28 jan 2010 | Reviews
I.U.O. Victor & Leo – Ao Vivo e Em Cores em São Paulo

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Demorou, mas enfim saiu o nosso review sobre o novo disco da dupla Victor & Leo. Resolvi deixar o alvoroço do lançamento passar pra poder postar este texto. Mesmo que a ocasião do lançamento pudesse gerar mais visitas se o texto tivesse sido postado na época, decidi que seria melhor esperar a poeira baixar. Assim, quem sabe, eu poderia falar sobre ele de uma forma mais natural, com menos pressões e menos armas apontadas para minha cabeça. Não falarei aqui de todos os problemas que a gravação envolveu com relação aos fãs e tudo mais, mesmo porque já falei sobre esse assunto diversas vezes aqui no Blognejo. Espero que minha decisão de adiar a postagem desse texto tenha se mostrado correta. Porque já cansei de ser chamado de idiota até pelo Twitter, hehe.

Victor & Leo conquistaram um posto invejável na música sertaneja. São uma unanimidade no que diz respeito às suas músicas. Não lembro a última vez que ouvi alguém, do segmento ou não, falando mal do trabalho deles. Da postura extra palco sim, mas do trabalho dos dois não. Todo mundo gosta, todo mundo escuta. Não por menos, eles se tornaram os artistas sertanejos mais importantes da atualidade. Recentemente recebi notícias de surfistas brasileiros no Hawaii ouvindo os dois. Até boatos de envolvimentos amorosos com ultra-mega-super celebridades como a Xuxa passaram a ser protagonizados pelo Victor. Além de picuinhas entre redes de TV que disputam a presença dos dois e várias outras coisas que demonstram o grau de importância que eles atingiram. E com um trabalho pouquíssimas vezes criticado por quem quer que seja. Só mesmo a patota conservadora de críticos musicais de publicações como a Revista Veja para fazer insinuações e piadinhas sobre os dois.

Um ano havia se passado desde o lançamento do último e incrível CD, o corajoso “Borboletas”. Corajoso porque, na contramão do segmento, era um CD de estúdio com poucas músicas, todas inéditas (ou quase todas). Ainda assim, foi um dos CDs mais vendidos do ano, superado dentro da música sertaneja apenas por Zezé di Camargo & Luciano, que se lançarem um disco de death metal ainda vão ser os mais vendidos. A pressão para um novo lançamento, portanto, era gigantesca. Mas que tipo de efeito causaria essa pressão: negativa ou positiva?

Victor & Leo ainda são a dupla mais criativa e inovadora dos últimos anos. Mas dois anos ininterruptos de trabalho intenso (sem férias) provavelmente causam um indesejado problema: como arrumar tempo para se dedicar de verdade a um novo disco? Não há quem duvide da capacidade do Victor de produzir, arranjar e compor. Mas poxa, shows dia após dia e demais compromissos profissionais nos raros dias sem show atrapalham a cabeça de qualquer um. Talvez por isso este DVD tenha se restringido a ser, praticamente, apenas um registro em vídeo do show da dupla.

Entendam, temos em “Ao Vivo e em Cores em São Paulo” poucas canções inéditas. Das 23 músicas do DVD, cerca de 8 apenas eram estranhas ao atual repertório da dupla. E entre essas 8, algumas regravações e outras releituras de canções de antigos discos deles próprios, o que reduz ainda mais a quantidade de músicas realmente inéditas. E, ainda, percebe-se nessas canções inéditas pouca preocupação com relação à composição dos arranjos. Pelo menos se formos compará-las às canções dos outros discos, onde a parte de arranjos se mostrava sempre uma das que recebia mais atenção. Nesse disco, as canções inéditas receberam arranjos bem simples e que pouco mostraram do sempre acachapante violão do Victor Chaves.

O show do DVD trouxe canções que já fazem parte de 2 ou 3 (contando com esse) dos últimos 4 trabalhos da dupla. Não havia necessidade, por exemplo, de colocar de novo no repertório músicas como “Fada”, “Amigo Apaixonado” e “Fotos”, que já foram imortalizadas no primeiro DVD e não careciam de um novo registro em vídeo. Talvez o espaço dedicado a elas fosse melhor aproveitado se a dupla tivesse se valido mais do recurso da releitura de antigas canções. Afinal foi esse “truque” que possibilitou a entrada no repertório de uma pérola de canção como “Lem Casa”, considerada por muitos uma das melhores canções do disco.

No mais, o repertório é composto basicamente de músicas do álbum “Borboletas”. Mas ainda assim, foram possíveis algumas agradáveis surpresas, como as participações especiais de Alcione e Renato Teixeira. A Alcione é sempre ótima e sua participação numa música com temática rural como a maravilhosa “Deus e Eu no sertão” demonstra mais uma vez a moral que os irmãos de Abre Campo conquistaram. Renato Teixeira participa da canção “Vida Boa”, que mesmo tendo sido gravado em outros 2 dos últimos 4 discos da dupla, ganhou um ar diferenciado com a voz do Renato. No caso dele, era no mínimo compreensível sua participação, já que é evidente a influência que ele e outros cantores da mesma linha (Almir Sater num maior grau, Sérgio Reis num menor grau) exercem sobre a dupla Victor & Leo.

Para tentar inovar um pouquinho o próprio trabalho, Victor & Leo inseriram um teclado comum e um hammond, que não existiam nos trabalhos anteriores. Mas ao invés de destacarem o teclado e insistirem num timbre de piano ou algo parecido, a utilização do instrumento serviu apenas para dar uma “cama” ao trabalho, com uma sonoridade não muito comum à música sertaneja, o que se mostrou uma excelente sacada. Não é exagero dizer que, por diversas vezes, a sonoridade remete ao rock dos anos 80, principalmente ao grupo Legião Urbana. Até li isso em algum lugar dia desses, mas eu já vinha fazendo esse mesmo comentário desde a época do lançamento.

Dentre as canções destaques desse novo disco, sem dúvida enumero a regravação do clássico de Alceu Valença “Anunciação” e a maravilhosa canção “Moça Rebelde”, que tem uma letra e melodia magníficas. A canção de trabalho, “Estrela Cadente”, tem uma letra fácil e gostosa de ouvir e cantar. Sobre o aspecto visual, talvez pela intenção de representar, mesmo, apenas um registro audiovisual do show, não se viu muito da sempre elogiada criatividade da Joana Mazzuchelli. É que quando se ouve falar do nome dela envolvido num trabalho, se espera algo realmente inovador, criativo e tudo mais. Nesse DVD não se viu isso de forma tão contundente.

Apesar de parecer que Victor & Leo apenas cederam à pressão de entregar à gravadora um trabalho por ano, o DVD “Ao Vivo e em Cores em São Paulo” ainda é um sopro de elegância e originalidade em meio a tantos trabalhos parecidos lançados ultimamente. Não é tão corajoso quanto o último disco, afinal é ao vivo e cheio de canções, com poucas inéditas. Ainda assim, faz jus ao talento e capacidade dos dois irmãos. Mesmo assim, espero que o próximo traga mais daquela originalidade que os consagrou. Porque, como já ressaltei em diversos textos recentes, é disso que a música sertaneja precisa. E a dupla que melhor soube mostrar originalidade até hoje em talvez toda a história da música sertaneja (tirando o Tião Carreiro, que era mais que original) foram eles, né. Tanto que muita gente insiste em considerá-los tudo menos sertanejos. Sobre isso, eles são sertanejos sim. Os próprios esclareceram isso na entrevista postada aqui há alguns dias. Eles só vivem numa região diferente da grande roça que é a música sertaneja.

Nota: 8,5

5 comentários
  • Terese Carolan: (responder)
    14 de julho de 2013 às 14:09

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.