10 out 2007 | Lançamentos
Pirataria: amiga ou inimiga?

Quem é capaz de desembolsar R$ 25,00 por um CD que você pode comprar a R$ 3,00 no camelô mais próximo (dois por R$ 5,00)? A realidade da pirataria no Brasil é essa. Poucas pessoas ainda fazem questão de comprar CDs originais, quando podem ter o mesmo produto, com qualidade praticamente igual, a um preço infinitamente inferior.

Os maiores prejudicados nessa história não são os artistas (se alguém falar que são, quero ver provas concretas), mas sim as gravadoras, distribuidoras e demais empresas do ramo. Os artistas têm buscado outras formas de se sobressair em meio à crise da pirataria (basta ver o caso do SMD, invenção do Ralf). As empresas mencionadas, no entanto, não têm nenhuma outra saída a não ser baixar o preço dos produtos. E elas querem fazer isso? Obviamente não!!!!!! Pra não baixar o preço dos produtos e torná-los acessíveis a uma população com renda cada vez menor, elas baixam o sarrafo em cima do governo, que acaba criando mecanismos que inibem o comércio de CDs e DVDs piratas, como a prisão dos envolvidos. Aqui em Uberlândia, diversos informais, pais de família, têm sido presos por venderem CDs e DVDs piratas.

Por mais profunda que seja toda essa discussão, a música sertaneja é uma das mais afetadas pela pirataria de CDs. No entanto, de alguns anos pra cá, é a pirataria que tem permitido a ascensão de praticamente todos os artistas que despontaram para o mercado nacional. César Menotti e Fabiano começaram com um CD gravado em uma de suas apresentações em BH e pirateado em Minas Gerais. Deu no que deu. Sucesso absoluto com o posterior lançamento de um DVD. João Bosco e Vinícius também começaram da mesma forma.

O primeiro e ainda mais peculiar e incrível caso é o da dupla Bruno e Marrone. Em meados de 1999, eles participaram de um programa da rádio Líder FM aqui de Uberlândia chamado “Estúdio Ao Vivo”, apresentado pelo meu amigo Marquinhos Maracanã. Nesse programa, Bruno e Marrone cantaram um punhado de músicas com apenas dois violões. Acontece que alguém (não se sabe quem) pegou a gravação feita na rádio, montou um CD e distribuiu para os comerciantes ilegais. Alguns meses depois, esse CD estava sendo vendido até em Miami e se tornou um sucesso absoluto, obrigando Bruno e Marrone a gravar um projeto similar na gravadora e a gravar o primeiro DVD Acústico da carreira dos dois. 2 milhões de CDs vendidos depois, Bruno e Marrones de tornaram a maior dupla da atualidade, mantendo posto até os dias atuais.

Então, a pirataria é ou não ruim? Tudo depende do ponto de vista. É comum duplas em início de carreira piratearem os próprios CDs e DVDs. João Neto e Frederico, Luiz Cláudio e Giuliano, Eduardo Costa, entre muitos outros, ainda que neguem, fizeram isso. Outros ainda criam “coletâneas” de artistas maiores e incluem os próprios trabalhos. Tudo por que a divulgação é inegavelmente eficaz. Pirataria divulga. Qual é solução mais correta para acabar de vez com ela, então? Abaixar o preço dos CDs originais. Agora vai pedir isso para as grandes gravadoras…

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Sobre o autor
Marcus Bernardes é bacharel em direito e entusiasta da música sertaneja. Criou o Blognejo com o intuito de falar de maneira séria e digna sobre o segmento. Hoje é o veículo mais respeitado do meio, sendo referência em coberturas de eventos, lançamentos, entrevistas e análise de mercado.