14 jul 2010 | Artigos
Os videoclipes estão voltando… Isso é bom?

Talvez pela popularização dos vídeos na Internet através do Youtube, ou talvez pela necessidade que as pessoas tenham de também “verem” uma canção e não apenas ouví-la, os clipes na música sertaneja estão ganhando uma sobrevida, depois de alguns anos meio deixados de lado. Mas vem cá… isso é bom?

Não sei vocês, mas assistir um clipe sertanejo quase sempre foi pra mim um momento de sentir uma extrema vergonha alheia. Sério. As mesmas poses, os mesmos cenários, as mesmas caras, os mesmos closes. Tudo padrão. Clipes sertanejos parecem sempre ter sido feitos com base num modelo padrão implantado sei lá há quantos anos e que deveria ser copiado por todos os artistas que quisessem fazer um clipe para divulgar uma canção.

Depois que Michael Jackson revolucionou o videoclipe com uma mega produção para a canção “Thriller”, esse elemento passou a ser imprescindível. Uma das formas mais interessantes de divulgar uma canção, sem sombra de dúvida. Os artistas buscam formas inovadoras, roteiros da mais alta qualidade e diretores de grande expressão. Isso no mercado internacional. No mercado nacional, no entanto, parece que só os artistas do rock e MPB entenderam o potencial dessa ferramenta. Nos segmentos mais popularescos, o que ocorre é um mal aproveitamento dos recursos financeiros implantados. E a música sertaneja é a que provavelmente mais faça questão de demonstrar essa falta de preocupação com todos os benefícios que podem surgir de um videoclipe de sucesso.

Os clipes de segmentos menos popularescos sempre foram produções interessantes, com roteiro muito bem amarrado, nem sempre necessariamente relacionados à música tema. Assim como nas produções internacionais, os artistas desses segmentos da música nacional parecem ter enxergado que um videoclipe é uma produção cinematográfica com uma música como tema e não apenas uma forma de colocar uma música de quatro minutos no formato de um vídeo.

No caso da música sertaneja, então, onde pouquíssimas canções contam histórias com início, meio e fim, fica quase impossível transpor o áudio para o vídeo. Convenhamos que as canções sertanejas carecem de diversidade de conteúdo em suas letras. O tema é um só, a história é uma só e por aí vai. O que muda é apenas o ritmo e o artista que interpreta. Acontece que um videoclipe não tem necessariamente que contar a exata história da música. Ora, se a canção não conta uma história, porque não inventar uma?

Vejam abaixo, por exemplo, o excelente clipe da música “Segredos”, do Frejat.

O videoclipe acima inova por criar uma história em cima de uma canção que, teoricamente, não tem história. E olha que isso ainda em computação gráfica de alta qualidade. O fato é que dá para criar uma história com base numa canção que não conte a dita cuja. Basta procurar os profissionais certos, roteiristas e diretores. Outro bom exemplo é do clipe da música “Mandrake e os Cubanos”, do Skank. Cliquem AQUI para ver.

Claro que dentro desse pensamento, no entanto, há o eterno conservadorismo que assola a música sertaneja. “Para que serve um videoclipe senão para divulgar a cara do artista?”, pensam os mais retrógrados, que insistem em colocar os cantores pagando o mico de atuar em situações vexatórias. Gente, um cantor não é necessariamente um ator. Não, não é necessário que o cantor seja o personagem principal de seu próprio videoclipe, ou que sua imagem tenha que aparecer em câmera lenta enquanto canta, de cinco em cinco segundos, ou que ele tenha que vir galopando numa estrada de terra, e etc, etc, etc. O videoclipe está ali para divulgar a música, que por sua vez vai divulgar o cantor ou dupla, mesmo que apareça pouco ou quase nada no vídeo.

Outro ponto em que provavelmente se apegam os conservadores é o fato de que o público sertanejo pode não entender a história ali contada. Convenhamos que pensar dessa forma é praticamente insultar a inteligência do público sertanejo. Se fosse assim, o cinema seria feito para um público específico e não para todo e qualquer interessado. As pessoas de gosto popularesco gostam sim de uma produção bem feita, de uma história bem contada. Taí as novelas que não me deixam mentir.

Dentre os artistas sertanejos que mais utilizam essa ferramenta para divulgação de suas canções, Zezé di Camargo & Luciano talvez sejam os que o fazem da forma menos errada. Os clipes da dupla, todos num altíssimo nível de produção, geralmente buscam se desvincular da falta de opções apresentadas nas letras das canções. Vejam AQUI, por exemplo, o clipe da música “Pra mudar minha vida”, que fez o que eu mencionei acima: tentou apresentar uma história para uma canção que não tinha história. Mesmo sendo um dos clipes sertanejos mais bem feitos de todos os tempos, ainda peca nos elementos clichês, como o roteiro meio sem pé nem cabeça e a desnecessária atuação da dupla no vídeo. No mais, não dá pra negar que foi um clipe ousado para os padrões da música sertaneja.

Num exemplo mais recente, a dupla ainda inovou promovendo a interatividade dos fãs através de um videoclipe da música “Tapa na Cara”, onde era possível inserir uma foto enviada para um endereço eletrônico. Uma das fãs, aliás, foi escolhida e teve a foto colocada no videoclipe que foi ao ar no Fantástico. Tá certo que o clipe é mais uma sucessão de clichês e coisa e tal, mas mesmo assim valeu pela inovação da interatividade.

Outra coisa que me entristece é ver que alguns bons artistas sertanejos, na gana de acharem que estão inovando em alguma coisa, acabam não percebendo a barca furada em que estão entrando ao permitirem a divulgação de um clipe tosco ou mal feito. Me dói no coração fazer uma crítica a uma dupla como Zé Henrique & Gabriel, que é sem sombra de dúvida uma das mais completas da história recente da música sertaneja, mas soltar na mídia um videoclipe como o da música “Solidão dando risada”, em Animação 3D, atiça os mais intensos sentimentos de vergonha alheia possível. Cliquem AQUI e comprovem. Vendo aquele clipe do Frejat, de anos atrás, e vendo esse da dupla Zé Henrique & Gabriel, é completamente possível entender porque ainda riem da gente. Se a desculpa é que por conta da tecnologia 3D não era possível fazê-lo em melhor qualidade, seria melhor que não tivesse feito. Afinal de contas, quem é que tem condições de assistir a algo em 3D em casa hoje em dia? Ainda é uma tecnologia distante da imensa maioria dos brasileiros.

Por falar em clipes considerados verdadeiras piadas, um clipe da música “Pisa no freio, Zé”, da dupla Cézar & Paulinho, já foi tema de um dos programas “Piores clipes do mundo”, apresentado pelo Marcos Mion na MTV. Vejam abaixo aonde chega o nível de gozação. Mas também, não é pra menos.

O que tento dizer é que aparentemente os cantores sertanejos não se preocupam em fugir daquele estigma eterno com relação aos videoclipes: pouquíssima ou nenhuma criatividade, baixa qualidade nas produções, falta de ousadia ou as três coisas ao mesmo tempo. Não é necessário, sempre, que a câmera foque nos cantores fazendo caras e bocas pra cantar a bendita música, ou tenha que existir uma bela moça de short assistindo ao cantor aparecendo na TV ou ouvindo à canção dele no rádio, ou tomadas em câmera lenta utilizadas de forma tão descartável quanto a forma com que se usa um papel higiênico. Os artistas devem lembrar que num vídeo de 4 minutos ou mais é possível fazer coisas do arco da velha. As possibilidades são inúmeras. Falta apenas a originalidade que muitos artistas do Rock ou da MPB aparentemente já entenderam ser necessária.

Abaixo, uma lista com os links para os videoclipes mais recentes de alguns artistas sertanejos que se arriscaram a entrar nessa onda. Alguns deles muito bem feitos, sem sombra de dúvida. Mas ainda sonho com o dia em que vou poder comparar de verdade um clipe sertanejo com um bom clipe de rock como os citados acima.

* Erick & Léo – Micareta

* Gusttavo Lima – Rosas, versos e vinhos

* Eduardo Costa – Sou seu fã nº 1 / Não valeu pra você

* Zezé di Camargo & Luciano – Tapa na Cara

* Teodoro & Sampaio – Ruela do Eno / Seu Redondo / Pitoco

15 comentários
  • Florine Dollings: (responder)
    14 de julho de 2013 às 15:14

    I just want to mention I’m new to blogging and actually liked your web-site. More than likely I’m going to bookmark your website . You amazingly come with beneficial posts. Cheers for revealing your website page.

  • More hints: (responder)
    17 de julho de 2013 às 21:01

    Greetings! Very useful advice within this article! It’s the little changes that produce the largest changes. Thanks a lot for sharing!

  • visit our website: (responder)
    17 de julho de 2013 às 21:27

    Thanks for your ideas. One thing really noticed is always that banks and also financial institutions are aware of the spending patterns of consumers as well as understand that many people max out their own credit cards around the vacations. They correctly take advantage of that fact and commence flooding ones inbox and snail-mail box with hundreds of no interest APR credit cards offers just after the holiday season ends. Knowing that should you be like 98% of the American community, you’ll leap at the opportunity to consolidate financial debt and shift balances to 0 apr interest rates credit cards.

  • site: (responder)
    19 de julho de 2013 às 14:33

    I was able to find good info from your blog articles.

  • description: (responder)
    19 de julho de 2013 às 16:45

    Hello there! This blog post could not be written any better! Reading through this post reminds me of my previous roommate! He continually kept preaching about this. I will forward this post to him. Fairly certain he will have a great read. I appreciate you for sharing!

  • Get More Info: (responder)
    19 de julho de 2013 às 19:15

    I like reading an article that can make people think. Also, thanks for permitting me to comment!

Redes sociais
Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.