eles. Mas esse defeito é compensado pela excelência nos arrranjos e harmonia. Enfim, é um disco que fica na média, o que, a meu ver, é pouco, já que estamos falando da maior dupla sertaneja de todos os tempos.

Nota: 7,5

11 comentários
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.