18 mar 2011 | Artigos
Meu padrinho Presidente…

Nos últimos tempos, eu falei aqui e aqui sobre artistas sertanejos que tiveram ajuda no início de suas carreiras. Dentre os inúmeros casos, um mais antigo chama muito a atenção, justamente pela peculiaridade de um dos padrinhos. Neste caso, um Presidente da República.

O ano era 1991 e durante uma de suas tradicionais caminhadas matutinas pelos jardins da Casa da Dinda, o recém eleito presidente Fernando Collor de Mello, conheceu o menino Rony Motta. A Casa da Dinda era, na época, a moradia oficial do presidente e, graças a seus belos jardins e importância política, virou rapidamente destino turístico de grupos escolares. Além disso, as caminhadas do presidente já haviam virado sua marca registrada e estudantes e imprensa ficavam atentos pois ao final de cada caminhada havia sempre uma entrevista coletiva.

E foi assim que entre jornalistas, seguranças e outras crianças, Rony Motta conseguiu se destacar, chamar a atenção do presidente e cantar “É o Amor” para Collor. Empolgado, o carismático garoto “colocou” até o presidente para cantar junto. Ao final da apresentação, o então “chefe de estado” do Brasil fez um apelo pessoal ao apresentador Silvio Santos para que desse uma oportunidade para Rony em seu programa.

O garoto, com nove anos na época, tinha perdido o pai havia cinco meses e ficou felicíssimo com a ajuda. Pouco tempo depois, já estava se apresentando no Show de Calouros, do SBT. Silvio, para ajudar mais ainda (e fazer uma média com o presidente), organizou uma competição que durou cinco semanas, se Rony vencesse cinco concorrentes (um por semana), ganharia 1.500 mil cruzeiros, um videocassete, um troféu e uma fita k7 com suas músicas gravadas. E assim foi feito, depois da vitória no programa do “homem do baú”, a vida do garoto virou pelo avesso. Entrou em sua vida um novo padrinho: Zezé Di Camargo.

O cantor goiano viu o menino durante uma apresentação em Brasília e ficou encantado. Resolveu então apadrinhá-lo, levando-o até a gravadora Sony, que o contratou na mesma hora. O primeiro LP de Rony Motta, lançado no início de 1994,  já saiu da fábrica com pelo menos um sucesso garantido: “Já Sou Quase um Homem”. A música cantada em parceria com Zezé Di Camargo & Luciano explodiu por todo o país e vendeu milhares de cópias do disco de estréia. Por onde ia, Zezé levava o garoto e o apresentava, emprestando assim sua credibilidade, como nunca antes visto. Foi dessa forma por vários meses, em programas de tv de grande audiência e de abrangência nacional, como Hebe, Faustão, Criança Esperança, em centenas de rádios que frequentavam e shows que faziam.

Este sucesso de Rony Motta permaneceu ainda por alguns anos. O menino foi crescendo e, então adolescente, lançou outros três LP´s, tendo em um deles a participação de João Paulo & Daniel na clássica canção “Couro de Boi”. Hoje, Rony tem uma dupla com o irmão mais novo, Jhonatan, e se apresentam em eventos em Brasília e região. A dupla não conta mais com a ajuda dos padrinhos de outrora, mas Rony pode se gabar de ter tido os melhores padrinhos que qualquer cantor em início de carreira poderia ter. Imagine só, ser apadrinhado por um presidente recém eleito, que ainda gozava de grande credibilidade entre a população e entre os poderosos e depois por Zezé Di Camargo & Luciano, donos de sucessos sem precedentes?

Muito mais do que qualquer ser humano pode imaginar, não é mesmo? E então, alguém aí precisa de padrinhos como esses?

10 comentários
  • Camila Pedebos: (responder)
    10 de maio de 2012 às 01:15

    Parabéns pela matéria, estou fazendo um trabalho da escola sobre a música ”couro de boi” e essa informação me foi muito útil, achei muito legal essa história …

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.