29 mar 2010 | Artigos
Luan Santana e o Frankenstein de Mary Shelley

Uma das histórias mais fantásticas da literatura mundial, Frankenstein, da escritora britânica Mary Shelley, aborda, entre outras, a questão “criador e criatura”. A obra-prima escrita no século XVIII e mais viva do que nunca nos dias de hoje, conta a história do cientista Victor Frankenstein , criador de um monstro que ganha vida própria e foge do controle do mestre.

Mas por que afinal estamos falando sobre esse assunto? E o que isso tem a ver com música sertaneja?

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Nas últimas semanas uma questão andou perambulando meio que sem rumo pelos bastidores da música sertaneja. O ídolo teen Luan Santana estaria se desvencilhando da imagem de seu “tutor”, o cantor Sorocaba. Para entender a história, será necessário comentarmos alguns fatos ocorridos.

Em dezembro de 2008, numa conversa de boteco, um amigo me disse que Sorocaba estaria auxiliando na carreira de um jovem garoto lá de Campo Grande. Esse garoto, disse ele, chegou a fazer um pequeno sucesso em sua região, mas foi duramente “golpeado” por João Bosco & Vinícius. Sorocaba teria encontrado esse jovem desmotivado e pensando seriamente em desistir de tudo. O garoto era Luan Santana.

O investimento realizado em Luan foi algo que dispensa comentários. Até mesmo a estrutura 2008 de shows de Fernando & Sorocaba foi cedida ao jovem cantor. Sem falar nas inúmeras composições assinadas pelo cantor paulistano e cedidas ao sul-matogrossense. Todo esse trabalho resultou no maior fenômeno teen da história da música sertaneja. Recorde de público e bilheteria, popularidade lá em cima, e mais recentemente (ontem) o troféu “Os Melhores do Ano” do Domingão do Faustão. Mas estava bom demais para ser verdade.

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Após quase dois anos de parceria, rumores de um rompimento passaram a circular pelos bastidores da música, mas nada ainda era concreto. Já o episódio ocorrido durante o lançamento do DVD do jovem cantor em novembro passado no Villa Country levou muita gente a imaginar que os boatos poderiam não ser tão “fofoqueiros” assim. Naquela noite, Luan subiu ao palco e agradeceu a todos pelo momento importante que estava vivendo, mas parece ter esquecido de seu maior “incentivador”. Minutos depois, ainda no evento, um encontro não planejado colocou Luan e Sorocaba frente a frente, e o que ficou foi apenas um sorriso amarelo por parte do ídolo teen. Outro detalhe que chama a atenção são os créditos na capa do DVD Meteoro, nem uma linha sequer fazia menção ao nome de Sorocaba. Fontes fidedignas dão conta de que não é apenas boataria esse rompimento.

Mas de onde teria partido essa idéia de desassociar Luan Santana de Sorocaba? Tal qual Frankestein que se sobressai a seu criador e ganha “independência”, alguns defendem que Luan só poderá continuar seu crescimento meteórico se estiver sozinho, sem a interferência ou intromissão de ninguém. Reforçar sua imagem, ganhar terreno e se perpetuar definitivamente como o possível maior astro sertanejo de todos os tempos.

E quem de fato estaria por trás dessa ruptura? A gravadora? O empresário Anderson Ricardo? O pai? Ou seria coisa do próprio Luan? E o que muda para cada uma das partes com essa separação? Quem afinal perde de verdade nesse caso? Para Luan, aparentemente as perdas se condensam nas áreas criativas e produtivas, afinal parte de seu repertório é composto por músicas de Sorocaba. É de conhecimento geral que Sorocaba é um cara que tem faro para o sucesso, além de ser esse grande compositor. Parte do sucesso de Luan se deve às inúmeras articulações do artista paulistano.

Para Sorocaba, as perdas parecem maiores. Além de todo o investimento feito no jovem, o compositor deixa de ter suas músicas executadas, o que atrapalha seus planos de ser o maior compositor do Brasil em 2010. Isso caso o Luan queira se desvencilhar também nesse aspecto, executando apenas as composições próprias ou não compostas pelo Sorocaba. Claro, isso tudo sem contar a exposição de seu nome e os créditos por ter revelado Luan. Por fim, assim como no clássico de Mary Shelley, a sensação de ingratidão e abandono por parte da criatura deixam o criador extremamente abalado.

Dois momentos que merecem ser registrados: durante a apresentação de Fernando & Sorocaba no Villa Country na última quinta-feira, numa clara demostração de grande mágoa, Sorocaba comentou que um dos maiores sucessos das rádios nos últimos tempos era uma criação sua, a música “Meteoro”. Finalizou dizendo que nem precisava citar o nome do intérprete. A outra faceta desse momento ocorreu na tarde de ontem, durante a entrega do prêmio “Melhores do Ano” do Domingão do Faustão. Luan roubou a cena e ao contrário dos outros convidados foi intimado pelo apresentador a cantar ao vivo, com acompanhamento da banda Domingão. A articulação do rapaz deixou a banda perdida, além de sem medo desmentir o mal informado Faustão, no ar e ao vivo, dizendo que nunca cantou em barzinhos.

Luan sabe que tem estrela e Sorocaba sabe o que está perdendo. Apesar de tudo isso, uma coisa é certa: Sorocaba já escreveu seu nome na história da carreira do rapaz. Daqui para frente, se Luan voar ainda mais alto, será sempre lembrado como fruto do olhar visionário de Sorocaba. E se por acaso o rompimento acontecer e o jovem sucumbir ao sucesso, então terá sido, nas rodas de conversa, porque “abandonou o mestre”. Mas isso é algo que não deve acontecer, não por enquanto. Ao contrário do livro de Mary Shelley, estamos torcendo para que esta história tenha um final feliz.

20 comentários
  • Rebata carvalho da silva: (responder)
    9 de março de 2012 às 21:40

    Boa Noite nessa vida nao se leva nada enquanto a gente briga por esses cantores ele nem sabe que a gente existe Renata carvalho da silva

  • Jéssica: (responder)
    3 de abril de 2012 às 18:19

    Os 2 são ruim

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.