15 mar 2011 | Artigos
Luan Santana rompe mais uma barreira

Enquanto o músico Lobão, conhecido por suas declarações polêmicas para se manter na mídia, fala mal de Luan Santana, uma voz realmente importante ecoa a favor do jovem rapaz: a revista piauí. Conhecida e respeitada entre profissionais de imprensa, debatida dentro de campus e cultuada por professores e mestres das maiores universidades do Brasil, a piauí (assim mesmo, com “p” minúsculo) é tida como a “bíblia do jornalismo literário”.

Feita por gente que manja de comunicação, o que a piauí faz de melhor é contar bem uma história. Além de pautas pouco convencionais, o tratamento dado às reportagens geralmente assemelha-se ao de uma narrativa ficcional, e isso tudo sem falar do seu humor inteligente. Um motivo de orgulho para a comunidade sertaneja. Por não ser uma revista popular, a piauí se preocupa além da normal com os assuntos que serão abordados, mas não pôde ficar indiferente ao fenômeno Luan Santana.

Mas qual a diferença de uma matéria na piauí, e nas outras? Toda. A Billboard Brasil, por exemplo, é apenas uma filial da americana, não tem o poder de fogo da matriz e nem uma identidade definida. A Caros Amigos é sectária (intolerante, intransigente) e a Carta Capital, parcial demais. Diferentemente de revistas tendenciosas, preconceituosas, reacionárias e desonestas como a Veja, a piauí faz uma extensa análise sobre o início e auge da carreira do maior ídolo sertanejo de todos os tempos, mostrando com isenção todos os pormenores, inclusive os maiores entraves da carreira do rapaz, como a desavença entre Elisandra Santos, compositora de “Falando Sério”  e o empresário Anderson Ricardo.

Abaixo um trecho da matéria, para ler na íntegra, é só clicar AQUI.

(…) Luan Santana tinha 14 anos quando foi apresentado à compositora Elizandra Santos, então com 30, cujo currículo incluía mais de 100 canções que haviam sido gravadas por duplas da região. “Eu me encantei com ele, que já tinha uma voz muito bonita”, lembrou Elizandra numa conversa por telefone. Ela permitiu que Luan começasse a ensaiar algumas de suas composições. Em 2006, Amarildo Santana, o pai, organizou um churrasco em Jaraguari, cidadezinha próxima de Campo Grande, e carregou toda a parentela para ver Luan cantar e tocar violão. Elizandra Santos levou um amigo produtor, Frank Ferreira, e eles gravaram o áudio da apresentação.

O adolescente ficou decepcionado com a qualidade técnica da gravação – bastante ruidosa – e, desgostoso, partiu em dois o seu CD. Frank Ferreira não ficou totalmente descontente com o resultado e divulgou o trabalho. Distribuiu o disco por carros de som que faziam propaganda pelas cidades da região e colocou no YouTube uma das faixas, Falando sério, com crédito de “Gurizinho”, sem mais detalhes. Passado quase um ano, Luan Santana recebeu um telefonema. Era um radialista de Bela Vista, interior de Mato Grosso do Sul. “Você é o maior sucesso aqui!”, anunciou, para surpresa do menino. “Ele queria que eu fizesse um show e garantia um público de mil pessoas”, lembrou Luan, no jatinho. Como era menor – tinha 15 anos – “Gurizinho” disse que não podia decidir sozinho, e pediu ao radialista que retornasse à noite, para tratar com o pai. Amarildo Santana ficou radiante. Combinou-se que Elizandra Santos, que nutria pretensões de virar cantora, faria uma pequena participação.

No dia da apresentação, havia alguém na plateia que viria a ser determinante para a carreira de Luan Santana. Anderson Ricardo, um rapaz de 26 anos, muito branco e de olhos azuis, vira “Gurizinho” no YouTube e ficara intrigado. “Eu percebi que era um produto diferente: um menino cantando sertanejo sozinho”, lembrou com voz pausada e grave. Terminado o show, Anderson procurou Amarildo Santana e disse que gostaria de ser o novo empresário de Luan. “O Anderson falou que a Elizandra queria se vender junto comigo, que não tinha nada a ver”, lembrou o cantor. “Eu tinha que seguir nessa sozinho, e ele podia me preparar para isso.” Amarildo gostou da conversa, e assim foi feito.

A apresentação abriu as portas para novos convites. Anderson Ricardo tratou de regravar o CD ruidoso, repetindo o mesmíssimo repertório. Na capa, além de “Gurizinho”, impresso em letras garrafais, apareceu também, pela primeira vez, o nome “Luan Santana”. As coisas começaram a dar certo. Foi nessa época que o cantor ouviu Falando sério, a composição de Elizandra Santos que o lançara, interpretada por João Bosco & Vinicius, uma dupla já consolidada. Como eles gravariam outras três canções da compositora que também faziam parte do repertório do jovem cantor, Anderson Ricardo e Luan acreditam que Elizandra Santos passou adiante suas músicas como forma de retribuição pelo descaso com que julgou ter sido tratada. Ela nega. “João Bosco & Vinicius já tinham gravado essas músicas, só não tinham lançado ainda. Luan também não foi o primeiro a gravar Falando sério, nem tinha exclusividade sobre ela”, diz. Elizandra não esconde a mágoa por ter sido afastada da carreira do garoto. “Eu fui a primeira a enxergar o potencial dele, o Anderson já pegou tudo mastigadinho”, lamentou. “Aqui em Mato Grosso do Sul, todo mundo acha que ele cuspiu no prato que comeu, porque saiu por aí dizendo que o primeiro CD foi produzido numa boca de porco, num fundo de quintal. É duro ver sua dedicação jogada no lixo.”

26 comentários
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.