29 dez 2011 | Notícias
O homem do ano

Na última semana do ano é sempre bom fazer um balanço do que aconteceu no período. Já postamos inclusive a indispensável lista de melhores discos do ano. Mas não vou, como a maioria dos sites sertanejos, fazer uma retrospectiva dos fatos, afinal todo mundo já está fazendo. Vou, no entanto, me valer da mesma tática do ano passado e aproveitar a última semana do ano para postar textos relacionados às personalidades da música sertaneja que mais se destacaram nesse período.

Ano passado, se vocês se lembram, postei na última semana um texto sobre o podutor Dudu Borges e outro sobre a dupla Chitãozinho & Xororó, que completava 40 anos de carreira. Para este ano, postarei dois textos, um sobre cada uma das duas personalidades que foram a cara da música sertaneja em 2011: Michel Teló e Paula Fernandes. No texto de hoje, Michel Teló.

Creio que não houve no decorrer desse ano nenhum artista tão atacado, massacrado, excomungado pelos fãs mais tradicionais de música sertaneja do que ele. Tudo porque ele conseguiu protagonizar o maior hit do ano na música sertaneja a partir de uma música simples, pequena, e que, na cabeça de muita gente, foi uma das “maiores atrocidades já cometidas contra o explendor de nosso segmento”: a canção “Ai Se Eu Te Pego”.

Michel Teló vinha de um mega hit que, na correta visão de muitos, não tinha conseguido dar a ele o mesmo status que a própria música tinha atingido. A “Fugidinha” foi provavelmente o maior sucesso de 2010, mas isso não fez de Michel Teló o maior artista sertanejo do ano. Naturalmente, quando a música “Ai se eu te pego” foi lançada e logo começou a se proliferar, muita gente pensou que aconteceria o mesmo que aconteceu com a “Fugidinha”.

A música foi lançada no dia 19/07/2011, aqui no Blognejo e em outros veículos da Internet. Na semana seguinte já estava nas rádios. E em questão de dias a música alcançou um sucesso estrondoso. Surpreendeu pela rapidez com que isso aconteceu e pela repetição do feito do ano anterior. Houve quem apostasse que o Michel não conseguiria repetir o que ele havia conseguido com a “Fugidinha”. Mas conseguiu. A música já era um hit maior do que o hit do ano anterior e o Michel fez juz ao título de hitmaker da música sertaneja.

Daí o desafio. Repetir o feito de emplacar um hit era uma etapa concluída. A próxima etapa seria conseguir fazer de si um artista tão grande quanto a música que tinha emplacado. Acontece que a música já havia se tornado tão grande que um mega astro do futebol (Cristiano Ronaldo) que joga num dos maiores times de futebol do mundo (Real Madri) resolveu comemorar um gol dançando a dita cuja. E de mega sucesso nacional, a música “Ai se eu te pego” se tornou mega hit internacional.

Em questão de semanas, emplacou o primeiro lugar nas vendas do Itunes em Portugal, na Espanha e, recentemente, na Itália. O clipe da música, que já crescia espantosamente no Youtube, se tornou o vídeo mais visto do site no Brasil em todos os tempos (está perto de ultrapassar 100 milhões de visualizações) e está brigando pau a pau com artistas como Rihanna e Adele por uma colocação cada vez mais alta entre os vídeos musicais mais vistos do mundo. Ganhou versões em polonês, em grego e o próprio Michel Teló prepara o lançamento da versão oficial em inglês. Dos campos de futebol, a música migrou para as quadras de tênis, com ninguém menos que o Rafael Nadal dançando a música, e para a NBA, a principal liga de basquete do mundo, com jogadores do Denver dançando a música e postando vídeos da coreografia na Internet. Um fenômeno parecido com o da “Macarena”, que varreu o mundo na década de 90.

Claro que, com toda essa histórica repercussão internacional, a figura do Michel Teló de repente se tornou comercialmente interessante para os grandes veículos de comunicação. De repente passaram a notar que o Michel Teló dava audiência. Ele participou de todos os programas de TV possíveis e vem seguindo a via sacra televisiva desde então. Participou do Faustão duas vezes num curto intervalo de tempo. Para aproveitar o sucesso internacional da música, uma turnê européia já está agendada para depois do Carnaval e um contrato com a Sony Internacional já está ganhando forma.

O paradoxo, nesse caso, é que enquanto o Michel Teló se torna aos poucos o primeiro grande embaixador internacional da música sertaneja, muitos o atacam por teoricamente não preservar as principais características do segmento. Não dá pra entender, no entanto, o que de fato querem os críticos nesse caso específico. Afinal de contas o Michel Teló é reconhecidamente talentoso. É um cantor excelente, conhecedor da tradição da música sertaneja, com anos de estrada, com bagagem, instrumentista de mão cheia. Quem melhor que ele para esse cargo de “embaixador internacional da música sertaneja”? Ou será que o mesmo pessoal que brada críticas, com palavras de baixo calão inclusive, preferia que o principal representante do segmento sertanejo no mundo fosse um artista sem qualquer experiência ou bagagem musical e que não carregasse pelo menos dentro do coração muito da história da música sertaneja?

O Michel Teló se arriscou com o próprio público que já o respeitava enquanto artista legitimamente sertanejo e lançou seguidamente dois megahits que muita gente inclusive não aceita dizer que são sertanejos. Estranho como na música sertaneja todo artista que começa a fazer sucesso de verdade passa a ser acusado de abandonar o segmento. Aconteceu isso com Victor & Leo, com o Luan Santana, com a Paula Fernandes. Agora como pode alguém considerar não-sertanejo um cara que tocou em bailes a vida inteira, que manja muito da gaita de ponto (que aliás não é qualquer um que toca, afinal é diferente do acordeon tradicional) e que conhece a música sertaneja como poucos artistas da atualidade?

O fato é que Michel Teló alcançou o status que muitos acharam que ele não alcançaria. Hoje ele é, sim, um astro. E isso não foi instantaneamente como às vezes alguns pensam. Foi um trabalho de anos. O mérito é dele enquanto artista excepcional e das músicas muito bem escolhidas. De agora pra frente, é possível que muita gente siga duvidando da capacidade do Michel em continuar se mostrando um tremendo hitmaker. Afinal de contas, dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Mas espera um pouquinho: não caiu no Michel duas vezes? Será que uma terceira vez seria algo assim tão improvável?

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Update:

Coincidentemente, a revista Forbes publicou esta manhã em seu site um texto sobre o Michel Teló bem parecido com este que postei de madrugada. Cliquem AQUI para ler (em inglês).

43 comentários
  • Almr: (responder)
    2 de janeiro de 2012 às 07:53

    O Michel realmente é uma pessoa do bem, de caráter, verdadeiro, que sempre tratou bem a todos. O defeito do Michel é um só: o irmão picareta que ele tem e que tem má fama nos bastidores da música e do showbusiness. Não fosse isso, o Michel iria ainda mais longe. Infelizmente laços de sangue são difíceis de romper, mas como dizem, a verdade sempre aparece, cedo ou tarde.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.