21 jan 2011 | Artigos
O homem que descobriu Zezé Di Camargo & Luciano e algo mais…

Foi durante uma festa na cidade de Barra do Garças, no Mato Grosso, em 1983, que Romildo os viu pela primeira vez. Era  o único dia em que não haveria uma atração de renome se apresentando na festa,  tudo porque o presidente do sindicato rural queria mostrar uma dupla da região. E foi assim que Romildo conheceu a dupla “Zazá & Zezé”.

Naquela mesma noite, iniciava-se uma grande amizade entre o empresário e a dupla. Porém, pouco tempo depois a dupla se separaria e Zezé Di Camargo partiria para São Paulo. E assim como Leandro & Leonardo, com a mala cheia de sonhos. Batalhando incansavelmente em sua carreira e depois de gravar dois discos solos sem grandes perspectivas,  Zezé Di Camargo decide então trazer de Goiânia o irmão, Luciano, como conta Romildo Pereira: “O mercado pedia duplas sertanejas e sozinho, Zezé tinha dificuldade em emplacar. Além do mais, Luciano apenas comporia a foto”, relembra Romildo. “Zezé perguntou o que eu achava, eu concordei de pronto”, completa.

Com a dupla formada, se iniciou então uma nova maratona em busca de uma gravadora. Foram semanas gastando a sola do sapato e a resposta era sempre a mesma. Até que um dia, Zezé chega no escritório do amigo bastante triste e desanimado. Já com os olhos lacrimejando, diz ao amigo: “Tá muito dificil para nós, Romildo”. Revoltado com a situação de Zezé, Romildo se levanta, pega o carro e vai em direção ao ABC paulista, onde ficava a Copacabana Discos.

A gravadora vinha de um mal momento e ainda tentava se levantar. Perder artistas importantes como Chitãozinho & Xororó e João Mineiro & Marciano para a Polygram foi um duro golpe para a Copacabana. Os então recentes investimentos em Alan & Aladim trouxeram algum retorno, mas ainda estava muito “aquém” de anos anteriores. Romildo era um dos olheiros da gravadora, granjeando novos artistas para a empresa, e seu proprietário, Adiel Macedo, tinha uma dívida de gratidão com o rapaz.

“Esta dupla parece cópia de Chitãozinho & Xororó, não vai dar em nada”, irritou-se Idiel Macedo depois de 40 minutos de uma nervosa discussão.

Inconformado e ainda atordoado, Romildo pressionou Adiel, lembrou da dificuldade que foi trazer Alan & Aladim para a gravadora num momento em que a Copacabana praticamente fechava suas portas. Sentindo-se em débito, o proprietário não teve outra saída e concordou então em gravar, mas não sem antes perguntar:

-Romildo, qual é mesmo o nome da dupla?

-Zezé Di Camargo & Luciano, seu Adiel.

Poucos dias depois, Zezé Di Camargo & Luciano entraram em estúdio e gravaram seu primeiro LP, disco esse que tinha programação de ser lançado 4 meses depois. Preocupado com a demora, um dia Romildo convenceu o técnico do estúdio a tirar algumas cópias do tape em fitas e mandou para algumas emissoras de rádio sem que a gravadora soubesse. Com viagem marcada para Goiânia, Zezé também foi orientado por Romildo a fazer contatos com radialistas de sua cidade natal: “Precisamos provar para a gravadora que vocês serão sucesso”. E assim foi feito. Com a ajuda de seu Francisco, a música “É o Amor” estourou em Goiânia, Triângulo Mineiro e inteiror de São Paulo. Diante do sucesso, a gravadora não teve outra alternativa a não ser lançar o disco.

Romildo ajudou a escolher as fotos para a capa do primeiro trabalho e garante que tem até hoje uma cópia daquela fita que foi entregue nas rádios, como mostra o filme “2 Filhos de Francisco”. A atitude visionária e insistente do jovem rapaz beneficiaram tanto a gravadora, que ressurgiu das cinzas e transformou-se numa das maiores do país em sua época. Quanto à jovem dupla Zezé di Camargo & Luciano, provavelmente deve ter um grande sentimento de gratidão por Romildo Pereira até hoje.

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O ALGO MAIS…

Conta a história que na década de 1980 a Sony Music (ainda CBS na época) era a maior gravadora dos Estados Unidos. Com problemas financeiros e sem um grande nome com quem pudesse contar, estava praticamente falida. Foi quando um de seus diretores procurou o produtor Quincy Jones  e lhe deu 500 mil dólares. A grana era pouca e tarefa não era nada fácil: descobrir um artista que pudesse salvá-los da falência. Quincy já era um produtor renomado, pois havia trabalhado com ninguém menos que Frank Sinatra e Ella Fitzgerald. Pensou em Michael Jackson, que estava no ínicio de sua carreira solo e com quem já havia trabalhado no disco “Off The Wall”. O resultado dessa grande parceria o mundo inteiro conhece bem: “Thriller”, o álbum mais vendido da história com 104 milhões de cópias. Depois disso a gravadora saiu do buraco e tornou-se definitivamente a grande empresa que conhecemos hoje e Michael Jackson o “Rei do Pop”.

As duas histórias tem em comum apenas uma verdade universal: dinheiro nem sempre é tudo. Criatividade, talento, influência, trabalho e muita força de vontade são ingredientes que nunca sairão de moda.

Acredite no seu sonho.

1 comentário
  • Enoque Gomes: (responder)
    22 de janeiro de 2017 às 19:40

    A ,historia do Romildo,não é verdade. ele apenas levou o Zeze,que gravou sozinho,a historia do lançamento do disco foi o Enoque Gomes, que descobriu a musica em uma serie de gravaçoes,que estava parada, e ai começou tudo, se quiser saber a verdadeira historia e como aconteceu o sucesso,fale comigo, obs. o Zeze sabe disto

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.