21 jun 2012 | Notícias
Participações Especiais – Será que Ninguém Mais Confia no Próprio Taco?

Todas as semanas eu posto os lançamentos aqui no Blognejo. E a cada semana aumenta a quantidade de músicas lançadas por artistas novos com a participação de algum outro artista, nem sempre estourado nacionalmente. Isso acontece há tempos, na verdade. Por que? Qual é o motivo que leva a maioria absoluta dos artistas a aparentemente não confiarem na própria força e convidarem alguém mais forte para assim diminuir a pressão quanto ao estouro da música que lançaram? Será que ninguém confia mais no próprio taco?

Houve um tempo em que uma participação especial de um artista consagrado numa canção era tida como um grande evento, uma ocasião histórica. Reunir dois nomes importantes da música era algo a se comemorar, pelo menos para os fãs. Em outros casos, um disco vinha lotado de grandes nomes apenas para celebrar a importância do tipo de música gravado nele, como nos casos da série “Meu reino encantado”, do Daniel, ou no disco “Clássicos Sertanejos”, da dupla Chitãozinho & Xororó, que celebravam a música raiz. Hoje, virou uma banalidade.

Ao invés de celebrarem alguma coisa ou apenas de comemorarem uma parceria, a maioria das participações hoje vêm revestidas da mais descarada das intenções: aproveitar a força do convidado no mercado para pegar uma caroninha no sucesso e, talvez, conquistar um pouquinho do espaço que este convidado já tem. Assim aconteceu, por exemplo, com dezenas (talvez centenas) de músicas gravadas com a participação da dupla Jorge & Mateus. Algumas não causaram nenhum tipo de impacto. Outras promoveram os artistas originais a um degrau acima no mercado.

Mas se a intenção de quem convida é, aparentemente, apenas se aproveitar do sucesso do convidado, porque é que o convidado aceita? Ora, divulgação é divulgação. O convidado vai ter o seu nome divulgado gratuitamente pelo artista que convidou durante sei lá quanto tempo e não vai ter que fazer absolutamente nada. Em alguns casos, aliás, o convidado acaba se dando tão bem por conta da participação que em alguns casos nem precisa se preocupar muito com o próprio trabalho.

Apesar da banalização da participação especial, ela ainda carrega em si alguma coisa de bacana, e por isso o público gosta tanto. Mas parceiros importantes dos artistas acabam ficando de saco cheio de tanta música gravada com convidados, principalmente os radialistas. É que a maioria das rádios tem uma metodologia de trabalho definida. Apenas uma música de um artista naquela determinada hora, para citar apenas um exemplo. Como fazer, então, se um mesmo artista participa de 3 músicas de sucesso em determinada temporada?

Como uma rádio consegue tocar na mesma hora, por exemplo, “Gatinha Assanhada”, “É fato” e “Vem ni mim Dodge Ram”, a primeira do Gusttavo Lima e as outras duas com a participação dele? E na época das centenas de participações da dupla Jorge & Mateus então? A dificuldade de planejamento era ainda maior. Isso sem falar, é claro, de algumas rádios inescrupulosas, que provavelmente ficam mordidas por não terem como cobrar o tradicional jabá também da participação, mas apenas do artista principal.

Além de tudo isso, e voltando de fato ao assunto principal deste post, é incrível como pouca gente hoje em dia deposita confiança apenas em si mesmo. Muitos artistas acreditam que seu trabalho só vai funcionar se tiver a participação deste ou daquele artista, geralmente um que já esteja fazendo muito sucesso. O Cristiano Araújo, por exemplo, é a bola da vez nas participações. Todo mundo o quer gravando um pedaço de uma música.

Há casos, claro, de músicas que só foram sucesso por conta da participação. Outras provavelmente teriam feito sucesso mesmo sem a participação de ninguém, o que na verdade nunca dá para saber. Mesmo assim, parece que o que falta hoje em dia é um pouco de coragem. Parece mais uma grande incoerência um determinado artista se lançar no mercado mas não ter estômago para matar um leão por dia na grande arena de gladiadores que é o mercado sertanejo sem estar se apoiando numa participação especial em sua música de trabalho. Auto-confiança deveria ser um item tão necessário quanto carisma e talento na estrada do sucesso. Afinal, se o artista não confia no próprio taco, que estrutura psicológica ele tem para enfrentar tudo o que está por vir?

35 comentários
  • leandro: (responder)
    21 de junho de 2012 às 13:18

    pode crê!

  • Thiago Elias: (responder)
    21 de junho de 2012 às 14:03

    Tem a parada das músicas também. Compositores, que tem dupla, e tem a música gravada por alguém grande, acaba fazendo da música uma moeda de troca.. O grande grava e participa de alguma coisa nova do pequeno..

    Né ! Sei lá se tem todo esse efeito ainda. Acho que não mais.

  • Marcelo Ricardo: (responder)
    21 de junho de 2012 às 14:08

    Essa é a realidade. Ninguém colhe sem plantar. Plantam-se semente não árvores.Muitos estão tentando o caminho mais curto para o sucesso. Os mesmos “muitos” ficarão bem longe do que procuram.

  • Mariana Rezende: (responder)
    21 de junho de 2012 às 14:10

    Li e concordo em partes. O problema na verdade nem é auto confiança e sim o publico que não dá (querendo ou não) credibilidade pra que não conhece e tendo alguém alí, de renome já chama a atenção e consequentemente as pessoas(público) olham com outros olhos, prestão a atenção necessária.

  • Mariana Rezende: (responder)
    21 de junho de 2012 às 14:11

    Daí se vinga ou não, vai do talento do artista e do gosto do público.

  • Lucas Vieira: (responder)
    21 de junho de 2012 às 14:26

    Texto muito bom! Realmente, as participações especiais deixaram de ser um grande evento e se tornaram carne de vaca. O que infelizmente é normal hoje em dia… já vimos a banalização do ‘ao vivo’, dos acústicos e agora das participações especiais. Já enche o saco por ser feito em excesso… com interesses fúteis, pior ainda!

  • Alexandre Garcia: (responder)
    21 de junho de 2012 às 14:30

    Acho que tem muito a ve com seus produtores e empresários musicais também, no caso do dudu borges sempre tem participações entre as duplas que ele produz.

    Michel teló mesmo fez com dablio, bruninho e davi, luis henrique e fernando. e etc

    João bosco e vinicius com kleo dibah e rafael.

    Jorge e mateus com Fred e Gustavo na época que o dudu produziu eles.

    enfim, isso nao é nada mais do que para lançar as duplas, mas não estou falando que é só duplas dos mesmos produtores, só falei no sentido de lançar eles..

    Essa é a minha opnião e estou deixando bem claro isso.

  • Felipe Humberto: (responder)
    21 de junho de 2012 às 14:43

    ” Auto-confiança deveria ser um item tão necessário quanto carisma e talento na estrada do sucesso. Afinal, se o artista não confia no próprio taco, que estrutura psicológica ele tem para enfrentar tudo o que está por vir? ”

    – Sabias palavras Marcão, vc acaba sendo uma ancora para quem esta entrando no mercado!

  • Gus: (responder)
    21 de junho de 2012 às 15:29

    Nunca postei neste blog, porem leio-o com frequencia.

    Mas esta reportagem merece…

    Preciso dizer mais que Jorge & Mateus? Nunca colocaram participacoes em seus DVDs. Simplesmente confiaram no proprio taco e meteram bronca na habilidade de escolherem REPERTORIO!

  • Anônimo: (responder)
    21 de junho de 2012 às 15:42

    Concordo com o comentário que diz, que os produtores e empresários, também infuenciam , muito , por que muitas vezes, querem que os seus “novos cantores” também sejam sucesso, e aproveitam para explorar esse lado , das participações dos seus artitas mais conhecidos com os mais novos, esse lance das radios, têm dias que chega a ser irritante o numero de musica com uma mesma dupla ou cantor, ai vc fica se perguntando será que eles, preferem esse ou aquele, mas é o caso de terem participação na musica de um monte de outros artistas.
    Acho que fica dificil, se o empresario não confia no talento e carisma do seu artista , ele vai se sentir inseguro e ai já viu auto-confiança fica abalada.

  • Érike Melo: (responder)
    21 de junho de 2012 às 15:54

    Jorge & Mateus, pelo amor de Deus… são os campeões nas participações! Me lembro até de uma matéria aqui no blog, algo mais ou menos assim: “Os artistas que mais emprestam seu sucesso” Muitos artistas se deram mto bem por conta d uma participação deles: Gusttavo Lima – Humberto e Ronaldo – Israel e Rodolfo – Cristiano Araújo (só o Jorge) e etc… alguns jah eram até conhecidos regionalmente, mas dpois de ter uma música gravada com J&M, a carreira decolou de vez! Sem falar das parcerias d J&M com artistas que jah eram sucesso nacional como: JB. e Vinicius – Guilherme e Santiago – Asa de Águia, e mais recentemente com Bruno e Marrone e etc… É participação de mais! Vejam só:

    Jorge & Mateus com:

    Gusttavo Lima
    Guilherme e Santiago
    Humberto e Ronaldo
    Israel e Rodolfo
    Bruno e Marrone
    João B. e Vinicius
    Janaynna
    Flavinha Mendonça
    João Victor e Ricardo
    Asa de Águia
    Alexandre Peixe
    Chitãozinho e Xororó
    Lucas e Luan
    Marcos e Fernando
    Fred e Gustavo
    Racyne e Rafael
    E me parece que com Kleo Dibah e Rafael vai sair uma tbm…

    Essas são as parcerias que eu me lembro…

  • JULIANO ALVES: (responder)
    21 de junho de 2012 às 17:18

    Já não aquento mais essas participações!!!Príncipalmente desses dois xaropes Porge e Chateus, e esse tal de Dudu Borges!!Fica tudo igual, não dá nem pra diferenciar as duplas!Tudo farinha mofada do mesmo sacoooooooooooo.

    • Arthur: (responder)
      21 de junho de 2012 às 22:25

      Cara, vc ouviu o cd novo deles? De fato o Dudu Borges pode ter atrapalhado eles um pouco, mas o potencial deles é tão alto que esse fato se passa quase despercebido. Acho que eles tiveram alguma relutância em gravar com o Bigair, mas ficaria sensacional se ele produzisse um cd deles, mas sem arrocha, de preferência.

  • Juca: (responder)
    21 de junho de 2012 às 21:54

    Jorge e Matheus estão parecendo arroz de festa. Não sei o que eles pretendem com isso. O novo trabalho deles não me agradou, e com essa super exposição só atrapalha.

  • Neusa Giacianni: (responder)
    21 de junho de 2012 às 23:58

    Sempre arrasando.O que a parceria não resolver, o “jabá” resolve.Pelo menos por um tempo, porque uma hora o povo se cansa ou o dinheiro acaba (nos casos de jabá. E de fato as parcerias eram muito especiais,agora junta 2 + 2 e vamos que vamos :( Obs* Com exceção aos grandes artistas

  • Rafael Kissane: (responder)
    22 de junho de 2012 às 02:26

    belo texto… otimo titulo!

  • Charles Santana: (responder)
    22 de junho de 2012 às 13:34

    Concordo com vc Marcão…Gravar uma música com participação, dependendo do trabalho, fica mto legal…Mas o artista tem q está preparado pra andar com as próprias pernas…Vc não citou mas a nova música q dá nome ao novo trabalho da dupla Humberto e Ronaldo “Eu vou contar pro Cêis” ficou uma jogada de mestre, mto inteligente essa idéia…Flw Marcão…Abços parceiro…Te espero em Iub…

  • carlos cesar: (responder)
    22 de junho de 2012 às 18:35

    na verdade o que existe hoje em dia é uma panelinha onde um favorece o outro pra fazer “sucesso” pegando carana

  • Luiz Fernando: (responder)
    24 de junho de 2012 às 11:16

    Só lembrando que não são exatamente parcerias. O Artista manda as tracks por e-mail, o cara grava e pronto. A internet facilita isso. Acredito que artistas como Jorge & Mateus e Gusttavo Lima tiram alguns dias só pra fazer uma maratona de gravações pra participação.

    Eu, como radialista posso garantir que pra despertar o interesse do público tem que ter sim participação de alguém famoso. O pessoal quer sucesso, quer ver algum nome conhecido.

    O problema é a repetição dos artistas. Podiam buscar outros cantores, não só Gusttavo, J&M, Cristiano etc. E posso dizer que parcerias com artistas consagrados (Bruno e Marrone, Daniel etc) tem muito mais impacto que com esses artistas repetitivos. Mesmo com o público jovem, porque para a mulecada não existe essa divisão “universitário, não universitário”, eles aceitam numa boa as novidades.

    E você imagina como isso torna o sertanejo grande. Um cara lança uma musica Jorge e Mateus e faz sucesso. Daí uma dupla nova chama o mesmo pra participar do seu trabalho, e assim sucessivamente.

    E ainda que falem em sucesso, como eu disse, o sertanejo é grande. O cara pode não estar entre os grandes, mas tem um público e agenda legal, já ta ótimo.

    Aaaah, se alguém quiser mandar um jabá aqui pra Rádio Iruña é bem vindo, ok? heheh

  • emerson: (responder)
    24 de junho de 2012 às 13:44

    JCeC disse em uma entrevista que se a moda for boa eles gravam sim da pra uma ajuda pra dupla, que ninguem fez isso com eles e que a dificuldade de se entrar no mercado e mto grande

  • emerson: (responder)
    24 de junho de 2012 às 13:52

    Mas gravar com cantor famoso chama atenção do publico mesmo, tem um lugar que baixo musica sertaneja, e ja baixei mtas duplas somente por ver a participacao especial de algum nome de peso e de achar assim ” po se tem aqueles caras ali a musica deve ser qualidade, ai vou e escuto” mas nome de peso chama mta atencao da dupla….Primeiro foi Jorge e Matheus que gravou mto, depois Gustavo Lima, agora Humberto Ronaldo e Cristiano gravando demais e assim vai, um puxando o outra pra cima do sucesso, mas so ficam la quem realmente e bom…mtas musicas das partipaçõs especiais as duplas sumiram, veja um exemplo Marcos e Mario, musica boa com Jorge e Matheus, mas esta mto longe do sucesso da musica, este e somente um dos mtos exemplos que tem por ai….!!!

  • adriano: (responder)
    28 de junho de 2012 às 18:05

    Boa materia, mas ainda temos dupla altenticas que não utilizam dos outros como degraus para fazer sucesso ex: CHRYSTIAN E RALF, são reas as participaçoes desses ai, agora tem varios cantores sertanejos que é assim: se calipso ta fazendo sucesso vamos colocar eles em nosso DVD, ai no outro ano opa agora vamos colocar Christiano Araujo, e isso chama INCOMPETENCIA E OPORTUNISMO..

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.