11 out 2010 | Artigos,Lançamentos
O Jogo dos Erros de uma Apresentação ao Vivo

O que faz um novo artista ser sucesso ou não? O que diferencia uma dupla das outras na hora em que se está começando? Bagagem musical adquirida após anos de estrada, uma boa música de trabalho, um grande investimento em produção e publicidade ou sorte? Na minha opinião é tudo isso e um pouco mais.

Esse “algo mais” de que falo, principalmente em artistas que estão buscando um lugar ao sol não tem muito a ver com grana. É muito mais uma questão de atenção com a própria carreira do que com investimento financeiro propriamente dito. Talvez uma pessoa próxima ao artista com um bom “feelling” possa resolver, afinal, minha reclamação é com o descuido nos pequenos detalhes.

Quando um artista tem a oportunidade de viajar pelo Brasil, ele precisa observar o tipo de ritmo que faz sucesso naquela região. Se o show for no nordeste, provavelmente o sertanejo “aforrozado”  e o arrocha farão mais sucesso. No norte do Paraná o “sertanejo universitário”  contrabalanceado com vanera vai agradar praticamente todo mundo. Na grande São Paulo a predominância é do “universitario”,  numa média de três ou quatro para cada vanera tocada. Claro que nada disso é regra. Porém, isso dá uma idéia de como o músico precisa mais do que nunca ter bom repertório e ser flexível no tipo de som que faz. Em alguns lugares ele tem que tocar de tudo, igual banda de formatura, em outros locais agir como grupo de forró e em outros como dupla universitária.

A percepção de “virar” o show durante a apresentação para agradar o público é muitas vezes mais importante do que o estilo do artista, mas muita gente ainda deixa de fazer e acaba não agradando, e perde a oportunidade de se apresentar de novo naquele local.

Outro problema de algumas apresentações é a quantidade de músicas antigas. E não falo de antigas no sentido de clássicos ou modas de viola, nada disso, falo de repertório desatualizado. Infelizmente hoje em dia a música de três meses atrás para a balada é velha, cansou e todo mundo quer o que acabou de ser lançado, aquela que está fresquinha tocando nas rádios. Isso coloca o artista numa dificil situação, ou se atualiza todo dia ou perde espaço. Eu mesmo já presenciei dono de casa noturna dizendo: “Tal dupla eu não chamo porque eles tem um repertório muito velho e o povo quer coisa nova”. Apesar disso é muito mais facil encontrar duplas com poucos anos de estrada bem antenada com as novidades do que duplas mais antigas.

Mas os maiores problemas ainda, na minha opinião, são dois: A falta de carisma e interatividade com o público (por incrível que pareça ainda existe cantor que sobe no palco, canta, desce e não fala uma palavra sequer) e falta de entrosamento entre a banda e  artista (cantor que entra na música na hora errada, esquece e erra a letra toda hora, músicos que tocam cada um uma coisa). Claro que nem sempre a gente está num bom dia, mas pôxa vida, o cara foi contaratado para levar alegria, animar o ambiente e não espantar o povo.

É óbvio que tem muita gente boa por aí, e é certo que isso não é um problema generalizado, mas como eu disse antes, acontece demais. No último sábado eu assisti um show de dar dó. Era uma dupla com 16 anos de estrada, boa estrutura e até bem conhecida, daquelas que  fazem shows por todo Brasil e tem música tocando nas rádios. Mesmo assim cometeram os erros infantis citados acima e quase esvaziaram a casa pouco tempo depois de subirem ao palco (e olha que o local era daqueles que tem público fiel, pode tocar o que for que o povo dança, mesmo assim a apresentação foi um desastre).

Como eu falei um pouco antes, sou leigo no assunto, não sou músico, não toco nem campainha. Mas, se alguém que não sabe nada já percebe esses deslizes, imagine quem conhece de verdade, o que diria? Em tempos em que dinheiro fala mais alto que talento, por que não aproveitar e arrumar a “sintonia fina” já que para esse tipo de ajuste não é preciso gastar nada e aí sim, e só assim flertar de vez com o sucesso.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.