12 mar 2008 | Lançamentos
O momento é dos novos

Nunca antes na história desse país (copiando Lula) se viveu um momento tão propício para o surgimento e consagração de duplas desconhecidas do grande público. Já é um fato: a música sertaneja se regionalizou, o que abriu espaço para milhares de artistas novatos. Os próprios radialistas reconhecem esse fato. Não existe mais aquela coisa de antigamente de tocar apenas as mesmas duplas ou cantores, deixando os novos de fora do mercado. A era AMIGOS acabou faz um bom tempo.

As grandes gravadoras estão investindo cada vez mais em novos artistas, tanto os recém chegados ao mercado quanto aqueles que já batalham há algum tempo sem o devido reconhecimento. Nota-se, no entanto, que os contratos fechados pelas gravadoras com os novos artistas nem sempre dizem respeito à gravação de discos. Às vezes inclui apenas a distribuição. De três anos pra cá, alguns casos são notórios. A Sony BMG, que conta, em seu casting, com Bruno & Marrone e Zezé di Camargo & Luciano, passou a contar também com Victor & Léo e Luiz Cláudio & Giuliano. A EMI, a mesma de Edson & Hudson e Gino & Geno, fechou contrato com João Neto & Frederico e Nelson & Davi. Mas o caso mais escandaloso é o da Universal. Antigamente, contavam com Chitãozinho & Xororó, Leonardo e Rionegro & Solimões. De repente, deixaram esses artistas consagrados de lado pra investir nos novatos e foram contratando a rodo. César Menotti & Fabiano, Eduardo Costa, Jorge & Matheus, Fernando & Sorocaba, Erick & Leo, Diego & Ricardo e mais um punhado foram contemplados.

Alguns tiros foram certeiros. César Menotti & Fabiano e Victor & Leo foram os artistas sertanejos com maior vendagem em 2007. Outros tiros passaram longe do acerto. Jorge e Matheus, por exemplo, venderam apenas 6000 unidades do CD e, mesmo fazendo um show atrás do outro, estão a perigo na Universal, que não gosta nem um pouco de trabalhar com números abaixo das dezenas de milhares. Só pra se ter noção, Chitãozinho & Xororó já não fazem mais parte do casting da gravadora, onde permaneceram por quase vinte anos. Tudo porque a vendagem da dupla nos últimos anos não chega nem perto da vendagem que eles costumavam alcançar. O novo DVD da dupla é uma produção totalmente independente, assim como o trabalho de muitas duplas consagradas de antigamente.

Esse é o ponto negativo do crescimento das novas duplas: as duplas “antigas” perdem o seu espaço. E, convenhamos, é ruim pra burro ver um ídolo sumir dos holofotes…

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.