06 nov 2009 | Reviews
I.U.O. – Eduardo Costa – Tem tudo a ver

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Diversas vezes já bati na tecla da mudança na música sertaneja. Já falei mais de um milhão de vezes que é loucura ficar estagnado no passado. O público anseia por novidades e tudo mais. Isso é fato, é regra. Acontece que para toda regra existem exceções. Eduardo Costa talvez seja a mais bem sucedida “excessão à regra” da história da música sertaneja.

O cara começou tachado (e parecendo gostar disso) como “cover” do Zezé di Camargo. Seus discos sempre foram marcados por interpretações rasgadas e muitas vezes exageradas de músicas que, em sua maioria das vezes, eram regravações. Abraçado pelo povão, ele foi construindo e conquistando seu espaço. Hoje, ele faz parte do grande time, está na mesma “turma” daqueles artistas que outrora pareciam esnobá-lo, como Leonardo e o próprio Zezé di Camargo. E o melhor de tudo: ele é um dos pouquíssimos artistas sertanejos de carreira relativamente curta que optaram conscientemente por resgatar o modo “anos 90” de se fazer música. O fato é que, entre os novos artistas que o fizeram, Eduardo Costa foi o único que se sobressaiu.

Para a missão de continuar na linha “anos 90” que, a bem da verdade, é a linha que o público espera ouvir em Eduardo Costa, ninguém melhor que o Cesar “vivendo de passado” Augusto. É um dos maiores gênios da história da música sertaneja, claro, isso é inegável. Mas não soube ou não quis acompanhar a evolução do estilo. Permaneceu estagnado lá atrás. Acho que o calendário dele só vai até 1999. E por isso mesmo, ele é o produtor ideal para um artista como Eduardo Costa. Nas músicas, a mesma estrutura de arranjos, as mesmas nuances. Nas canções agitadas, uso de instrumentos de sopro em profusão, como é de praxe aos seus trabalhos. Nas românticas, arranjos de guitarra ou de violões de nylon naquela velha fórmula. Nas poucas vezes em que utilizou violões de aço nos arranjos, apenas numas duas canções ele utilizou uma pegada mais moderna.

Sobre o repertório, a grata surpresa fica por conta do não muito grande número de regravações. Dessa vez aparentemente tomaram o cuidado de não regravar músicas tão conhecidas do público. A regravação que provavelmente seja a mais conhecida é a da música que dá título ao disco, “Tem tudo a ver”, que estava no último disco da dupla Zé Henrique & Gabriel. No mais, talvez os mais atentos se lembrem de “Fã” (que nesse disco ganhou o nome “Sou seu fã nº 1”) e “Dá pra ver no seu olhar”. No mais, o repertório é recheado de canções com letras melosíssimas, que já são uma das marcas do Eduardo Costa, e as tradicionais canções em louvor à cachaça. Chamam a atenção as canções “Cansei de ser palhaço”, um pagode assertanejado muito cativante, e o forrozinho “Ninguém é de ninguém”.

Foi incluída no disco também a canção “Quem foi que disse”, de autoria do Marco Camargo (do Ídolos), e que faz parte da trilha sonora da novela “Bela, a feia”. O engraçado nessa canção é que a letra reflete um pouco a história do Eduardo Costa na música sertaneja. Afinal conta a história do patinho feio que tem, sim, muito a oferecer. É a Bela na novela e o Eduardo na música.

Outra arma usada pelo Eduardo Costa em seus últimos 3 discos têm sido a participação de um nome consagrado da música sertaneja. No DVD, Leonardo. No CD “Cada dia te quero mais”, Bruno & Marrone. E agora, talvez a maior das provas de que o mundo dá mesmo voltas. Zezé di Camargo & Luciano participam desse disco na canção “Juro que te esqueço”, que além de trazer um encontro que muita gente achou um dia que jamais fosse acontecer, resgata a manjadíssima fórmula dos arranjos com guitarra dobrada. Mais anos 90 impossível. Sobre essa coisa de se chamar uma grande participação especial em cada disco, faço minhas as palavras de um dos comentaristas do blog há alguns dias: o Eduardo deve trilhar seu próprio caminho. Fica parecendo, nesses casos, que ele quer provar que se integrou aos grandes nomes, que ele tem o respeito da classe, que ele “chegou lá”. Mas acontece que ele não tem que provar isso para mais ninguém. O grande carinho que o proletariado tem com esse cantor já é prova mais do que suficiente do seu sucesso.

No fim das contas, o disco “Tem tudo a ver” é um pouco inferior ao “Cada dia te quero mais”, mas ainda assim os pontos positivos superam e muito os negativos. O Eduardo Costa tem, sem dúvida, a sua grande parcela de fãs, saudosistas, nostálgicos, que gostam de ouir seus discos e lembrar dos tempos em que o Cesar “parou no tempo” Augusto definia o que era e o que não era sertanejo. O próprio cantor tem consciência de que precisa agradar apenas esse público. Quem quiser, que acompanhe. A gravadora, no entanto, já demonstra sinais de preocupação, afinal lançou como música de trabalho uma baladinha com arranjos em violões de aço e que mais parece outra dessas canções universitárias (“Não Valeu pra você”). Afinal de contas, viver de passado é válido, tem gente que gosta e tudo mais. Mas se é possível ficar de olho no futuro, melhor ainda.

Nota: 8,0

4 comentários
  • Shayne Straube: (responder)
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.