03 nov 2011 | Notícias
Pedro Bento e Zé da Estrada – do passado para o futuro

Por Angell Lima

Sempre fui muito formal aqui no Blognejo. Desta vez peço licença para os leitores para contar uma experiência pessoal que de certa forma mostra um pouco de duas vertentes completamente diferentes da música sertaneja.

Nada de toneladas de luzes e paineis de led. Sem produção nenhuma além do figurino inconfundível. Nas coreografias apenas os passos de tango executados vez ou outra pelo veterano na primeira voz. Músicos que integram a equipe há décadas, sim, décadas! O maior atrativo daquela noite eram mesmo os clássicos de Pedro Bento e Zé da Estrada. Uma verdadeira multidão com gente de todas as idades assistia hipnotizada a um espetáculo.

Eu bem que fui lá para apresentar para a dupla algumas composições minhas. Fui recebida pela equipe fantástica de músicos. Aos poucos, entendia por qual motivo dois amigos seguem inabaláveis tanto tempo juntos. Pedro Bento e Zé da Estrada são parte de um grupo de artistas que se perdem na linha do tempo. A maioria das pessoas, principalmente dos jovens artistas, às vezes nem imaginam a importância desses dois.

Naquele dia, por ventura de adoecimento de um dos músicos, a viola foi assumida pelo jovem Wilson, carinhosamente chamado de Fininho, e que acompanha a dupla Liu e Léo pelos shows do Brasil.

Eu sempre fui muito ligada aos veteranos do sertanejo e ali não era diferente. Me surpreendi com o respeito principalmente do Zé da Estrada, que me deixou verdadeiras lições como artista que ainda está engatinhando.

“Zé, estou sem voz de tudo pela alergia do tempo seco, perdoa alguma falha”, dizia eu que recebi como resposta “- Quando comecei a cantar com o Pedro eu ficara rouco direto. Ele caçoava de mim porque não perdia a voz. Um dia, eu tinha que fazer um show e choveu demais. Enxurrada corria feito bica. Fui lá e benzi a garganta. Nunca mais fiquei rouco, minha filha”, comentou Zé da Estrada, que para tudo tem uma história.

Mas nada me chamou mais a atenção do que o show. Em tempo de mega produções, é de gelar a barriga uma apresentação onde a boa música é a grande protagonista. Não houve quem não ficasse de boca aberta com os figurinos mexicanos e os trompetistas praticamente extintos no cenário sertanejo atual.

Nenhuma nota fora do lugar, e muitos sorrisos admirados enquanto a dupla interpretava a canção O Amor e a Rosa, e o acordeonista Celinho, que segundo ele mesmo me disse já acompanha a dupla há 65 anos, fazia o simpático assovio. O filho deste por sinal, Célio Biank, é baterista e motorista da equipe.

Me peguei pensando quantos desses dinossauros da música ainda estão por aí trazendo do passado um fardo de memórias de muita luta para que hoje possamos conviver com músicas de tantas naturezas. Pedro Bento e Zé da Estrada, Liu e Léo, Inezita Barroso entre outros são gente que além da própria música tem a alma tangida por muita dedicação.

Aquele show, recomendo que todos vocês, amantes da música sertaneja, seja ela de qual linha for, assistam. Não esperem um espetáculo de pirotecnia, mas preparem para presenciar algo fantástico que envolve principalmente memórias e muita música.

Abaixo, algumas imagens do show e um vídeo da música “Herói sem Medalha” feito durante a apresentação.

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.