10 nov 2007 | Lançamentos
O que é sertanejo universitário?

João Bosco e Vinícius lançaram uma moda que foi consolidada por César Menotti e Fabiano. Música sertaneja tocada de uma forma diferente, privilegiando o acústico, que, por ter muita aceitação com os jovens de 15 a 30 anos, ganhou a alcunha de “sertanejo universitário”. Mas o que esse estilo tem de diferente do restante do segmento sertanejo?

Ao pensar na resposta para essa pergunta, é inevitável tentar enumerar duplas que trabalham divulgando-se como dupla sertaneja universitária. Entre elas, podemos citar João Neto e Frederico, Jorge e Mateus e mais um punhado por aí. O que elas têm de diferente uma pra outra? Praticamente nada. As duplas sertanejas universitárias utilizam praticamente o mesmo repertório e agradam praticamente o mesmo público. Determinadas músicas que fizeram ou não sucesso no passado viraram hits na boca da galera. “Tem nada ver”, gravada por Bruno e Marrone em 1997, estourou nas vozes de Jorge e Mateus e de mais um punhado de gente. “Como um anjo”, gravada por Zezé e Luciano em 1994, deu certo com César Menotti e Fabiano e com milhares de outros. Outras músicas mais clássicas, por sua vez, são regravadas por praticamente todas as duplas, como por exemplo “Telefone Mudo”, “Pagode em Brasília”, etc.

Todas as duplas seguem a regra dos três A’s que mencionei em posts anteriores, e quando alcançam o sucesso, o fazem graças às músicas inéditas. João Neto e Frederico com “Só de Você”, Jorge e Mateus com “Querendo te amar”, César Menotti e Fabiano com “Caso Marcado”, João Bosco e Vinícius com “Magia e Mistério”, todos conquistaram o carinho do público. No entanto, depois de fazer sucesso no circuito universitário, algumas duplas preferem abandonar o rótulo e desenvolver trabalhos mais abrangentes. Isso acontece porque qualquer pessoa sabe que a cabeça do público universitário muda conforme a maré. Ora, ontem era o forró universitário, liderado pelo Falamansa. Depois vieram o pagode universitário, com o Inimigos da HP, e o sertanejo universitário, com César Menotti e Fabiano. O pagode universitário já está em queda e é só uma questão de tempo até que o mesmo aconteça com o sertanejo universitário. É bom pular fora do barco antes que ele afunde.

Por isso, é um tanto arriscado divulgar-se como tal, tendo em vista que o público fica muito restrito. A música sertaneja sempre foi universal e é perigoso tentar agradar somente uma galera que até um tempo atrás não exitava em jogar pedras no segmento. Além disso, devido ao sucesso que esse estilo faz nas festas, muitas duplas sem talento têm surgido e “prostituído” o mercado por ter dinheiro suficiente para investir, enquanto existem muitas duplas com qualidade e sem dinheiro espalhadas por esse Brasil. Sem querer ofender o público universitário, até porque sou um deles, o pessoal não faz muita questão de escutar apenas duplas com talento. Basta animar a festa o suficiente para das uns “pegas” em alguém e encher a cara de cachaça que tá tudo bom.

Quais as diferenças, então? O sertanejo universitário ajudou no resgate a um instrumento importantíssimo para a história sertaneja, o acordeon, que foi universalizado, passando a ser utilizado em qualquer música, e não só nas dançantes. Por outro lado, o estilo permitiu a ascensão de duplas que definitivamente não possuem talento, apenas dinheiro. Além disso, por sofrer grande influência das músicas de Bruno e Marrone, a segunda voz é relegada ao menor plano possível. A segunda voz é só um cara a mais pra formar “dupla”, não precisa nem cantar. É o que pensam equivocadamente as duplas sertanejas universitárias. Com a ascensão do estilo, criou-se a ilusão de que pra ser dupla basta cantar em uníssono e tocar violão direitinho. Qualidade, portanto, ficou no passado. Música é universal, claro, e qualquer um pode tocar e cantar se quiser. Mas convenhamos que, como pra qualquer coisa que se faça na vida, é necessário um pouco de preparo.

11 comentários
  • josce: (responder)
    26 de março de 2012 às 15:50

    ate que enfim vai acabar essa merda,ja encheu o saco td dia aparece uma duplinha idiota,dura um mes ,vem outro chega dessa porcaria,viva a musica brasileira.

  • mauricio: (responder)
    26 de março de 2012 às 21:22

    cara vc falou umas coisas que falo sempre para as pessoas que conheço esses universsitarios gosam com o pau dos outros como zeze cesar augusto rick ………….

  • Raymundo Mikolajczyk: (responder)
    14 de julho de 2013 às 19:57

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.