20 ago 2007 | Lançamentos
O Brasil tem vergonha da música sertaneja?

Levante a mão quem já leu alguma resenha sobre novos trabalhos sertanejos nos sites e revistas de música existentes no Brasil. Agora levante a mão quem já viu algum “especialista” em música dizendo que não gosta de música sertaneja. Aposto cada centavo da minha escassa conta bancária como o número de pessoas que levantou a mão diante da segunda situação foi muito, mas muito maior que o número relativo à primeira situação.

Quem navega em sites de música do Brasil não encontra em lugar nenhum resenhas, ainda que negativas, sobre os novos trabalhos lançados no segmento de música sertaneja. Aparentemente, todos os “experts” que escrevem sobre música têm vergonha de tecer análises críticas sobre novos álbuns sertanejos lançados à exaustão no mercado. Em contrapartida, é fácil encontrar resenhas sobre bandas de rock independentes ou sobre novos artistas de MPB e outros segmentos, restritos apenas ao eixo Rio – São Paulo. Não faz diferença, para tais “experts”, o fato de que em recorrentes listas de “10 mais vendidos” sempre figuram dois ou três trabalhos sertanejos. Também não faz diferença o fato de eventos sertanejos darem audiência e lotarem cinemas, casas de shows e festas em todo o Brasil. A pergunta é: por quê?

Bom, em primeiro lugar, nota-se que ocorre, junto aos veículos de informação, uma certa indiferença com relação ao resto do Brasil. Por que resto? Ora, porque os veículos de comunicação levam em consideração apenas São Paulo, Rio de Janeiro, e respectivas regiões metropolitanas na realização de suas atividades. Aparentemente, ocorre um certo descaso com relação ao resto do Brasil no que diz respeito à publicação de notícias sobre música. Conseqüentemente, realiza-se ampla cobertura de eventos com artistas internacionais (que se apresentam apenas em São Paulo e Rio de Janeiro) e com artistas queridos pelo público das classes A e B, concentrados, principalmente, nos centros urbanos mencionados. Também é ampla a cobertura dos segmentos musicais comuns às periferias do Rio e de São Paulo, quais sejam o funk e o samba, respectivamente. O público de outras cidades, adepto dos estilos populares regionais (axé na Bahia, o tecno-brega no Pará, as músicas gauchescas no sul, etc), passa a ser, portanto, ignorado pelos meios de comunicação. Isso ocorre também com a música sertaneja, dominante no Centro-oeste, em Minas Gerais, no interior de São Paulo, na região sul e em boa parte das regiões Norte e Nordeste. Não se inserem tais estilos nas trilhas sonoras de novelas, por exemplo.

Alguns chegam a alegar que tais análises não são realizadas devido ao fato de que os usuários de Internet e leitores de artigos sobre música são, em sua maioria, jovens e adultos pertencentes às classes A e B, que, teoricamente, tem como preferência estilos musicais como rock, pop, MPB e música eletrônica. Ora, como se explica, então, o crescimento assustador dos estabelecimentos mais conhecidos como “lan houses” em bairros menos privilegiados, inclusive favelas? Isso mesmo: a Internet já é global. Quase todos já têm acesso. Apenas as classes mais desfavorecidas ainda carecem de tais benefícios, o quem vem sendo melhorado com os inúmeros programas de inclusão digital. Mesmo assim, os veículos de comunicação querem nos fazer acreditar que ninguém quer saber sobre os novos lançamentos sertanejos da temporada. Querem nos fazer pensar que é humilhante gostar de algo que, teoricamente, ninguém mais gosta.

Mesmo assim, nós, os brasileiros que ainda insistem em passar pela “humilhação” que é gostar de música sertaneja, teimamos em lotar casas de espetáculos, comprar milhares de CDs e DVDs, ainda que piratas, e até ir no cinema só pra assistir as histórias de nossos ídolos, batendo recordes atrás de recordes em lotação de eventos e venda de discos.
Por que será que isso ocorre? A resposta é uma só: o verdadeiro amante da música sertaneja não se sente humilhado por ser ele mesmo. Não adianta ninguém tentar nos transformar em algo que não somos. Não tem porque achar que o Brasil tem vergonha de ser o que é. Nós não temos vergonha de amar a nossa boa e fiel música sertaneja. Quem tem vergonha de reconhecer o próprio gosto musical é a elite carioca e paulistana, que ainda tenta, em vão, ditar tendências que o país jamais vai seguir. São eles que devem aprender conosco e não o contrário!!!
Por: Marcos Vinícius – blog@noembalo.com

9 comentários
  • jessica yaskara: (responder)
    5 de março de 2012 às 03:15

    Esse pessoal ñ tem mesmo oq fazer né? Se ñ gosta, então pq lê? E outra coisa, que tipo de brasiliros são esses que tem vergonha da nossa cultura? Se odeiam tanto pq ñ vão tenta fica com essas patricinha estrangera pra ve se ela quer? DEUS ME LIVREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • jessica yaskara: (responder)
    5 de março de 2012 às 03:16

    Então pq n fazem melhor?

  • jessica yaskara: (responder)
    5 de março de 2012 às 03:17

    fazer melhor seria bom!

  • Misician: (responder)
    14 de julho de 2012 às 19:23

    Não entendi a associação de música com sertanejo, são duas coisas bem diferentes. Não da pra comparar música com isso que rola na cabeça da galera alienada que curte esse etilo sertanejo.

    • Anônimo: (responder)
      20 de setembro de 2012 às 21:20

      vc realmente sabe qual é a definição de musica, acho melhor vc pesquisar primeiro, pra falar tal bobagens.

  • Amberly Feher: (responder)
    14 de julho de 2013 às 17:06

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  • Juliano santos: (responder)
    8 de agosto de 2017 às 11:37

    Ritmo podre…é tudo igual.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.