27 fev 2013 | Notícias
Manifesto pelo fim do CD Ao Vivo Fake

O sucesso da música sertaneja a partir da fase universitária, representada principalmente pelos discos ao vivo, e a aproximação da música sertaneja com o público jovem consolidaram no mercado uma prática inicialmente interessante: a de incluir ambiência de público em discos gravados em estúdio. A idéia era trazer também para os CDs toda a mágica transmitida nos DVDs ou dos shows. O artista que não queria gravar um DVD podia simplesmente gravar um disco em estúdio e incluir a voz do público, a gritaria, a energia. Essa era a palavra: “energia”. É comum pensar que os discos ao vivo trazem uma energia muito mais contagiante que a dos discos simples de estúdio. No início até que era legal. Mas será que ainda é?

Quando a prática começou a se tornar comum, a diferença de qualidade entre as produções começou a ficar evidente. Alguns produtores são escandalosamente mais preguiçosos que outros. Enquanto uns tinham o cuidado de colher as vozes do público da forma menos artificial possível, fazendo as gravações nos próprios shows dos artistas ou levando o público pra dentro do estúdio e gravando quantos takes fossem necessários, outros se contentavam em vasculhar a internet atrás de efeitos sonoros que imitavam uma multidão. E depois montavam um loop no qual aquele som de multidão se repetia durante todo o disco. Alguns discos acabavam ficando com o loop tão curto que a repetição do som da multidão ficava mais do que evidente.

A multiplicação dessess discos ao vivo fakes de péssima qualidade acabou fazendo respingar nos de boa qualidade uma certa implicância por parte do público. Já de algum tempo pra cá, sempre que sai um novo CD ao vivo “fake” essa parcela do público já reage com indignação, com frases como “o disco até que é legal, mas não aguento mais essa platéia falsa“. No começo, eu até que era um defensor da prática. Mas daí passou um ano, depois dois, depois três, e o que era criativo e interessante acabou ficando enjoativo e irritante. Hoje, incluo-me nessa parcela do público que não aguenta mais dar o play num CD e ouvir gritaria de público ao invés da música pura.

Mas prestem atenção. Por mais estranho que pareça para alguns, ouvir o áudio de um DVD gravado com público ainda é tolerável. Afinal de contas sabemos que aquilo foi de fato gravado conforme estamos ouvindo. Agora, quando ouvimos um CD Ao Vivo fake a implicância não é só por conta do público gritando, mas também por sabermos que o disco foi gravado em estúdio e não num show e que aquele povo todo gritando foi gravado depois, ou seja, estamos praticamente ouvindo uma gigantesca mentira.

Quem entende um pouco mais de música, isto é, músicos e demais profissionais da área, a reclamação acerca dos CDs Ao Vivo fakes geralmente está relacionada ao fato de que a ambiência do público atrapalha a audição do que realmente interessa. Querendo ou não, um disco de estúdio geralmente tem mais detalhes do que um disco gravado ao vivo. Nos DVDs, em teoria, criam o arranjo, ensaiam a banda e no dia do evento metem ficha e pronto. Profissionais de música gostam de ouvir esses detalhes a mais presentes nos discos de estúdio. Mas como ouvir esses detalhes com a gritaria do público atrapalhando?

A justificativa dos produtores e artistas para o uso dessa prática sempre foi a mesma: o povo gosta, o povo quer. Até algum tempo atrás, até que essa justificativa era aceitável. Lançar um CD de estúdio sem a ambiência do público era uma atitude arriscadíssima. Poucos foram os artistas nesses últimos 10 anos, pelo menos, que fizeram isso e se deram bem. Alguns artistas dessa geração sertaneja atual (a tal universitária), aliás, NUNCA lançaram um disco de estúdio sem ambiência.

O pior de tudo com relação a essa prática é que infelizmente ela ainda é usada para agradar o grande público, que em teoria é leigo quando o assunto é música. O povo não está interessado em ouvir os detalhes da produção, os instrumentos, os arranjos. Pelo contrário. O povo só quer saber de letra, voz e ritmo. Apesar de atualmente alguns artistas estarem começando a se arriscar em discos de estúdio sem ambiência de público, ou pelo menos em singles lançados entre um disco e outro, essa não parece, ainda, ser uma tendência. Lamentável, mas não parece mesmo.

Resta aos admiradores da música na sua essência, como eu, cruzar os dedos e torcer para que essas poucas músicas lançadas sem público façam sucesso, para talvez influenciarem os lançamentos de estúdio seguintes. Que as músicas ao vivo sejam mesmo ao vivo e não mais uma mera montagem. Sei que ainda parece difícil, mas não custa torcer, né?

41 comentários
  • Victor André: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 16:27

    Finalmente alguém concorda comigo. Tá ficando muito chato esses cd’s ao vivo. O CD do Bruno & Marrone (Juras de Amor), ficou tão bom, gostoso de escutar, sem aquela gritaria sem nexo que se ouve nos Cd’s ao vivo. Tá passando da hora de investirem mais em gravações de estúdio sem o tal do ao vivo!

  • Isabella: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 16:29

    Concordo plenamente contigo, Marcão!

  • deco pires: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 16:32

    É simples, dessa geração quem canta e verdade?NINGUÉM. Ninguém toca porra nenhuma, enfim, tudo maquiado no extremo…

    Ao vivo de verdade, pra esses caras…dificil.

    O ultimo que eu vi foi o “Victor e Leo em uberlandia” e nunca mais.

  • Tony Francis: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 16:32

    Marcão manifesto pelo fim de cantores , artistas e músicos fakes rs….

  • teco: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 16:46

    tarde pessoar tudo bom ? Rapaz o povo gosta dos gritos porque o povo quer se contagiar com a energia transmitida pelo público naquela canção. Mas pensem se precisam da gritaria pra se contagiar pra que a musica então ?? Se o disco sem gritos ao fundo não faz sucesso porque a simples adição de gritos o torna a fazer ? Háaa pra mim esse assunto é chato de mais da conta e acaba tudo no mau gosto das pessoas por estas musicas ruins que estão por aí. Temos ótimas canções e ótimas gravações sem esses gritos horríveis aí disponíveis; por tanto vamos a elas e ponto. Tarde Passar bem.

  • Bill Moura e Leonardo: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 17:01

    Manifesto apoiado. Se não é real, não é legal, kkkkkkkkk…. Abraço galera!

  • Luiz Fernando: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 17:12

    Nem por ser falso, mas por ser irritante mesmo essa gritaria do caralho. Você pega um CD ao vivo e começa a passar as músicas é só aquela barulheira no começo. Enche o saco mesmo. Isso é poluição sonora. Para com isso, cacild’s!

  • Aspirante: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 17:16

    Será que é somente o público que “gosta” disso?

    Já ouvi relatos de programadores de rádio que exigem que uma canção agitada possua versão “ao vivo”.
    E o artista novo faz o quê? Grava uma versão de “ao vivo” fake mesmo.

    O buraco, novamente, é mais embaixo.

  • Alexandre: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 17:18

    Vdd, um CD que ouvi muito, que escuto ate hj é o CD do Gusttavo lima “Inventor dos Amores” que eu gosto de ouvir soh pra presta atenção no arranjo que pra mim é um dos cd’s q tem os arranjos mais legais que ja ouvi, tem um pouco de gritaria, mais soh nas primeiras musicas rsrs

  • Sergio de Marco: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 17:28

    Over.Passou.Chega disso.
    Cuidado pra não perder anunciantes, Marcão!
    Rsrsrs!

  • Nanji: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 17:29

    OBRIGADO Marcão !!! Onde eu assino o manifesto? Caraca… fico tentando ouvir a música no CD e aquela gritaria desvairada… bicho… será que alguém gosta mesmo disso????

  • Alexandre L.: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 18:01

    Verdade, um CD que ouvi muito, que escuto ate hj é o CD do Gusttavo lima “Inventor dos Amores” que eu gosto de ouvir soh pra presta atenção no arranjo que pra mim é um dos cd’s q tem os arranjos mais legais que ja ouvi, tem um pouco de gritaria, mais soh nas primeiras musicas rsrs

  • Lucas Melo: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 18:13

    Depois do CD “Quando chega a noite” do Luan, que trouxe essa nova tendência ao mercado, porém muito bem feito, geral começou a copiar isso, mas sem qualidade, incluindo voz fakes nas músicas, e ficou perceptível. Lamentável!

    • Marcus Vinícius: (responder)
      27 de fevereiro de 2013 às 18:31

      vish mano, essa história de cd ao vivo fake tem no mínimo uns 10 anos. Bem anterior a esse disco do Luan.

      • Lucas Melo: (responder)
        27 de fevereiro de 2013 às 18:36

        Não tinha escutado ainda, nem curto muito. Prefiro de estúdio ou ao vivo mesmo.

  • joao: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 21:01

    ameaça po sertanejo http://www.fabioerafael.com.br/

  • fernando: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 21:03

    ameaça po sertanejo http://www.fabioerafael.com.br/

  • Daniel Assis: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 21:37

    Lembrando que essa pratica começou no forró e depois migrou para o sertanejo, assim como os CDs promocionais!

    Daqui a pouco começam os gravadores de shows sertanejos a gravarem apresentações ao vivo e lançarem na net com uma vinhetinha chata de Fulano CDs!

    • Aí o tiro sai pela culatra: (responder)
      27 de fevereiro de 2013 às 22:41

      Se gravarem sempre esse povo ao vivo nesse esquema, tá tudo perdido… abafa o caso… abafa.

  • Victor: (responder)
    27 de fevereiro de 2013 às 22:15

    Se as músicas forem gravadas ao vivo de verdade, não tem nenhum problema. Mas na minha opinião, uma música inédita tem que ser gravada primeiro em estúdio sem o ao vivo fake, para depois ser feita uma versão ao vivo de verdade mostrando realmente toda a empolgação do público, justamente para que gosta de escutar as versões ao vivo e sentir a tal da energia

  • Reinaldo: (responder)
    28 de fevereiro de 2013 às 06:49

    Como vou saber se o pessoal só quer ao vivo se só se faz ao vivo, desde então?!

  • Fabio Roque: (responder)
    28 de fevereiro de 2013 às 09:34

    Maneiro esse texto que o senhor postou! Acho que você tinha que resolver problemas na rua todos os dias, rsrsrs
    Também peguei raiva dessas gravações ao vivo fake!
    Já deu, já encheu o saco!!! Coisa boa é você pegar um disco igual ao Juras de Amor do Bruno e Marrone e ouvir seguidamente uma mesma música só pra detectar os detalhes dos arranjos, a sonoridade. Aquele som limpinho!
    Eu até pouco tempo era bem radical, era contra até mesmo de gravarem instrumentos previamente em estúdio pra uma gravação de DVD, achava isso uma traição danada ao público. Na minha concepção tinha que ser tudo gravado na hora, ali no palco, mas isso é outra história.
    O que importa é que esse lance de publico falso tem que ter fim um dia e nesse dia, os nossos ouvidos agradecerão muito!

  • Douglas: (responder)
    28 de fevereiro de 2013 às 10:48

    Sinto falta dos acústicos.

  • Marcelo: (responder)
    28 de fevereiro de 2013 às 11:03

    Apoiado Marcão, penso da mesma forma que vc escreveu.
    Quando o ao vivo é original é nítido a diferença para o fake, um exemplo do bom ao vivo é o ultimo dvd do Bruno e Marrone quando o Marrone vai cantar a música 24 horas fazendo a primeira voz, o publico todo gritando o seu nome, isso sim é bom e espontâneo…parabéns Marcão

  • Sílvio: (responder)
    28 de fevereiro de 2013 às 13:13

    ATÉ QUE FIM AS PESSOAS ESTÃO ACORDANDO PRÁ ESSES CDs FALSOS, EU ACHO MUITO CHATO CD AO VIVO, PREFIRO A VOZ DE ESTUDIO LIMPA SEM O PUBLICO CANTANDO OU GRITANDO

  • Adalton Sertanejo: (responder)
    28 de fevereiro de 2013 às 13:21

    Bela matéria Marcão, tenho uma outra sugestão de matéria pra você. É sobre os organizadores de festa que não disponibilizam a venda de meia entrada e quando disponibilizam vendem mascaradas como se fosse nem existisse. Por exemplo, na minha cidade terá uma festa em que o camarote custará 120 reais, a área vip em frente ao palco 60 reais, pista 60 tb e pista meia entrada 30. Lembrando que a área vip fica de frente ao palco fazendo com que a pista fique bem longe do show. Se a área vip custa 60 reais ninguém vai comprar ingresso de pista valendo o mesmo preço não acha? Isso é tudo armação pra dizer que tem meia entrada e deixar os mesmos longe do palco, acho tudo isso uma sacanagem, mesmo se não virar matéria fica aqui a minha indignação. Obrigadoç

  • Elias Ramon: (responder)
    28 de fevereiro de 2013 às 18:19

    O Henrique & Diego gravaram um disco de estúdio sem ambiência?

  • Victor235: (responder)
    1 de março de 2013 às 00:11

    Não vou citar nomes, mas acredito que todos os cantores que estão em alta hoje em dia já tiveram essa prática em CDs de estúdio. O foda é que agora já “peguei o jeito” e descubro fácil quando a plateia é fake. Além de chato, ficou manjado.

  • Welson Ximenes (Chico): (responder)
    1 de março de 2013 às 10:15

    Esses CDs Fake Ao Vivo dão muita raiva. Tudo enganação. Uma prática que também não gosto é a dos últimos CDs “ao vivo” de Zezé di Camargo & Luciano. Um monte de voz feminina fazendo coro. É muito chato isso.

  • Renan: (responder)
    10 de março de 2013 às 15:22

    Por essas e outras que sou fã de Victor & Leo…

    O único CD que achei legal nessa onda “Ao vivo fake” foi o “Aí ja era”, porque foi o 1° que ouvi nesse estilo, daí em diante, fiquei achando uma m***. Mas enfim, espero que isso um dia acabe, se é pra ter gente gritando, faz ao vivo de verdade então!

  • Cleiton: (responder)
    2 de julho de 2013 às 20:51

    Trabalho em rádio e já me tornei expert em reconhecer o “ao vivo fake”. Também não gosto do “ao vivo real” pois em algumas musicas só se ouve gritos. Isso é ridículo. Não vejo tocar nas rádios versões ao vivo de artistas internacionais e eles fazem sucesso no mundo todo, porque os artistas brasileiros querem ser diferentes?

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.