15 jun 2010 | Artigos
Nos bastidores dos grandes eventos – parte 2

Continuando…

Enfim, o que acontece por trás da cortina? Como funciona o corre-corre nos bastidores de um grande evento desse porte? Como é a reação dos artistas no atendimento ao público? E como o público se comporta? O que acontece de inusitado nos camarins?

No Villa Country, como já detalhei antes, gozei de algumas regalias, como atendimento “prioritário”, hehehe, fora a possibilidade de ir para trás do palco depois do show, quando quase ninguém teve essa chance. Foi legal ver a grande quantidade de verdadeiros fãs da dupla Marcos & Belutti. Os caras são queridos, apesar de muita gente ainda torcer contra, por incrível que pareça.

Como São Paulo é a cidade natal da dupla, o atendimento ao público depois do show ficou um pouco prejudicado. Aliás, isso é comum. Quando se faz um show na cidade de origem da dupla, é grande a quantidade de pessoas que vêm com desculpas do tipo “sou vizinho do cunhado do primo” e tal, como já citei no último texto aliás. Imagina se a dupla for atender cada uma das pessoas que aparece com esse tipo de desculpa, uma mais esfarrapada que a outra. Não dá, de verdade. Infelizmente a gente tem que dar o braço a torcer nessas horas. Por mais próxima que deva ser a relação do artista com o fã, tem horas que realmente não dá pra exigir do artista uma atitude diferente. Claro que em alguns casos determinados artistas agem como babacas pretensiosos. Mas dá pra perceber quando isso acontece. E quem perde com atitudes babacas são os artistas babacas que se sentem a última bolacha do pacote. Marcos & Belutti compensam qualquer aparente falha que possa haver no camarim dos eventos com relação ao atendimento apenas com a forma como lidam com a galera no twitter, só pra citar um exemplo. É uma coisa que parece pequena, mas que para o fã conta muito.

Em Americana, como já contei, fui para curtir e tive o privilégio de ficar nos bastidores só assistindo a movimentação da galera. Tira foto com rainha do rodeio e com as que perderam o concurso também, hehe, depois tira foto com fãs, depois fala com programas de TV regionais, depois fala com rádios locais, depois atende sites de foto, depois fãs. Engraçada, às vezes, é a figura do assessor de imprensa, que muitas vezes é tido como o vilão da história, por ter que contar o tempo dos atendimentos e por ter que barrar esta ou aquela pessoa, afinal o tempo já acabou e já está na hora da dupla entrar no palco. Mais engraçado ainda é quando alguma pessoa credenciada chega bem mais cedo que o previsto e fica buzinando no ouvido do coitado do assessor de imprensa: “Tá chegando?”, “quando chegam?”, “cadê eles?”, “eu vou ser o primeiro, né?”, “aquele lá entrou primeiro”, “quando vai ser minha vez?”, “você tá atrapalhando meu trabalho”. Dá pra ver as veias dos olhos dos assessores saltando e a vontade de pular no pescoço dos zé manés quase explodindo.

Em Araguari, no show da dupla Jorge & Mateus, como eu já expliquei no texto anterior, aconteceu à exaustão aquela coisinha do “ah, são meus amigos, deixa eu falar com eles”. Aparece gente do cafundó do Judas dizendo que conhece o Jorge ou Mateus desde criança e tal. Fora a quantidade de duplas e cantores pedindo a chance de cantar uma musiquinha junto com eles no palco. O mais estranho foi que em São Paulo, tanto no Villa quanto em Americana, isso não aconteceu. Aqui na região de Uberlândia, no entanto, isso é o que mais acontece. Acho que por isso o mercado por aqui anda tão prostituído.

Deixa eu explicar uma coisa que talvez as jovens duplas e artistas ainda não entendem. Não existe vantagem em cantar uma música num show de um grande artista. Imaginem só a situação. Zé & João cantam uma música com Jorge & Mateus. A não ser que os caras sejam a melhor e mais impressionante dupla no planeta, quando alguém for perguntar ao público algo como “quem foi que cantou com o Jorge & Mateus?”, a resposta vai ser, em 95% das vezes: “ih, sei não, uns caras aí…”. É triste, mas é a verdade. Agora, quando a dupla participante já é conhecida na região, a coisa flui de uma forma diferente. A participação no show passa a ser uma cortesia profissional, que pode vir a ser retribuída no futuro. Então, se você é cantor ou faz parte de uma dupla em início de carreira, não pense que cantar com este ou aquele grande artista ou dupla vai ajudar muito na sua carreira. O público pagou o ingresso para ver os caras e não você. Fora que o cara fica depois reclamando da dupla principal porque não conseguiu cantar e tal, como se eles fossem os culpados.

E os problemas técnicos? Às vezes acontece. No show da dupla Jorge & Mateus tive o prazer (?) de testemunhar a resolução de um desses problemas. O palco estava funcionando à base de dois geradores. Acontece que um tinha sido delocado para o rodeio e, quando foi religado no local original, passou a apresentar oscilação de voltagem, o que poderia ocasionar uma grave pane nos equipamentos. Aí começa o corre-corre. É o organizador do evento correndo de um lado, a equipe técnica da dupla correndo de outro, os nervos à flor da pele, ameaças de cancelamento, até a tomada definitiva da decisão que parecia a mais acertada. Ligaram tudo num só gerador e torceram para dar tudo certo. E não é que deu?

Eis uma pequena listinha dos típicos clichês que aparecem nos bastidores desses eventos: compositor entregando músicas inéditas para a dupla; dupla novata querendo fazer uma participação; loira, ruiva ou morena (ou as três, ou duas de cada, dependendo do artista) decotada e curvilínea com uma tatuagem na região lombar fazendo as vezes de groupie (qualquer que seja a consequência disso, se é que me entendem); fãs clubes uniformizados; colecionadores de autógrafos ou fotos; um produtor transtornado tentando organizar a baderna e seguranças barrando 5 em cada 10 que tentam entrar. Fora os parentes. Sempre tem parentes. Se o artista for cantar na Coréia do Norte, pode ter certeza que no camarim vai ter um parente dele que, por acaso, mora lá.

Fora também aquela pessoa moradora da cidade que gosta muito da dupla e quer aproveitar a chance de tirar uma fotinha que seja. Às vezes passa um boooom tempo no aperto da fila, esperando a chance de falar com os ídolos. Mas sempre tem este ou aquele cara que passa na frente porque é filho do prefeito, ou neto do dono da festa ou outra coisa do tipo. Política existe até em bastidores de shows, infelizmente.

Uma coisa que constatei com esse pequeno tour por alguns dos grandes eventos sertanejos ao redor do Brasil foi a grande superioridade que o estado de São Paulo tem sobre o estado se Minas Gerais na organização desse tipo de festa. Aqui em Minas, nas poucas festas das quais participei, a estrutura é quase sempre a mesma: camarins mal iluminados, dificuldade para a realização do atendimento aos fãs e à imprensa e outras peculiaridades. Exceto quando é um evento de repercussão nacional, como a gravação do especial de fim de ano da Record em novembro do ano passado. Fora essa coisa de artistas menores ficarem mendigando uma participação nos shows, coisa que não vi acontecer em São Paulo, o que demonstra um nível de profissionalismo bem maior nos artistas deste estado, mesmo os artistas menores.

As nossas aventuras pelos bastidores dos grandes eventos estão apenas começando. Em breve, se Deus quiser, mais textos, desta vez um pouco mais completos e detalhados, espero. Quem sabe até lá consigamos melhorar a qualidade dos nossos equipamentos, para podermos fazer vídeos com bastante qualidade e não ficarmos só nas fotos e textos, também. Por enquanto, vai desse jeito mesmo, hehe.

16 comentários
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.