27 nov 2013 | Notícias
O contra-ataque digital da Sony Music

Nos últimos anos, principalmente devido aos problemas com pirataria e consequente queda nas vendas, assistimos a uma diminuição gradativa a importância das gravadoras na carreira dos artistas. Antes, elas eram as principais responsáveis pelo crescimento de cada um de seus contratados. A condução da carreira era realizada em consonância com as determinações dos executivos ou às vezes até por eles próprios.

Com o tempo, os artistas começaram a assumir as rédeas de suas próprias carreiras, as gravadoras foram se tornando meras distribuidoras e o resto da história todo mundo sabe. Atualmente, elas utilizam os elementos que têm cada uma a seu favor para se manter em alta. A Som Livre tem a Globo, a Universal e a Sony tem o respaldo internacional, etc etc etc.

Uma das grandes reclamações que havia sobre o trabalho das gravadoras até bem pouco tempo atrás era sobre a falta de visão quanto às novidades da era digital. O Youtube era considerado praticamente um inimigo e distribuir música digitalmente só era possível através de sites “piratas”. A consolidação do Youtube como maior plataforma de vídeos da Internet e do Itunes e outras plataformas como importantíssimos meios de distribuição de música digital, entretanto, já haviam acordado os executivos mundo afora e parece que essa realidade finalmente chegou ao Brasil. E a Sony Music é quem parece ter percebido isso primeiro.

De alguns meses pra cá, temos acompanhado nas redes sociais diversos artistas comemorando a assinatura de contrato com a Sony Music, o que a princípio me causou até um certo estranhamento. “Tanta gente assim?”. É que a Sony começou a trabalhar de forma muito mais intensa uma vertente recém-criada e que parece ser a resposta para todos os problemas apontados lá no começo do texto: a digital.

A fórmula é simples. Não é que a Sony esteja assumindo a carreira destes diversos artistas com quem ela tem assinado contrato. Ela apenas entendeu que é possível fechar parcerias com eles com o intuito de promover digitalmente os respectivos discos, singles e clipes.

Em conversa por e-mail com André Vilella, um dos responsáveis pela área digital da Sony Music, ele me disse o seguinte: “a Sony Music entende que o digital já é responsável por boa parte do crescimento da indústria de música tanto no Brasil quanto no Mundo e por este motivo decidimos investir em uma área que tem como foco fechar acordos artísticos de distribuição exclusivamente para as plataformas digitais com foco em vendas e promoção“.

Este trabalho da Sony Music voltado à área digital começou no início de 2013. O departamento digital da Sony trabalha em conjunto com o Artístico, este responsável pela captação de novos contratados, que serão trabalhados com foco principalmente nas mídias digitais.

A Sony Music Brasil possui contratos com todos os principais parceiros de venda de música digital no Brasil e no mundo (iTunes, Rdio, Deezer, Vevo / You Tube, operadoras de celular, etc…) e um trabalho muito forte de marketing digital que a posiciona como a maior gravadora em redes sociais no mundo. Só no Brasil são 5,4 milhões de curtidores da fanpage da gravadora, mais 1,5 milhão na da Sony Music Gospel e mais de 40 milhões somando todos os curtidores das fanpages dos artistas contratados.

O que temos, na verdade, é finalmente uma forma do artista trabalhar digitalmente o seu projeto de forma lucrativa, o que tem sido muito mais viável que a mera distribuição física. Ao invés do próprio artista realizar o trabalho sozinho ou através de sua equipe, ele pode utilizar todo o know-how da Sony Music, através de seu departamento digital, expondo, promovendo e vendendo legalmente suas músicas, seja no formato áudio ou audiovisual.

Dentro do segmento sertanejo, a lista de artistas que passaram a trabalhar junto à Sony Music a sua parte digital vem crescendo exponencialmente. Quando o André respondeu o e-mail, há alguns dias, a lista de artistas contratados pelo departamento digital da Sony incluía os seguintes nomes: Trio Bravana, Gustavo Moura & Rafael, Hugo & Tiago, Alma Serrana, Dany & Diego, Emilio & Eduardo, Hebert Dutra, João Lucas & Diogo, João Lucas & Walter Filho, João Marcelo & Juliano, Lu & Robertinho, Lucas DeCarizo, Lucas & Vinicius, Márcio & Murilo, Marquinho Guerra, Pedro Henrique & Thiago, Wellington & Nilo. Outros nomes, como Fabinho & Rodolfo e Sávollo Lopes, já estavam em vias de assinar o contrato.

Há que se lembrar, também, que a Sony é a gravadora oficial da Copa do Mundo, o que, falando de uma forma bem otimista, pode representar uma grande vantagem para seus artistas contratados durante os trabalhos que serão realizados em 2014. A Sony será responsável pelos temas, campanhas e pelo lançamento do CD oficial da Copa. Com isso, abrem-se portas para utilização de músicas relacionadas a futebol de diversos gêneros. Resumindo, esperem muita coisa nesse sentido dos artistas do casting.

É claro que a Sony, enquanto gravadora, continua trabalhando à moda antiga com alguns outros artistas contratados de forma integral, com a distribuição física dos trabalhos e um trabalho mais intenso de marketing. Entre eles, atualmente, estão Bruno & Marrone, Daniel, Eduardo Costa, Henrique & Diego, Zezé di Camargo & Luciano e o recém contratado Lucas Lucco. Sobre os artistas contratados pelo departamento digital, o próprio André Vilella ressalta que sempre existe a possibilidade do investimento e gerenciamento na carreira, mas que tudo vai depender do desenvolvimento do artista e do retorno obtido pelo trabalho realizado com ele.

9 comentários
  • LUCIANO SILVA: (responder)
    27 de novembro de 2013 às 12:48

    Breve histórico e conclusão:
    Início do Youtube – Fevereiro de 2005
    20 meses depois – comprado pelo GOOGLE por US$ 1,65 BILHÃO
    Só consigo pensar que os dirigentes das gravadoras estavam dormindo.
    Fonte:
    http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,AA1306288-6174,00.html

  • Alan: (responder)
    27 de novembro de 2013 às 15:07

    Antes tarde do que nunca. As matrizes internacionais já investem no digital desde 2006 (mas no mundo inteiro a internet estava mais popular que aqui) a Sony sempre foi pioneira e a Universal e a Som Livre com certeza vão atrás da ideia. A publicidade pela internet nos EUA e na Europa já é realidade há anos e só agora aqui no Brasil se tocaram da cagada que vinham fazendo jogando milhões em publicidade digital no ralo.

  • Luiz Fernando: (responder)
    27 de novembro de 2013 às 16:03

    Mas será que isso é vantagem para os artistas?

    No caso eles não poderiam, por exemplo, postar um link pra download gratuito para divulgar.

    Dificilmente o internauta vai ter interesse em comprar uma música de um artista pouco conhecido. No máximo baixar na pirataria.

  • Erik: (responder)
    27 de novembro de 2013 às 22:09

    Só pra constar: Leonardo deixou a Universal e voltou pra Sony Music

  • @ariomester: (responder)
    28 de novembro de 2013 às 00:15

    Essa o Renan – SP vai comentar? Eu gosto das idéias dele, apesar de discordar de algumas.

    • Renan - SP: (responder)
      28 de novembro de 2013 às 00:56

      Caro @ariomester, em outros posts eu já disse o que pensava de gravadoras, pirataria, caminhos…
      Nesse acho que não tenho nada acrescentar, e ao mesmo tempo em que compro cd’s originais, também baixo músicas, portanto prefiro não opinar.
      Gosto mais de posts sobre música, do que sobre busine$$.
      Mesmo assim estou acompanhando os comentários do pessoal.
      Também gosto das suas idéias, assim como a de todo pessoal que comenta aqui frequentemente, valeu.

  • Rafael Cesar: (responder)
    28 de novembro de 2013 às 13:26

    Acho que isso é interessante para as gravadoras, mas para o artista que faz o acordo com a gravadora fico meio estranho, pois ele vai na tv e não tem o produto fisico pra divulgar, ai ele vai lá pra falar do projeto dele e diz quantos downloads o trabalho dele tem ? quem que vai ficar monitorando ? penso que o fisico é insubstituivel.Pra certos cantores que a carreira não vai durar muito tempo é uma boa.
    Sei lá, é uma opinião que tenho, pois eu não faço downloads, eu compro o produto fisico mesmo.

  • Alan: (responder)
    28 de novembro de 2013 às 19:20

    O físico acho difficil de substituir, mas com a popularizaçao dos Mp3 player e ipods, as endas digitais acho que vão chegar num 70% das vendas totais daqui uns anos.

  • Luiz Fernando: (responder)
    29 de novembro de 2013 às 16:58

    O físico ainda é importante, mas o formato CD já era. A banda Biquini Cavadão lançou o último álbum em um pendrive, achei interessante. Aos poucos os aparelhos de CD estão sumindo, mas o USB tem em todo lugar.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.