20 jun 2011 | Artigos,Notícias
O convidado é quem sai ganhando

Já há muito tempo as participações especiais deixaram de ser eventos festivos para se tornarem meras ocasiões corriqueiras que de certa forma perderam o efeito que costumavam causar em outros tempos. Antigamente quando um artista chamava outro para participar de seu disco, ele queria na verdade lhe prestar uma homenagem ou reafirmar uma uma parceria. Depois da popularização do DVD, as participações se tornaram nada mais que uma banalidade. Isso aos olhos do público, porque para os artistas envolvidos as participações ganharam funções um pouco mais, digamos, comerciais.

Para quem convida, a participação continua em alguns casos tendo o mesmo aspecto de outrora: uma forma de mostrar a admiração que sente pelo trabalho do artista convidado. Mas na grande maioria dos casos, se tornou apenas uma forma de aproveitar o sucesso do artista convidado, geralmente maior do que o do artista que convida. Por isso é tão comum ver um artista que está em alta gravando participação em dezenas de canções de dezenas de artistas diferentes.

Já para o artista convidado, a participação tem se mostrado uma das mais baratas e eficazes formas de divulgação da própria carreira. O artista que cresce um pouco mais que os outros e passa a ser convidado a gravar participações em canções dos mais variados artistas pode fazer desta uma excelente chance de ver a carreira deslanchar. Exemplos recentes mostram que isso é verdade.

João Carreiro & Capataz são uma das duplas que mais cresceram no último ano. E o mais estranho é que não lançam um disco novo há mais de um ano e meio. No máximo lançam uma música nova a cada 3 meses, mas de disco novo mesmo ainda não há uma previsão efetiva de lançamento. O que explica então o fato de serem eles uma das duplas mais atuantes nas festas ao redor do Brasil?

Não vejo outra explicação plausível a não ser o fato de marcarem presença em dezenas de trabalhos de outros artistas. João Neto & Frederico, Léo & Giba, Grupo Rhass, Pedro Henrique & Fernando e diversos outros. E a maioria das músicas que contam com a participação deles é lançada como música de trabalho pelo artista que fez o convite. Ora, quer forma de divulgação mais tranquila que essa? O nome deles fica em evidência sem que eles precisem fazer nada além de gravar uma participação na referida música. O nome em evidência mantém aceso o interesse do público e eles podem divulgar com mais facilidade o próprio trabalho.

Um outro artista que se valeu do mesmo artifício foi Gusttavo Lima. Aproveitando a fama conquistada em seu primeiro trabalho de expressão nacional, aceitou diversos convites e, consequentemente, teve o nome divulgado por uma série de artistas sem nenhum esforço. Apenas o da gravação. Humberto & Ronaldo, Reginho e até o Padre Reginal Manzotti são alguns dos artistas que contribuíram para o crescimento do nome “Gusttavo Lima” na música brasileira.

Mas sem sombra de dúvida os artistas mais beneficiados pelas participações que gravaram foram Jorge & Mateus. Não só porque gravaram com as pessoas certas, mas porque gravaram com dezeeeeeeeenas de artistas diferentes. E por serem eles a dupla de maior sucesso nos últimos dois anos, toooodos os artistas que contaram com a participação deles em uma canção querem aproveitar do sucesso deles para promovê-la. Por conta disso quase todos os artistas que os convidaram lançaram ou ainda vão lançar a música que gravaram com eles como música de trabalho.

Por mais que o próprio trabalho deles seja bom o suficiente para deixá-los em alta, não dá pra negar que essa infinidade de participações faz com que eles sempre permaneçam no setlist das rádios, com uma, duas ou até 3 canções numa mesma hora de programação. Afinal, além da música deles há ainda a música de trabalho de outro artista, que por acaso tem a participação deles. Só de um ano e meio pra cá foram destaque com músicas gravadas com Lucas & Luan, Marcos & Fernando, Gusttavo Lima e muitos, muuuuuitos, muuuuuuuuuuuuuitos outros.

A mais recente dupla a aparentemente se dar conta dos benefícios que uma participação num trabalho de um artista de menor expressão pode trazer é Marcos & Belutti. Até pouco tempo atrás não era muito comum vê-los dividindo os vocais com outros artistas. Nas últimas semanas, no entanto, foram lançadas na Internet e nas rádios pelo menos três canções que contam com a participação deles.

Thaeme & Tiago, João Márcio & Fabiano e Amannda lançaram músicas com a participação da dupla. E isso coincide com o lançamento do novo trabalho de Marcos & Belutti pela Som Livre. Além de divulgarem o próprio trabalho, acabam ganhando a divulgação de seu nome através do trabalho de outros artistas e isso sem dúvida alguma é positivo para o fortalecimento do da dupla junto aos meios de comunicação. Uma ajuda inestimável na divulgação do novo DVD, às vésperas de seu lançamento.

Ainda é comum a negativa de um ou outro artista de participar do trabalho de outro sob a alegação de que isso eventualmente prejudicaria o próprio trabalho. “Ah, estou focando na divulgação do meu disco”. Acontece que isso já deixou de ser prejuízo há tempos. Todos os artistas citados neste texto perceberam isso, aliás, e se deram muito bem aceitando divulgar de graça o próprio nome. Gravar uma participação num disco de outra pessoa é um privilégio e uma demonstração de prestígio. E já há algum tempo se tornou de fato um excelente negócio.

29 comentários
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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.